quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mensagem para o Alysson

Diante de situação auspiciosa, o aluno Alysson, que somente conseguia obter boas notas nas avaliações, corria sério risco de concluir, mesmo com absoluto sucesso, mais um importante curso de especialização sem aquelas famosas mensagens de incentivo, próprias dessas oportunidades, mas, enfim, a Universidade da Experiência, responsável pela realização do Programa FOCCUS, fez-me a gentileza de pedir que eu lhe enviasse uma nota nesse sentido, com o que estaria preenchida aquela lacuna, limitada a dez linhas. Evidentemente, para estimular ainda mais qualquer dos meus filhos, eu seria capaz de escrever até um livro, porém, observada a aludida restrição, eis a mensagem enviada, em 05 de abril último, àquele educandário: “É muito honroso para mim falar sobre o Alysson, que é especial e importante no seio da minha família, pela sua demonstração de esforço e dedicação às causas que tem enfrentado, em especial quanto à sua predileção aos estudos e à aprendizagem, tendo sempre como objetivo a obtenção de novos conhecimentos e a consolidação da sua vasta bagagem de experiência nas várias áreas do saber humano. A perspicácia é uma das qualidades que sobressaem na sua personalidade e tem sido motivo de inspiração para superar os empecilhos naturais do dia a dia. Para o Alysson, nada é impossível e tudo pode se tornar realidade, pois a sua vocação sempre tem propiciado o enfrentamento dos obstáculos, com coragem e determinação, e a consecução dos louros da vitória. Não há dúvida alguma de que o Alysson tem sido motivo de orgulho, admiração e exemplo para os seus familiares e amigos, pela garra, pela força de vontade, pelo esforço e pelo poder de superação em tudo aquilo que tem objetivado na sua vida. Continuo torcendo pelo seu sucesso e parabenizo-lhe pela conclusão de mais um importante curso.”. Certamente que, agora, livre dos compromissos escolares, o Alysson poderá descansar, intelectualmente, lendo os meus textos, que ficaram em segundo plano, durante o curso em apreço.                                                    
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 12 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Prêmio à "criatividade"

O governo se manifestou taxativamente que não vai apurar o rumoroso affaire envolvendo o ministro da Casa Civil da Presidência da República, que teve seu patrimônio multiplicado de forma astronômica, em apenas quatro anos. No entendimento do ministro da Secretaria Geral da Presidência, com base nas conclusões da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, não há qualquer motivo que exija a verificação, uma vez que “Para nós, o assunto está encerrado e nós estamos muito satisfeitos com esse resultado. Vamos para a frente.”, tendo acrescentado que “Palocci é fundamental para esse (sic) governo, tem demonstrado uma grande competência, um incrível empenho ao apoio à presidência e na coordenação do governo. Vamos tocar a vida para a frente, porque nós temos muito trabalho e o Palocci precisa trabalhar muito para o nosso país.”. Segundo o ministro, o governo precisa se “ater ao presente”... ”Quanto ao passado de cada um dos ministros, não cabe ao governo fazer nenhum tipo de investigação.”. Diante de mais um rumoroso escândalo protagonizado por alta autoridade, o governo, com o maior descaramento, em flagrante contraposição ao repúdio da sociedade, tenta pôr panos quentes ao caso, abafando-o completamente e dando-o por encerrado, tendo por justificativa que somente seria possível haver apuração se o fato em questão tivesse ocorrido no exercício do cargo, o que vale dizer que as irregularidades precedentes são convalidadas, tornando-as automaticamente legitimadas, num passe de mágica. Na verdade, a atitude governamental contraria o princípio constitucional, segundo o qual aquele que for investido em cargo público terá que provar a sua reputação ilibada, isto é, não poderá ter a sua ficha corrida suja. Aliás, o comportamento do governo não poderia ter sido diferente, porque estaria contrariando o seu recente posicionamento adotado, quando fechou os olhos para malfeitos de auxiliares do mesmo nível ministerial, com a diferença de que estes foram praticados agora, no exercício do cargo. De qualquer forma, este novo caso apenas mantém a coerência do governo, quanto à reiterada inobservância dos princípios éticos e morais, por parte de seus principais membros. À sociedade resta lamentar e protestar com veemência contra mais uma grave omissão governamental, nitidamente contrária ao interesse público, principalmente pela falta de transparência dos atos da administração pública.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 16 de maio de 2011

