sábado, 6 de abril de 2013

O Estado discrimina, sim!

A presidente da República participou da inauguração da Arena Fonte Nova, na Bahia, que servirá de sede de jogos da Copa do Mundo de 2014, mas antes o estádio será palco, em junho vindouro, de três jogos da Copa das Confederações, sendo um entre Brasil e Itália. Na ocasião, a mandatária do país disse que "Hoje somos uma democracia consolidada. Uma democracia que cresce e compartilha os frutos desse crescimento com todos os cidadãos deste país. Uma democracia que respeita a diversidade, que é contra a discriminação". A sua declaração tenta justificar o fato de que, quando foi sede da Copa do Mundo em 1950, o Brasil não era uma democracia consolidada. Ela também afirmou que "Somos um país que sabe que, se é capaz de lutar contra a discriminação da pobreza, tem que ser capaz de lutar contra todos os tipos de discriminação. E aí vou enfatizar a questão do acesso das cotas raciais e sociais.". No seu pronunciamento, a presidente sublinhou a diversidade cultural e étnica do Brasil, ao dizer que “Nós fizemos um país diferente do mundo, em que todas as etnias, todos os credos, todas as filiações conseguem viver em paz, da mesma forma o Bahia e o Vitória.”. Finalizando, ela disse que o Brasil está mostrando que é “insuperável” dentro e fora do campo de futebol. “Dá orgulho olhar para esse estádio e ver que estamos superando as expectativas. De fato somos um país conhecido como insuperável ali no campo, mas estamos mostrando que somos insuperáveis fora do campo.”. Não há dúvida de que o Brasil é realmente insuperável, principalmente no que diz respeito à incompetência de seus governantes, quando dá prioridade à construção de estádios de futebol, para sediar os jogos da Copa da Fifa, com a duração de um mês e dispêndio de bilhões de reais, em benefício exclusivo dos interesses econômicos da organização mundial do futebol, que vem ditando as regras a serem seguidas em consonância com seus ditames e caprichos. Os estádios, na sua maioria, a exemplo do de Brasília, após a copa serão transformados em elefantes brancos, sem utilidade para a sociedade. O país contra discriminação jamais concordaria em empregar bilhões de reais senão em eficientes hospitais, ampliando assistência à população. No caso do Brasil, haveria benefício para a sacrificada população, sem atendimento, morrendo nas filas e nos corredores dos precários hospitais, justamente porque as prioridades oficiais discriminam os necessitados da assistência primária. Os estádios brasileiros são obras faraônicas e verdadeiros monumentos ao desperdício de recursos públicos. A presidente precisa ser alertada de que os brasileiros estão sendo discriminados diante daqueles que têm plena segurança e vigilância palacianas, pois a criminalidade, com sua monstruosidade, está transformando a sociedade num bando de desajustados psicologicamente, ante a tresloucada violência que grassa à solta, principalmente nas grandes metrópoles, fazendo com que os bandidos cometam os piores crimes, sem que as autoridades públicas adotem medidas enérgicas e capazes de combater o descalabro da delinquência, que se repete a todo momento, de forma sempre estarrecedora e ninguém se digna em enfrentar a desorganização do Estado e a falta de autoridade, em verdadeira discriminação com as pessoas honradas e trabalhadoras. É mais do que cristalina a discriminação contra a sociedade que paga religiosamente os tributos indispensável à manutenção de um governo que não enxerga as mazelas que fazem com o país, que teria condições para se consolidar como grande nação, consiga potencializar o distanciamento entre a realidade brasileira e a falta de priorização das políticas públicas, ante a incompetência generalizada das autoridades públicas, cuja visão míope enxerga apenas algo do seu exclusivo interesse. A sociedade, na ânsia de eliminar toda espécie de discriminação, espera por hospitais eficientes, ensino de qualidade, segurança pública atuante, boas estradas e, enfim, por maciços investimentos em infraestrutura e políticas públicas que satisfaçam as necessidades básicas dos brasileiros, que pagam impostos de primeiro mundo e quase nunca recebem assistência satisfatória, em virtude da discriminação governamental, que prioriza construção de majestosos e dispensáveis estádios, ao invés de hospitais, escolas, estradas etc. Acorda, Brasil!    
