segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Integral moralidade?

 

Segundo notícia divulgada na mídia, o Ministério Público Federal teria concluído pela integridade moral da última administração do país, por conta de não haver constatado irregularidades no desempenho do governo.

Infelizmente, ouso, até com muito cuidado, acrescentar fato que pode ser atribuído ao político alvo do Ministério Público Federal, que teria formalizado o atestado a ele de honra ao mérito pela honestidade, sob o argumento de não haver única prova de desonestidade no seu governo, por ter constatado o desempenho de presidente do país incorruptível.

A verdade é que essa assertiva merece contestação, sob a ótica da boa e regular aplicação dos recursos públicos. Isso porque, no governo desse político, aconteceu um dos acontecimentos mais vergonhosos e indignos da República, completamente incompatível com a moralidade que se exige na administração pública. Refiro-me à espúria aliança do então presidente do país com o desonesto grupo político conhecido por Centrão.

Pois bem, na campanha eleitoral de 2018, o então candidato paladino da moralidade, com o intuito de conquistar votos, se comprometeu de não ter negócio com a velha política, se referindo precisamente àquele grupo político.

Ocorre, que, já no exercício do mandato presidencial, tendo sido ameaçado pelo Congresso Nacional do afastamento do cargo, por meio de impeachment, o presidente do país decidiu se lambuzar com a lama da pouca-vergonha do Centrão e o levou para o Palácio do Planalto, evidentemente para blindá-lo contra aquela ameaça.

Nessa aliança inescrupulosa ficava claro que a liberação dos recursos para a satisfação de emendas parlamentares e concessão de cargos públicos seriam exclusivamente para satisfazer interesse particular do presidente do país, sendo destinados recursos para fins estranhos ao interesse público, fato este que caracteriza desvio de finalidade e aplicação irregular do dinheiro público, tudo em contrariedade à conclusão do Ministério Público.

É de se registrar também que o famigerado Centrão ainda oficializou a maior roubalheira de recursos públicos no governo daquele político, ao criar o desonesto e espúrio orçamento secreto, em que os seus recursos podem ser aplicados sem qualquer regularidade, porque há a dispensa da comprovação da aplicação das verbas liberadas, ou seja, sem necessidade da prestação de contas das suas aplicações.

A verdade é que o douto Ministério Público Federal precisava ter sido mais cioso da sua incumbência constitucional, ao ter exigido que o então presidente do país comprovasse a regular satisfação do interesse público referente aos recursos pertinentes à ida do desprezível Centrão para o governo, com a finalidade exclusiva de blindá-lo do impeachment.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 30 de julho de 2026

 

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