A irracionalidade

Quando o feitiço se volta contra o feiticeiro, o resultado da história, normalmente, toma rumo desastroso como o que aconteceu exatamente com o terrorista internacional mais famoso, quando, em 1979, foi elevado a braço armado da CIA americana contra a ocupação soviética do Afeganistão, em cuja ocasião recebeu instrução como fabricar explosivos, operar códigos secretos, infiltrar agentes e praticar ataques terroristas, bem como movimentar sua fortuna por meios de empresa fantasma e de paraísos fiscais, ou seja, foram dadas asas a cobra. Embora esse terrorista tenha se tornado verdadeiro produto americano, a partir de 1990, ele passou a mirar seu arsenal bélico contra o seu criador. É isso mesmo, os EUA passaram a colher os frutos podres da sua plantação contaminada, sendo retribuído com a violência proporcional ao seu poder de abusar e humilhar países e nações, com interferência de forma indevida na soberania de territórios estrangeiros e neles disseminando terror e mortes. Essa trajetória de imperialismo descontrolado e abusivo dos ianques tem servido tão somente para gerar violência e destruição, mantendo as nações envolvidas, inclusive o Tio Sam, em permanente estado de alerta e de medo. A ganância dos países imperialistas tem demonstrado enorme maldade e perversidade, porquanto as suas ações bélicas atingem, indiscriminada e injustificadamente, pessoas inocentes, sendo vitimadas sem defesa e impiedosamente. É pena que os avanços científicos e tecnológicos alcançados pelo homo sapiens não sejam nem um pouco capazes de tornar a humanidade mais racional, a ponto de ela ser conscientizada de que a violência atrai violência e que o terrorismo somente resulta destruição e sofrimento, além de torrar inutilmente montanhas de dinheiros em fins tão deprimentes e sem causa, quando a paz mundial poderia ser conquistada sem precisar empregar senão a infinita boa vontade nascida nos corações dos homens de bem, sem custo algum, e ainda teriam a importante missão de contribuírem para a beleza da construção de um mundo somente de paz, fraternidade e amor.
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 16 de maio de 2011
   

domingo, 15 de maio de 2011

Supra-sumo

Conforme publicação no jornal Folha de S. Paulo deste domingo, o patrimônio do ministro da Casa Civil da Presidência da República multiplicou por 20, no período de quatro anos, quando ele era deputado federal, passando de R$ 375 mil, em 2006, para cerca de R$ 7,5 milhões, em 2010. Segundo o famoso político, o crescimento do seu patrimônio ocorreu devido à prestação de consultoria às empresas privadas. Não deixa de ser invejável o desempenho produtivo do nobre consultor, que, em curtíssimo lapso temporal, conseguiu ficar milionário tão facilmente e de forma inusitada. O fantástico patrimônio acima revelado pode até corresponder à capacidade intelectual do seu titular, que ao mesmo tempo era deputado federal e consultor empresarial, mas é lícito se questionar se os consultores sem vínculo algum com o governo, nem com a administração pública, diferentemente do caso vertente, conseguiriam, em tão pouco tempo, constituir e consolidar riqueza comparável àquela. Curiosamente, o ricaço achou simplesmente normal a evolução brilhante dos seus bens, afirmando que tudo está regularizado. Afora qualquer suspeita sobre esse maravilhoso enriquecimento, o importante é que, caso o competente titular da Casa Civil da Presidência da República ponha em prática o seu miraculoso e extraordinário processo de desenvolvimento patrimonial a serviço da administração pública, não há a menor dúvida de que os destinos daquele órgão não poderiam ter sido entregues a melhor cérebro e com certeza as suas atribuições constitucionais e legais serão desempenhadas com competência e eficiência singulares acima da normalidade.  