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 05 de abril de 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Afronta aos direitos humanos

Com absoluta certeza, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados nunca esteve tão em evidência na mídia e opinião pública, tendo ganhado enorme notoriedade após o imbróglio surgido pela escolha do seu novo presidente, o deputado pastor, extremamente criticado por suas posições homofóbicas e racistas. Trata-se de uma das comissões que mais se identificam e se relacionam com os brasileiros, em razão de os assuntos nela discutidos terem vinculação às minorias, além dos debates de questões de interesse da sociedade, diretamente relacionados a direitos humanos. Ocorre que os trabalhos da comissão vêm sendo tumultuados, em virtude das pressões exercidas por pessoas com interesses contrariados pelas posições polêmicas, divulgadas pelo seu presidente, contendo ofensas aos direitos das minorias, mais precisamente dos homossexuais e afrodescendentes. Diante desse fato, ele ainda não conseguiu presidir integralmente uma única reunião da comissão, em virtude da mobilização pública contrária à sua permanência no cargo. Acuado no seu próprio território, o presidente teve a infeliz ideia de restringir o comparecimento do público nas reuniões da comissão, que somente será permitida a entrada na sala de deputados, de assessores e da imprensa. Em tese, seria o mesmo que dizer que o povo está proibido de frequentar a sua Casa, como costuma ser denominado o Congresso Nacional. Ao impedir a entrada de pessoas para assistir aos trabalhos do colegiado, o parlamentar demonstra atitude truculenta contra a democracia, evidenciando ainda que algo está errado no Parlamento brasileiro, que passa a angariar ainda mais antipatia da sociedade, notadamente com relação ao presidente da comissão. Esse fato contribui para acirrar os ânimos da opinião pública, deixando a situação da instituição Congresso Nacional bastante complicada, para não dizer na berlinda, por contrariar os salutares princípios democráticos da transparência e da participação do povo nas atividades legislativas. Esquece o presidente da comissão que o parlamentar é o lídimo representante do povo, sendo que este ainda é compulsoriamente responsável pela manutenção altamente onerosa do Parlamento desacreditado, em razão justamente da falta de seriedade quanto ao respeito aos princípios do decoro, da ética e da moralidade por parte de seus integrantes. Esse perigoso precedente de restringir acesso do povo aos trabalhos do Congresso contraria princípios constitucionais da liberdade de ir e vir e da livre expressão, não sendo condizente com os preceitos democráticos. Não à toa que o Congresso é objeto de reiteradas críticas em razão do comportamento ético de seus integrantes, que, apesar da sua fama negativa, diante da pouca vocação ao trabalho, já que foi oficializado o comparecimento dos parlamentares ao Congresso somente de terça e quinta-feira, e ainda do envolvimento de congressistas em casos de corrupção com recursos públicos, a exemplo dos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, nunca o Parlamento deixou de ser a Casa do povo. Muito embora, algumas pessoas prefiram não considerar o Congresso a Casa do povo, uma vez que, se realmente ele fosse o que se costuma dizer, muitos parlamentares seriam impedidos de frequentá-lo, exatamente por não preencherem os essenciais requisitos da moralidade e do decoro, que se exigem das pessoas públicas. Conviria que os homens públicos se conscientizassem sobre a urgente necessidade de respeitar os princípios fundamentais da democracia, como forma de contribuir para o fortalecimento das relações entre as pessoas, que têm pleno direito de se manifestar, se expressar e agir livremente, em harmonia com as garantias e os princípios constitucionais. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 05 de abril de 2013

Basta de esperteza

Enquanto o Supremo Tribunal Federal demonstra incompreensível e ineficiência, no que diz respeito à eterna demora em publicar os acórdãos sobre o julgamento do mensalão, que se encerrou em dezembro de 2012, o ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República impetrou pedido naquela corte, solicitando, pasmem, o adiamento da publicação do acórdão referente ao citado julgamento, até que o plenário se manifeste sobre dois pedidos formulados pela defesa para ter imediato acesso aos votos escritos dos ministros e para ter mais prazo para apresentar recursos. Como da praxe, o acórdão detalha as decisões do julgamento, que, após a sua publicação, será aberto prazo de cinco dias para apresentação de recursos. No julgamento em referência, o Supremo ainda aguarda, para publicar o acórdão, voto de um ministro, que não deve ter tido tempo no recesso de final de ano para finalizá-lo. Segundo o ex-ministro, “O relator pode e deve agir para evitar a consumação de dano irreparável, suspendendo a publicação do acórdão até que o plenário se pronuncie sobre