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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mensalão à deriva

Os participantes do maior escândalo da história deste país, denominado mensalão, correm o enorme risco de serem beneficiados, pelos efeitos da prescrição, logo por nada menos do que o Supremo Tribunal Federal, que sequer terá condições de julgar o processo que se encontra paralisado por longo período e ainda sem data para apreciação plenária. É o que acaba de afirmar um dos ministros da Excelsa Corte de Justiça, propugnando pela prescrição dos procedimentos de apuração, ou seja, no seu entendimento, não será possível haver penalidade para os culpados, justificando, mais uma vez, aquela velha e surrada máxima de que, no Brasil, o crime compensa. Essa barbaridade jurídica poderá ocorrer porque, seguindo-se os trâmites de forma desinteressada e burocrática, como vem acontecendo no caso, é provável que o julgamento tenha início em 2012, mas o seu o término ocorrerá sabe lá quando, máxime porque, depois da apreciação da matéria pelo relator, os autos serão enviados ao revisor, que deverá levar um século para examiná-los. Somente após essas fases, o processo será incluído em pauta, quando passará pela via sacra de praxe, com os intermináveis pedidos de vista, sob o argumento de que não se pode "condenar um cidadão sem ler as provas". Caso seja operada a prescrição sobre os procedimentos do mensalão, fica evidenciada a efetiva morosidade da Justiça, que demonstra não possuir aparelhamento adequado para desempenhar a sua nobre missão de julgar em tempo hábil as causas que constitucionalmente lhe competem, como forma de justificar a sua existência. Na verdade, em muitos casos envolvendo maior complexidade, como o clamoroso mensalão, o bom sendo recomendaria a adoção de extremo empenho e interesse em apressar e concluir o julgamento em tempo hábil e, para tanto, as tarefas pertinentes poderiam ser dinamizadas pelos ministros, inclusive com a extração de cópia do processo, para que os componentes do colegiado pudessem conhecer o seu conteúdo e prestar as contribuições no sentido de agilizar o julgamento da matéria, evitando, como sempre ocorre em casos que tais, pedido de vista, sob a alegação de melhor conhecer os fatos. Não há dúvida alguma de que o conhecimento prévio da matéria, por todos os membros da corte, poderia propiciar oportunidade para o examine com calma do processo, sem prejuízo das garantias constitucionais asseguradas aos acusados. A sociedade anseia e exige por que haja efetivo combate à corrupção, em todos os Poderes da República, e vontade férrea e adesão a práticas processuais lícitas e eficientes, de modo que a impunidade seja definitivamente banida deste país. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 19 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A estrela desce

No exato trágico dia 11 de setembro, em que se celebra uma década do maior desastre terrorista do mundo, por coincidência, outra catástrofe ainda pior desabou nas cabeças dos botafoguenses, na forma de cinco petardos de megatons de potência, algo diferente que somente acontece com o alvinegro carioca, tendo efeito imediato e devastador o envio para o espaço sideral da efêmera esperança que havia sido adquirida nas quatro excepcionais e memoráveis vitórias, conquistadas nos últimos jogos anteriores. Não há dúvida alguma de que, à exceção do goleiro, que foi o melhor atleta em campo, apesar de ter ido buscar a bola diversas vezes no fundo das redes, sendo responsável por evitar derrota ainda mais acachapante, deprimente e humilhante, os jogadores foram “criminalmente dopados” com entorpecentes de calibre a “la colombiano”, em que, sob o efeito e o domínio das drogas fortes, ninguém conseguiu sequer ver a cor da bola, saber o que se passava em campo ou mesmo se situar em qual planeta o jogo se realizava naquele momento, ante a demonstração de absoluta apatia e falta de controle da bola, em qualquer setor da equipe, pois os jogadores não se entendiam na defesa, chegando à troca de cabeçadas entre zagueiros; o meio de campo não dominava coisa alguma e muito menos conseguia dar sequência às jogadas; o ataque ficou o tempo todo a ver navio e a olhar os atacantes adversários massacrarem o goleiro alvinegro. Uma análise crítica do time, absolutamente isenta de paixão ou emoção, quanto à sua atuação na tarde de hoje, permite concluir que a bonança futebolística do Fogão, infelizmente, já aconteceu, tendo ficado apenas a lembrança de uma equipe cheia de garra e disposição, renovada em cada batalha, que conseguia superar seus adversários com certa facilidade. O brilho da Estrela Solitária foi terrivelmente apagado de repente, deixando os torcedores alvinegros atônitos e sem entender o motivo de tamanha falta de competividade, de disposição para defender o Glorioso num momento tão especial por que estava passando até então. É pena que o time tenha fraquejado logo na fase em que o seu desempenho vinha sendo convincente, contava com o apoio da mídia e empolgava a sua fiel torcida. Tem razão quem diga que perder não é o fim da linha, mas ser derrotado na forma como tudo aconteceu hoje é simplesmente vergonhoso e desastroso, não inspirando qualquer esperança no futuro próximo. Tomara que tudo não passe de avaliação momentânea e que a equipe se fortaleça com uma forte injeção de ânimo e a Estrela Solitária volte a brilhar de novo.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 11 de setembro de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Desesperança