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 15 de maio de 2011
   

Desesperança

A falta de reforços para o elenco do Botafogo suscita, sem a menor dúvida, imensa preocupação dos seus torcedores, quanto ao futuro do time na próxima competição futebolística, especialmente porque, tão logo houve as desclassificações dos últimos torneios, há mais de vinte dias, a diretoria alvinegra prometeu contratações de qualidade, que não apareceram até o presente momento. Por não passar de promessa vazia e inócua, o prejuízo já  pode ser contabilizado e, mesmo no caso de contratação, o atleta terá que ser submetido a intensos treinamentos para se entrosar com os demais companheiros e se adequar ao novo ritmo de trabalho, em pleno andamento do Campeonato Brasileiro, em flagrante dano aos interesses do clube. A situação se revela ainda mais grave porque a diretoria, ao prometer os reforços, tinha convicção da deficiência do time, em posições chaves e importantes. Infelizmente, o tempo, que é o senhor da razão, transcorreu com tanta velocidade que aquele objetivo não passou de mera expectativa, deixando os fãs frustrados e decepcionados pela falta de perspectiva para encarar, em condições de igualdade, na mencionada competição, com iminência de se iniciar, as fortes equipes bem compostas e preparadas. Ressalte-se que o elenco que desfilou nos gramados este ano, com pouco destaque individual e nenhum coletivo, apresentou apenas baixou nível técnico e pouco espírito de competividade, não inspirando, com inteira razão, qualquer esperança de conquistas. Ao contrário, se a sorte acompanhar o elenco, há alguma possibilidade de ele se manter na primeira divisão do aludido torneio, o que poderá ser um resultado vergonhoso para uma agremiação de tantas e importantes glórias no cenário nacional.  

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 15 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Prêmio à incompetência

A titular do ministério da Cultura foi convidada a comparecer ao Palácio do Planalto, para uma reunião na Secretaria Geral da Presidência, com a exclusiva finalidade de receber os “merecidos” apoio e solidariedade veementes do governo, em contraposição à opinião pública, pela coleção, em tão pouco tempo, de muitas lambanças cometidas pela “competência” demonstrada no alto escalão, cujos atos têm sido motivo de incansáveis críticas por parte da impressa, pelas trapalhadas, não merecendo, até o momento, destaques as realizações protagonizadas à frente de tão importante pasta, que tem como uma das principais e relavantes atribuições zelar pelos poucos museus brasileiros. A ministra foi lembrada, recentemente, pela mídia, de forma polêmica, por se envolver com o uso indevido de diárias de viagem em finais de semana, sem agenda oficial, sendo compelida a devolver os valores aos cofres públicos. A mencionada autoridade é acusada também de autorizar uma sobrinha sua a captar R$ 1,9 milhão, na forma da “Lei Rouanet”, para a realização do projeto “Bebel Gilberto – Sem Contenção”. O conjunto da obra da titular da Cultura é uma robusta e evidente prova da incompetência do governo, que ainda tem o descaramento de empenhar o seu irrestrito apoio aos malfeitos de seus auxiliares trapalhões, deixando claro, com isso, seu incentivo deliberado para a reincidência de novas barbeiragens, quando mais correto e sensato, a bem da eficiência, da qualidade e da transparência da administração pública, deveria ter sido a simples exoneração da pessoa despreparada para o cargo, que vem prestando péssimo exemplo de ineficiência aos servidores públicos, com votos de boa sorte, depois de devolver os valores das diárias embolsadas indevidamente.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 11 de maio de 2011
   

Desvendando o óbvio

Alvíssaras! Alvíssaras! Depois de décadas de reiteradas reclamações aos quatro ventos por parte dos brasilienses sobre a existência da famigerada formação de cartel na venda de combustíveis no Distrito Federal, ante a gritante evidência desse absurdo, enfim, o governo, na pessoa do ministro de Minas e Energia, reconhece, após levantamento promovido pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a prática da cartelização nesse comércio, tendo formalizado pedido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), objetivando dar um basta a esse descalabro. Segundo aquela autoridade, “as punições para os revendedores serão severas daqui para frente.”, inclusive poderá ser aplicada multa pela infração e o fechamento dos estabelecimentos, uma vez que a ANP concluiu que é “inaceitável” o comportamento dos preços em Brasília. Embora essa constatação seja muito importante para a economia popular, ela vem com bastante atraso, porque a consolidação desse cartel já foi capaz de produzir enorme prejuízo para a sociedade e de contribuir para o enriquecimento sem causa de grupos bem organizados, que vêm atuando livres e impunemente, desde longa data, nas barbas das autoridades responsáveis pelo controle e pela fiscalização dos preços dos combustíveis no Distrito Federal. Urge que as revelações vindas a público sirvam de fundamento para a correção das irregularidades, não ficando jamais somente no plano das promessas enganosas e vazias de políticos e que rigorosas penalidades sejam efetivamente aplicadas, na extensão da maldade impiedosamente impingida aos brasilienses.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 14 de maio de 2011