a antecedência razoável para que o texto formal se torne disponível a todos, em igualdade de condições". Com a finalidade de tumultuar a celeridade processual, o ex-ministro apresentou agravo, recurso que deve ser julgado pelo plenário, solicitando a manifestação dos ministros sobre pedido de mais prazo e de acesso aos votos. Ao tempo em que entrou com medida cautelar, "em regime de urgência", pleiteando o adiamento da publicação do acórdão até que o plenário se manifeste sobre os pedidos, sob o argumento de a publicação do documento poder causar "dano irreparável ao direito de ampla defesa do réu". Ainda sem o mínimo conteúdo de razoabilidade, a defesa alega que, "Caso o plenário não tenha oportunidade de se manifestar, corre-se o sério risco de inviabilizar a apreciação, em tempo hábil, de questão de elevada dignidade constitucional, por quem tem competência para decidi-la". Confirmando a lentidão da Justiça brasileira, o Supremo não costuma publicar seus acórdãos no prazo regimental, embora haja previsão para tanto, "salvo motivo justificado". Contudo, não se justifica que o acórdão não fique pronto no prazo de 60 dias após o encerramento do julgamento, visto que esse fato demonstra desinteresse da corte de imprimir dinamismo às suas decisões, caso tivesse a preocupação de se evitar inexplicável demora na publicação do documento, fato que estende o prazo para a finalização do processo. No caso do mensalão, somente haverá prisão dos condenados quando ocorrer o trânsito em julgado da ação, i.e., quando não couber mais recurso. É evidente que, diante falta de eficiência do Supremo, ante a demora em demasia para mera publicação de documento, os réus condenados se acham no direito de contribuir ainda mais para impor procedimentos a serem seguidos pela corte, inclusive quanto aos ritos que os beneficiem com mais tempo para o encerramento do processo e, se for o caso, a sua prisão. O país, que tem um cipoal de leis totalmente desatualizadas e não acompanharam a evolução e os avanços da humanidade, não pode merecer credibilidade, mesmo porque todo arcabouço que dá respaldo aos ritos judiciais sempre funciona em benefício dos réus que têm recursos para contratar bons e experientes advogados, os quais sempre têm a sabedoria de empregar os artifícios capazes de adiar e protelar o cumprimento de veredictos, em claro prejuízo aos objetivos ínsitos das penalidades aplicadas, contribuindo ainda para que o princípio da impunidade prevaleça sobre a imperiosa necessidade de ser feita justiça. Impõe-se que o Poder Judiciário se conscientize, com urgência, sobre a necessidade de se adequar aos tempos modernos, imprimindo celeridade à execução dos seus julgados. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 04 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Ressentimento da falta de gerenciamento

Em harmonia com seu peculiar estilo de encarar as questões nacionais, a presidente da República, indignada com as reiteradas notícias sobre constantes apagões, sentenciou, no ano passado, que "No dia em que falarem para vocês que caiu um raio, vocês gargalhem. Cai raio todo dia nesse país. Raio não pode desligar o sistema, se desligou, é falha humana.". Na verdade, ela rebatia as afirmações do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS – órgão responsável pela coordenação e pelo controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica - e do secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que haviam apontado os raios como responsáveis pelas falhas. A presidente disse ainda que teria visto o mapa da distribuição dos raios pelo país no dia em que houve o problema e chegou à conclusão de que "Não é sério dizer que a culpa é do raio.". Agora, o ONS, com fundamento em relatório sobre estudos acerca dos fatos analisados, contraria as precipitadas e infundadas afirmações presidenciais, pondo por terra a tentativa de desmentir o órgão incumbido de avaliar as causas dos acidentes ocorridos no sistema de distribuição de energia elétrica, ao constatar que realmente os raios podem deixar o país às escuras. A análise técnica levada a efeito por aquele órgão revela que, efetivamente, foi "interferência eletromagnética" que causou o apagão que levou mais de 3,5 milhões de consumidores, em 12 Estados, a ficar sem luz por uma hora. O órgão foi taxativo ao afirmar que "No instante da perturbação havia uma sequência de descargas atmosféricas na região". Mais uma vez, é desmascarada a prepotência e a incompetência como o governo enxerga a realidade, que preferiu enfrentá-la de forma destorcida, ao se antecipar às apurações e ainda sem fundamento técnico, para, de forma meramente política, mostrar autoridade sobre fatos desconhecidos, na tentativa de amenizar cruel realidade, que é exatamente a deficiência do sistema de geração, operação e distribuição de energia elétrica, por ter como suporte equipamentos sucateados e ultrapassados, não permitindo a prevenção das intervenções eletromagnéticas, causadoras dos principais apagões que