A falta de reforços para o elenco do Botafogo suscita, sem a menor dúvida, imensa preocupação dos seus torcedores, quanto ao futuro do time na próxima competição futebolística, especialmente porque, tão logo houve as desclassificações dos últimos torneios, há mais de vinte dias, a diretoria alvinegra prometeu contratações de qualidade, que não apareceram até o presente momento. Por não passar de promessa vazia e inócua, o prejuízo já  pode ser contabilizado e, mesmo no caso de contratação, o atleta terá que ser submetido a intensos treinamentos para se entrosar com os demais companheiros e se adequar ao novo ritmo de trabalho, em pleno andamento do Campeonato Brasileiro, em flagrante dano aos interesses do clube. A situação se revela ainda mais grave porque a diretoria, ao prometer os reforços, tinha convicção da deficiência do time, em posições chaves e importantes. Infelizmente, o tempo, que é o senhor da razão, transcorreu com tanta velocidade que aquele objetivo não passou de mera expectativa, deixando os fãs frustrados e decepcionados pela falta de perspectiva para encarar, em condições de igualdade, na mencionada competição, com iminência de se iniciar, as fortes equipes bem compostas e preparadas. Ressalte-se que o elenco que desfilou nos gramados este ano, com pouco destaque individual e nenhum coletivo, apresentou apenas baixou nível técnico e pouco espírito de competividade, não inspirando, com inteira razão, qualquer esperança de conquistas. Ao contrário, se a sorte acompanhar o elenco, há alguma possibilidade de ele se manter na primeira divisão do aludido torneio, o que poderá ser um resultado vergonhoso para uma agremiação de tantas e importantes glórias no cenário nacional.  

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 15 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Crise de moralidade

