Conforme notícia divulgada pela mídia, o governo
federal formou tropa de choque constituída de 10 mil homens, que terá a
primordial função de prestar apoio às polícias militares nas 12 cidades-sede
dos jogos da Copa do Mundo de 2014, no caso do surgimento de protestos
violentos contra os astronômicos gastos para a realização desse evento. Os
investimentos na formação dos policiais que integram a Força Nacional de
Segurança Pública vêm ocorrendo desde 2011, quando começaram os treinamentos da
tropa, segundo informação prestada pelo diretor da unidade. Houve necessidade de
intensificação do aperfeiçoamento após as manifestações de junho, durante a
Copa das Confederações, quando ficou clara a insatisfação do povo, ante os desmedidos
gastos com as reformas e construções de estádios e outas obras pertinentes ao
evento. O diretor da unidade que cuida da formação dos policiais disse que “A Força Nacional não é uma força comum.
Somos convocados só para momentos de crise, só para missões específicas.
Cheguei a ter 42 frentes de operações abertas ao mesmo tempo no país. Para a
Copa do Mundo, formamos 10 mil homens em doutrinas de ações de choque, e
estamos com condições de atuar em todas as 12 cidades-sede ao mesmo tempo”,
ou seja, os dez mil homens foram preparados exclusivamente para cuidar dos
protestos da Copa do Mundo, fato esse que o governo já conta como certo que
também vai acontecer em conjunto com a realização dos jogos, o que demonstra a
falta de priorização das ações públicas do governo que assume compromisso de realizar
megaevento de repercussão mundial sem antes fazer o seu dever de casa, sendo
obrigado a gastar milhões com empreendimento que não se coaduna com a
satisfação do interesse público, ou seja, houve a destinação de recursos
públicos para formação de policiais com a exclusiva finalidade de proteger a
realização da Copa, enquanto a população continua sem a proteção do Estado, que
tem o dever constitucional de proteger o povo, que paga os tributos para esse
fim. Isso se chama desvio de finalidade com recursos públicos e, por lei, há
necessidade de responsabilização dos administradores que derem causa às
despesas sem a devida legitimidade e que resultarem prejuízos aos cofres
públicos, como é exatamente o caso aqui focalizado. Vê-se, de forma cristalina,
que o governo não tem prioridade para formar policiais para proteger a
sociedade, de maneira continuada, mas se obriga, de modo casuístico, a treinar
pessoal para proteger os participantes da Copa. O Brasil teria o direito de patrocinar a realização da Copa do Mundo e da
Olimpíada aqui no país, porém depois de ter absoluta certeza de que não
existisse pendência quanto às carências da sociedade, especialmente no que se
refere à prestação de serviços públicos de qualidade, como ensino acima da
média; hospitais e sistemas de saúde funcionando em perfeitas condições; a
população totalmente protegida da bandidagem e livre da violência, das armas e
das drogas; as estradas oferecendo segurança contra os acidentes, as mortes e
os ferimentos; a infraestrutura de primeiro mundo e a população sempre feliz e
contente com a eficiência da administração do Estado. O desgoverno do país já
ficou bastante demonstrado com a construção e reformas de estádios, na maioria,
inúteis, dispensáveis, dispendiosos e megalomaníacos, que terão alguma
utilidade por apenas um mês e somente servirão para gáudio de poucos
brasileiros abastados, enquanto a população desassistida continuará no mesmo ou
pior estado de crônica carência, justamente porque as obras milionárias foram
realizadas, com a devida urgência, para atender os caprichos da Fifa, deixando
que as escolas, os hospitais, as delegacias, as estradas e outras obras
prioritárias ficassem para depois, bem depois ou jamais. Este é o país do
futuro e de homens inteligentes, cujo governo tem a iniciativa de preparar 10
mil policiais com a finalidade de se defender das merecidas manifestações de protestos
contra a falta de prioridade das políticas públicas, enquanto o país se derrete
em violência, com assassinatos a todo instante, roubos e assaltos em pleno dia
e em cada esquina, aumento vertiginoso e descontrolado do tráfico de armas e de
drogas, superpopulação de drogados nas ruas, precariedade e matança dentro de
presídios (vide Pedrinhas, no Maranhão). Ou seja, o caos já domina a
insegurança pública há bastante tempo, mas o governo não tem a mínima visão
para enxergar que as medidas por ele adotadas teriam a devida valia se houvesse
investimentos, há bastante tempo, nas polícias dos Estados, inclusive com remuneração
digna e compatível com a importância das funções que eles exercem, cuja
dedicação põe em risco a própria vida. A sociedade não pode continuar sendo
conivente com as políticas públicas incapazes de priorizar as reais
necessidades da população brasileira, concordando pacificamente com despesas
completamente desvirtuadas das finalidades de interesse público, a exemplo de
obras faraônicas e dos gastos necessários à sua manutenção e à sua proteção,
quando as mazelas e as precariedades do país persistem ad aeternum sem solução, a exemplo do sucateamento de polícias de
muitos estados, que fingem que remuneram os policiais militares e estes, por
sua vez, também são obrigados a finge que cumprem seu papel de proteger a
sociedade, cujo resultado é a completa falta de segurança da população. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 14 de janeiro de 2014
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