poderiam ser evitados se as instalações e equipamentos fossem modernos e capacitados para suportar os objetos que dão origem aos curtos-circuitos. É louvável o trabalho apresentado pelo ONS, mostrando, com base em avaliações fundamentadas, o diagnóstico técnico dos graves problemas, sem se intimidar às ingerências políticas, que somente servem para contribuir para a ineficiência do gerenciamento do sistema de transmissão de energia. A presidente teria prestado efetiva contribuição ao saneamento da questão se tivesse a cautela de mandar averiguar as verdadeiras causas dos apagões e concomitantemente determinar ao Ministério das Minas e Energia a adoção das medidas necessárias à implantação de equipamentos modernos e eficientes, capazes de evitar novas panes, novos vexames num setor de vital importância para as pessoas e a economia do país. O certo é que a incompetência do governo tem servido para potencializar as mazelas e as deficiências não somente na transmissão e distribuição de energia elétrica, mas, de forma uniforme e abrangente, nas ações e políticas públicas de quem gerou a ideia da perpetuação no poder, deixando o gerenciamento do país aos cuidados e à mercê de políticos inescrupulosos e descompromissados com os interesses públicos. A sociedade tem que se conscientizar, com urgência, sobre a necessidade de melhor capacitação dos dirigentes do país, como mecanismo capaz de evitar os apagões não apenas no sistema nacional de energia elétrica, mas em todos os setores da administração pública, que se ressente da falta de gerenciamento de qualidade e de visão de estadista preparado e consciente sobre as graves questões nacionais. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 03 de abril de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ferimento da dignidade pública

Com a posse da chave do Ministério dos Transportes, o PR se integra ao primeiro escalão do governo, de onde havia sido desembarcado após as denúncias de irregularidades atribuídas ao então titular desse órgão e atual presidente dessa agremiação. A mudança de ministro é apenas continuidade da estratégia iniciada com as trocas nos comandos dos ministérios do Trabalho e da Agricultura e da Secretaria de Aviação Civil, como parte das medidas planejadas com o objetivo de reforçar a base de apoio à presidente da República na campanha da sua reeleição. Em todos os casos, verifica-se mero afago e agrado aos partidos, com as nomeações de políticos sem as mínimas experiências ou especialização nas áreas das respectivas pastas, em escrachado e vexatório toma lá, dá cá, em que prevalece a troca de cargos públicos por apoio político, numa coalizão absolutamente indecente, com o explícito uso de recursos dos bestas dos contribuintes, respaldando as negociatas para beneficiar exclusivamente uma candidata à reeleição, que não se envergonha nem ao menos se ruboriza na direção e chancela de inominável ilicitude, e alguns partidos, que passam a comandar ministérios, com direito à nomeação de milhares de filiados, apaniguados e outros assemelhados sem qualificação nem necessidade de concursos públicos, porque os órgãos ocupados apenas continuam servindo de cabide de empregos, sem serventia à satisfação dos fins constitucionais e legais de atendimento aos interesses públicos, para os quais, em princípio, teriam sido instituídos. É lamentável que os órgãos da mais famosa Esplanada continuem servindo como principal moeda de troca no emergente mercado eleitoral, em que os princípios da honestidade, ética e moralidade são impiedosamente lançados para o espaço, fazendo com que políticos, há pouco tempo, considerados corruptos e expurgados do seio do governo sejam milagrosamente reabilitados como aliados preferenciais e acolhidos como se a tentativa de “faxina” nunca tivesse acontecido. É evidente que o comitê eleitoral, que vem funcionando no Palácio do Planalto, está apenas interessado na ocupação do espaço da televisão, para que seus adversários tenham menos oportunidade de aparecer na telinha, pois, no caso do PR, são acrescentados um minuto e 10 segundos ao cômputo do cobiçado horário eleitoral. A inescrupulosa ânsia de se manter no poder faz com que a presidente entenda que os presidentes do PTB e PR, que foram banidos do governo por denúncias de corrupção com recursos públicos, sejam vistos como pessoas que participaram de “malfeitos”, eufemismo que muito agrada aos envolvidos em falcatruas e irregularidades. Aliás, ao que se percebe, no dicionário petista, não existem os vocábulos corrupção, corrupto, irregularidade e congêneres, evidentemente quando os envolvidos são correligionários ou aliados políticos, que são autoimunes e infalíveis, mesmo que tenham participado de quadrilhas, a exemplo do famigerado mensalão, cujos réus foram condenados pela Excelsa Corte de Justiça, com penas de prisão e multa pecuniária, mas, para o PT, tudo não passou de mal entendido. Na verdade, as negociatas palacianas apenas sacramentam “célebre” pensamento do ex-presidente petista, que, alhures, disse que, se governasse o Brasil, Jesus Cristo "teria de se aliar a Judas". As alianças com partidos e personagens promíscuos, com finalidade apenas eleitoreira, muito se aproximam dessa estapafúrdia previsão, justamente porque elas afrontam a dignidade das funções públicas e os princípios clássicos de democracia. A sociedade tem o dever de repudiar a forma indigna da manipulação da máquina pública em proveito de políticos sem consciência quanto à essencialidade das funções do Estado e de exigir que sejam respeitados fielmente os princípios da legalidade, ética, probidade administrativa, moralidade, entre outros que não permitam a degeneração dos pilares fundamentais da democracia brasileira. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                      
Brasília, em 02 de abril de 2013     

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ausência de dignidade política

Dando continuidade à interminável tarefa destinada à acomodação dos partidos da coalizão no governo, o Palácio do Planalto substitui o titular do Ministério dos Transportes por um político filiado ao PR. O anúncio ocorreu logo após encontro da presidente da República com o presidente do PR, que foi ministro daquele órgão no início do governo, mas teve que se despedir do cargo após enxurrada de denúncias de corrupção contra ele, consistentes em suspeitas de direcionamento em licitações e superfaturamento em obras rodoviárias. Trata-se de mais um arranjo político, em que a presidente entrega um ministério ao PR, fazendo às pazes com seus caciques, que ficaram magoados com o afastamento do corrupto-mor da Esplanada. Com a definição do loteamento do aludido ministério, a presidente espera, agora, a reintegração do partido à base de sustentação do governo e ainda a garantia do tempo de televisão dele na sua campanha eleitoral de 2014. Esse gesto de “nobreza” do governo pretende evitar que a legenda migre para candidaturas de adversários políticos. A negociata de cargos do primeiro escalão do governo com os partidos aliados vem mostrando a firme disposição da presidente de reabilitar os políticos corruptos do seu governo, que foram obrigados a pedir exoneração dos cargos, em virtude de graves denúncias de atos irregulares, envolvendo justamente as pessoas com quem ela negocia e se reaproxima, como no caso dos presidentes do PTB e agora do PR, que voltam aos braços do governo prestigiados com o poder da força mágica do vergonhoso apoio político, representado também por algumas horas da televisão na campanha eleitoral, caracterizando o indecente, espúrio e abominável mercado política do toma lá, dá cá, de forma explícita e escancarada. Há que se notar que as mudanças não envolvem qualquer critério técnico-profissional e muito menos exigência da execução de políticas públicas específicas senão a simplista mediação de órgãos públicos importantes e estratégicos de governo em troca do vexaminoso apoio dos partidos, que, em muitos casos, se conciliam internamente com o atendimento das suas exigências. Se antes o Ministério dos Transportes, que tinha como titular um técnico conhecedor da pasta, estava emperrado na incompetência, por falta de ação capaz de fazer funcionar o sistema de transportes do país, representado pela decadência, pelo sucateamento da malha rodovia, existente ou má conservada, e pelo atraso nos seus complexos. Agora, a situação tende a se agravar ainda mais, com a sua direção por político de carreira, sem a indispensável experiência sobre o intrincado setor de extrema importância para o desenvolvimento do país. A presidente continua célere na estratégica jogada de boa discípula, no sentido de assegurar amplo apoio à sua reeleição, mediante desprezível e indigna troca da chave de importante órgão público. É muito provável que a indignidade do loteamento de ministérios e empresas estatais somente ocorra nas republiquetas das bananas, onde não há necessidade de serem cultuados os consagrados princípios democráticos da ideologia política, decência, honestidade e probidade administrativa. Nos países evoluídos, ao contrário, a prática despudorada do envolvimento de órgãos públicos como mercadoria, servindo de balcão de troca, jamais acontece, não somente por ser procedimento aviltante e antiético, por ferir os elementares princípios da democracia, pilares da dignidade e do respeito ao instituto da pureza da administração pública, onde deve repousar e sintetizar os princípios da moralidade e legitimidade da nação, símbolo máximo de um povo. A sociedade tem a obrigação de repudiar as práticas vis e deletérias da dignidade política e dos princípios construtores da democracia sadia e modeladora da decência e da moralidade, no caso dos conchavos espúrios, e exigir dos homens públicos desprendimento e desapego à satisfação de interesses pessoais no exercício de funções públicas, como forma de contribuir para o fortalecimento da moralização do sistema político e da dignidade do ser humano, em benefício das causas nacionais. Acorda, Brasil!  