Em contatos mantidos com importante apreciadora dos meus textos, fato, aliás, que tem servido de verdadeiro incentivo, cheguei à conclusão de que a nossa conversação merecia se encaixar noutro artigo, de tão interessante que as colocações precisas suscitaram, conforme se verifica a seguir: “Seus artigos como sempre estão ótimos, mas não vejo a menor perspectiva de que nada melhore nem com a gastança e muito menos com a moralidade. Somos um povo passivo, acomodado. A UNE, que costumava reagir, parece ter sido comprada pelo PT. Às vezes, penso que os tais caras pintadas na era Collor foram manobras do PT. Hoje, estão todos caladinhos. Ouvi, em algum alugar, que um político goiano defendeu ou elevou seu pensamento quando falava na tribuna do ‘companheiro Bin Laden’. Então o que esperar desses políticos infelizes, sem moral? Esse pessoal perdeu toda dignidade e não tem vergonha na cara... Lula não devolveu os passaportes conseguidos através de privilégio. Se um Presidente não dá bom exemplo, o que esperar dos demais?... Já basta a Câmara Legislativa que só faz assaltar os cofres públicos e não faz absolutamente nada de produtivo. Enfim, é sempre bom falar, esbravejar, porque, apesar de tudo, temos que manter a esperança em dias melhores. Mas confesso que está difícil, complicado. Destruir é fácil. Organizar, moralizar leva décadas.”. Realmente, esse tal PT foi uma das piores criações da face da terra. Esse bando de políticos é uma verdadeira quadrilha que joga pesado para se manter no governo e tirar todo proveito possível para seus membros. Trata-se de uma erva daninha, que, mais tempo fica no poder, mais se ramifica com raíses profundas. Olha, essa turma vil vai permanecer no poder por muito tempo, porque tem competência para tal e sabe manobrar todos que aparecem à sua frente. “O seu artigo está perfeito. A oposição está perdida e parece que os seus integrantes não estão se entendendo. Enquanto isso, o PT vai tomando conta da situação e só Deus sabe o que pode vir a acontecer.”. Na verdade, a oposição não está perdida. Ela simplesmente não existe. É pena, porque isso demonstra total incompetência de atuação, que se existisse seria benéfica para a sociedade. “Você está certo. Realmente estamos sem oposição e, quanto aos seus artigos, acho que você está corretíssimo e penso exatamente a mesma coisa. Moralidade, dignidade, educação, respeito etc. são palavras fundamentais na vida de todo ser humano. Em tudo que você escreve essas palavras estão presentes de forma direta ou indireta. Ninguém é perfeito, mas se todos investissem numa boa educação escolar, amor e respeito dentro das famílias, as crianças se tornariam melhores seres humanos e aí, com certeza, o nível de nossos políticos e do país seria bem melhor. Nossos representantes atuais deixam muito a desejar, infelizmente.”. Quase tudo que foi dito acima tem fundo de verdade e somente aqueles que não querem ver acreditam noutra situação totalmente diferente, mas o que importa é deixar claro que o Brasil vive verdadeira crise de moralidade, que se agrava por partir exatamente da classe dominante, que, ao contrário, competia dar bom exemplo de dignidade, praticando somente ações benéficas para a sociedade, em estrito cumprimento aos princípios éticos e morais.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 07 de maio de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

Decadência do futebol

A situação atual do time do Botafogo é crítica e bastante preocupante, em especial porque denota instabilidade e inconsistência visíveis, quase generalizadas de seu elenco, que não consegue entrosamento suficiente e necessário para conquistar confiança e se firmar diante de seus opositores. Inexplicavelmente, os seus dirigentes abdicaram da grandeza histórica do clube, ao contratarem atletas de pouca ou nenhuma qualificação futebolística à altura dos interesses botafoguenses, contrariando a sua costumeira tradição, de memoráveis e felizes lembranças. Nos seus áureos tempos, os atletas, por si sós, inspiravam natural respeito aos times adversários, não importando a sua tradição. Tudo isso acabou e somente a sua fama é incapaz de intimidar sequer os times considerados pequenos, que o encaram de igual para igual e estão até levando vantagem, com alguma facilidade, ou seja, o apequenamento do Fogão é dura realidade e aconteceu de repente. Agora, quando consegue, ganha às duras penas dos times de pouca relevância no cenário nacional. As nítidas descaracterização e decadência do atual esquete alvinegro são muito graves, conforme comprovam os resultados obtidos desde o início desta temporada, deixando os seus admiradores aflitos e sem esperança quanto à recuperação no curto prazo, ante a timidez do plantel que não garante melhoras em relação ao estágio em que se encontra. Na realidade, a autoestima do botafoguense, no momento, está comparável à dos moradores de Fukushima/Japão, ou seja, no nível mínimo tolerável pela Organização Mundial de Saúde e em sinal permanente de alerta. É preciso tirar proveito das recentes e frustradas lições, onde as contratações não renderam os benefícios almejados. Consequentemente, urge a óbvia correção de rumos, com a reconstrução dos objetivos de vitórias e de títulos, necessitando, para tanto, da contratação e da renovação de, pelo menos, 85% do elenco, mas, desde que sejam com jogadores de qualificação e de talento reconhecidos, em efetivas condições de defender e honrar condignamente a tradição do sempre Glorioso.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES                           

Brasília, em 23 de abril de 2011