O presidente da República, em visita ao Estado do Maranhão, provocou, de maneira debochada, o povo desse estado, ao dizer, rindo, ao tomar o refrigerante “Coca Jesus", que é tradicional na região: “Agora virei boiola igual maranhense, é isso? É cor-de-rosa do Maranhão aí, ó. Quem toma esse guaraná aqui vira maranhense, hein?".
Considerando
que a bebida é de cor rosa, ele questionou os apoiadores, dizendo: "Que
boiolagem é isso aqui?".
Diante
da imediata e generalizada repercussão negativa, o presidente pediu desculpas por
sua desastrada declaração, nas redes sociais, em transmissão ao vivo, tendo
afirmado: "Foi uma brincadeira, mas a maldade está aí. Quem se ofendeu,
eu peço desculpas".
Alguns deputados federais anunciaram que vão representar
contra o presidente do país junto ao Ministério Público Federal, solicitando a
abertura de investigação para apuração quanto à possível prática do crime de
homofobia, sob a alegação de que se trata de "piada" de tom
homofóbico feita pelo mandatário do país.
Embora
o presidente do país possa ter entendido que tudo não passou de mera
brincadeira, não há a menor dúvida de que, na avaliação das pessoas normais,
não se pode tratar assunto sério como simples brincadeira, quando no seu conteúdo
há substancioso conteúdo de preconceito contra a classe de pessoas que merecem
respeito, quanto mais que elas são objeto de forte discriminação no seio da
sociedade.
A
situação se torna ainda mais inaceitável porque se trata de expressões
pronunciadas pela principal autoridade do país, que tem obrigação moral de ser
modelo de civilidade e cidadania, para mostrar ao mundo que a construção e a consolidação
da dignidade da sociedade depende essencialmente dos bons exemplos e jamais com
expressões de gracejos pobres e com a visível intenção preconceituosa de se
provocar riso, em tom circense absolutamente inadequado, à custa de gente pura
e cheia de bondade no coração.
O
estadista, com o mínimo de sensibilidade e educação, precisa se conscientizar de
que o respeito aos direitos humanos é um dos principais deveres do mandatário
do país, tendo em conta, em especial, que qualquer forma de discriminação
constitui crime, à luz da legislação penal brasileira, que o presidente do país
jurou, no compromisso de posse, observá-la rigorosamente no seu mandato.
Diante
da agressividade ao povo do Estado do Maranhão e à classe que tem sido
permanente objeto de discriminação, a retratação do presidente somente tem o
condão de aliviar a sua falta de sensibilidade para questões de extrema seriedade
e respeito, ficando a precisa lição de que o estadista tem o dever moral de se policiar
permanentemente, para se evitar que graves gafes como essa sejam definitivamente
eliminadas do seu vernáculo, por ser também da sua primacial obrigação
respeitar os princípios humanitários ínsitos nos direitos humanos.
Enfim,
senhor presidente, pode até vossa excelência ter tido a intenção de provocar mera
“brincadeira”, mas brinquedo mesmo, no estrito sentido de seriedade,
exige-se que ele se construa sob a forma de sensatez e responsabilidade, de
maneira estritamente voltada para o riso da pureza e da animação que não possa
envolver sentimento preconceituoso ou interpretação discriminatória do ser
humano.
Diante
da interpretação visivelmente preconceituosa com que se houve o presidente da
República, nesse caso em referência, compete aos brasileiros se manifestarem em
repúdio à maneira leviana e desrespeitosa contida na “piada” que ele
classificou como “brincadeira”, que foi, ao contrário, entendida pelas pessoas
sérias como maldade à dignidade do ser humano.
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