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 1º de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Deficiência gerencial do país


A campanha presidencial de 2014 já foi lançada, na prática. Alguns candidatos já estão trabalhando no sentido de conquistar o maior apoio dos políticos, a exemplo da presidente da República, que, sem o menor pudor e de forma escancarada, vem usando a máquina pública para ampliar a sua base de sustentação política com a entrega de ministérios aos partidos da coalizão formada pelo governo, em escandaloso e espúrio sistema antidemocrático, por contrariar os princípios do decoro e da moralidade. Enquanto os escândalos e a indecência são processados à vontade nos palácios, o país fica à mercê da incompetência do governo, que não implementa as medidas necessárias ao crescimento da nação, em especial as prementes reformas estruturais, como a tributária, econômica, previdenciária, administrativa, trabalhista, político-eleitoral e tantas outras que são indispensáveis ao sepultamento dos sistemas retrógrados, obsoletos, que vêm impedindo a tão almejada modernização das políticas e metas capazes de promover o soerguimento do progresso do país. No que se refere à oposição, o que se verifica é a indecisão e a disputa interna dos partidos, na tentativa da escolha da pessoa para representá-los no pleito presidencial. Tudo isso contribui para que a atuação ineficiente e desqualificada do governo passe ao largo, sem a devida fiscalização e muito menos cobrança quanto à necessidade de o país ser administrado com aptidão e dignidade, em harmonia com a sua grandeza econômica e potencialidade no contexto das nações, observados os princípios éticos e morais. Na verdade, a oposição vem demonstrando ser verdadeiro cabo eleitoral do governo, com o silêncio, a omissão e a leniência com as práticas espúrias e prejudicais ao país. Ela certamente seria notada e valorizada se cumprisse seu dever de apontar as indecências, as falcatruas e os desmandos do governo, que nada gerencia e muito menos tem iniciativa para orientar as políticas públicas, permitindo que as conquistas da economia escorram pelos ralos palacianos. A oposição não consegue criticar as incoerências e trapalhadas petistas, para que os fatos pudessem ser objeto de destaque junto à opinião pública, porque a mídia dificilmente seria tão credenciada quanto ela, que tem competência constitucional para apontar e divulgar os resultados pífios e as fragilidades dos amontoados órgãos públicos, que não funcionam por falta de coordenação e orientação quanto às medidas e projetos de interesse da nação. É difícil saber exatamente quem é mais incompetente nesta nação, se o governo ou a oposição. Aquele que nada faz de positivo em benefício do país e esta que é incapaz de mostrar as mazelas e de cobrar providências saneadoras. A oposição funcionaria de forma construtiva ao país se tivesse coragem e capacidade para apontar as falhas e deficiências do governo e exigir correção, em especial, agora, quando se abate sobre o país apagão logístico e de infraestrutura atingindo o sistema de transportes, consistindo na deficiente operação dos portos, na falta e no sucateamento das rodovias, na inexistência de transportes fluvial, ferroviário, aeroportuário e noutras deficiências capazes de possibilitar o escoamento da safra agrícola e a produção nacional, de forma mais abrangente, não somente para os portos, mas para o interior do país. O precário sistema de transportes tem o condão de encarecer o custo dos produtos e de onerar o bolso da população. Custa acreditar que, apesar dos avanços, das conquistas tecnológicas e do conhecimento humano, o país não se mobilize no sentido de solucionar com urgência não somente a questão crucial da falta de logística nos transportes, mas todas as deficiências nacionais, que vêm contribuindo para o subdesenvolvimento do Brasil. A sociedade tem o dever cívico e patriótico de exigir competência das autoridades públicas, no sentido de solucionar, com urgência, a falta de gerenciamento do país, ante o seu descompasso com a realidade brasileira, sob pena de a nação continuar submetida ao atraso crônico e à inadmissível penúria de iniciativas, que comprometem o seu desenvolvimento socioeconômico. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 31 de março de 2013