Ao que tudo indica, o Ministério Público passou batido em um dos mais graves escândalos havidos no governo que terminou merecendo o beneplácito dele, quando deixou à margem a degradante aliança firmada entre o presidente do país de então e o famigerado Centrão.
Pois bem, na campanha eleitoral de 2018, o candidato paladino da
moralidade disse que jamais negociaria com a “velha política”, se referindo ao
inveterado e indigno Centrão.
Não obstante, tão logo os congressistas acenarem fortemente com a
iminente possibilidade de impeachment do então presidente do país, em razão da
falta de liberação de emendas para os parlamentares, essa autoridade resolveu, mais que urgente e providencial, em
termos de blindagem pessoal, no Congresso Nacional, colocar no colo do governo
o recriminável Centrão, grupo político fisiológico e inescrupuloso.
De imediato, a entrada dele no governo já mereceu a liberação de emendas
parlamentares e a concessão de cargos públicos, nos ministérios e em empresas
estatais, tudo na forma da aliança espúria firmada, em que pese a promessa de
campanha eleitoral, de que não havia acordo com esse grupo desonesto.
De quebra dessas concessões, o Centrão ainda conseguiu aprovar, no então
governo, o mais espúrio orçamento secreto, que objetiva oficializar a
roubalheira no seio dos congressistas, uma vez que os gastos com recursos
liberados para ele não precisam de prestação de contas, ou seja, são despesas
sem a devida transparência nem comprovação de coisa alguma, quanto à sua boa e
regular aplicação.
É preciso sublinhar que esses desvios de finalidade com recursos
públicos não significam propriamente atos inerentes à típica corrupção na
gestão pública, mas há forte evidência da falta de legitimidade e de escrúpulo
para o emprego de recursos públicos para a finalidade estranha ao interesse
público.
Na verdade, a ida do Centrão para o Palácio do Planalto se destinou
exclusivamente para a defesa do presidente do país, que temia ser afastado do
poder, por pressão desse próprio grupo desonesto.
Isso é sim forma explícita de desonestidade na execução de recursos
públicos, sob a ótica da destinação para o atendimento da satisfação do
interesse da sociedade.
Enfim, pode-se afiançar que o Ministério Público se omitiu quanto à
falta de indicação desse gravíssimo desvio de finalidade pública, porque é do
seu dever avaliar o desempenho do governo, também com relação ao bom e regular
emprego dos recursos públicos.
Acorda, Brasil!
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