Por conta de novas e recentes pesquisas sobre o tratamento da Covid-19,
seguidores do último ex-presidente pretendem que seus críticos venham agora
pedir desculpas a ele, dando a entender que o político estava agindo sob o
respalda de elementos válidos, embora sem nenhuma comprovação científica.
Data vênia, nunca se viu tamanho disparate se querer que se apresente,
agora, desculpas a alguém, por ter defendido tese, na pandemia do coronavírus,
sem a menor base científica.
Ora, se agora, quatro ou cinco anos depois da crise de saúde pública, há
comprovação sobre a ineficácia de muitos protocolos adotados sobre o combate à
pandemia, é exatamente porque houve pesquisas durante todo esse tempo, em
interregno de se cientificar. com base em estudos e pesquisas científicas, a
antítese das medidas então adotadas.
Ora, isso por si só já é o suficiente para mostrar que pessoa leiga não
tinha a menor condição de propugnar pelo contrário do que o próprio governo
adotou como preventivo contra a terrível doença.
Ou seja, não é porque tenha havido coincidência da opinião do então
presidente do país, que apenas decidiu contrariar as orientações do próprio
governo, sem que ele tivesse absolutamente nada cientificamente para se basear,
que é diferente do que se vem afirmando agora, com base em elementos
suficientes de provas laboratoriais.
Acontece que é preciso se levar em conta que a pandemia em si contribuiu
para que a sociedade não tivesse iniciativa senão de se proteger e as medidas
recomendadas, comprovadas ou não, eficazes ou não, seriam o paliativo
necessário para a busca de proteção contra o vírus.
Com isso, não faz sentido, agora, se conhecer que alguém estava certo,
tempos atrás, quando ele não tinha nada para comprovar o que defendia, o que
era diferente se tivesse dados científicos e a população, mesmo assim, ainda
contrariasse a orientação dele.
O certo é que o então presidente do país somente poderia ter se
manifestado e orientado a população sobre questões concernentes à pandemia se
ele tivesse formação em medicina ou em assuntos inerentes à saúde pública, com
propriedades sanitárias.
Na verdade, a participação dele, no combate à pandemia, contribuiu
decisivamente muito mais para confundir do que para ajudar, visto que ele
terminou sendo considerado negacionista e genocida, tendo merecido, justo ou
não, expressiva rejeição de parte de brasileiros, cujo fato teve forte reflexo
no resultado da sua reeleição.
Reeleição essa que poderia ter sido facilitada se ele tivesse apenas
atuado, no combate à Covid-19, com civilidade e humanismo, fazendo tão somente
o que previa a liturgia do chefe do Executivo, autorizando o que fosse
realmente necessário, sem se manifestar em assuntos alheios à sua competência
institucional.
Nesse caso do combate à pandemia, se alguém precisa pedir desculpas é
somente aquele que se manifestou em assuntos estranhos aos seus conhecimentos,
contribuindo decisivamente para confundir, diante das potenciais divergências.
Acorda, Brasil!
Brasília, em 10 de agosto de 2026
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