Com muito orgulho, o último ex-presidente do país disse que o seu filho,
que foi indicado por ele a candidato ao cargo de presidente do Brasil, será a
continuidade do seu legado, tendo garantido que ele seguirá fielmente a sua
filosofia política de moralidade.
Essa absurda tentativa da continuidade do legado do pai funciona,
tecnicamente, como o que se pode denominar de capitanear, como que o capitão
que nomeia o seu sucessor, dando a entender que o chefe que se acha com poder
de assim proceder, sob a imaginação de que o pai seja o dono do Brasil.
Isso porque, no Estado Democrático de Direito, não existe isso de alguém
sozinho indicar o candidato ao cargo de presidente do país, sabendo que o
normal é que essa indicação seja feita de forma democrática pelos partido
político, lideranças políticas e sociedade em geral.
Quando somente uma pessoa tem a petulância de indicar pessoa da família
para sucedê-la, isso tem o nome de tirania, por haver completo desprezo aos
princípios republicanos e democráticos.
A ideia que fica é a de que o donatário nomeou o seu herdeiro para
sucedê-lo, em escancarado e inadmissível desprezo à melhor interpretação sobre
a finalidade do instituto da democracia.
Diante desses pressupostos, não tem como se concordar com algo
estapafúrdio como o pai indicar o filho para dar continuidade ao seu legado na
política brasileira, porque isso funciona como algo nojento, asqueroso e
ditatorial, que não acontece nem nas piores republiquetas, que jamais poderia
ter acontecido no país com a grandeza do Brasil, que ainda convive com
políticos de mentalidade bastante diminuta, por desprezar conscientemente os
saudáveis princípios republicanos e democráticos.
Enfim, compete aos brasileiros decidirem sobre a escolha do presidente
do Brasil, desde que seja eleito o candidato que melhor tenha condições de
enfrentar os gravíssimos problemas nacionais.
Acorda, Brasil!
Brasília, em 29 de junho de 2026
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