O
padre da paróquia São João Batista da localidade de Visconde do Rio Branco,
em Minas Gerais, inconformado com a ausência da comunidade na sua igreja, desejou,
durante a missa dominial, a morte aos fiéis que não frequentavam a eucaristia
por causa da pandemia de Covid-19, sendo o suficiente para gerar controvérsia e
repúdio contra a atitude dele, nas redes sociais.
Segundo
o entendimento do pároco, os fiéis que não estão no grupo de risco e optam por não
voltar à igreja até haver uma vacina, deviam "morrer antes"
que esta chegue à população.
O
padre proferiu a estúpida e recriminável
mensagem, verbis: "A gente vai vendo quem realmente ama a
eucaristia. Tem alguns católicos que têm saúde e tudo e dizem: 'Só vou na
igreja quando tiver a vacina'. Tomara que não apareça vacina para essas
pessoas. Que morram antes da vacina chegar".
Diante
da indignação e perplexidade da população, o padre, dois dias depois da sua leviandade,
emitiu manifesto pedindo de desculpas à sua freguesia, tendo dito que se tratou
de "um comentário infeliz" e, ao mesmo tempo, fez apelo ao
perdão.
Na
verdade, na forma ingênua, impensada e irracional como o padre tratou os fiéis,
não tem como ser perdoado senão por Deus, diante da extrema insensatez e
desumana com que ele desrespeitou os cristãos, que estão deixando de ir às
igrejas não por vontade própria, mas sim por força das circunstâncias, em
rigorosa observância às orientações prudenciais das autoridades da saúde pública,
no sentido de que o isolamento social é a maneira preventiva de melhor maneira para
se combater a disseminação do temível coronavírus.
A
rudeza e a maldade do religioso contrariam frontalmente as regras preventivas oficiais
para se evitar aglomerações, que foram identificadas como facilitadoras da disseminação
do Covid-19, que já demonstrou que é vírus tenebroso e perverso, que aproveita
a aproximação das pessoas para mostrar o seu real poder de contaminação.
Por
outro prisma, a insensata agressividade do padre mostra que ele se distanciou
dos princípios do Evangelho de Jesus Cristo, que tem como essência a defesa e a
preservação da vida, em qualquer circunstância, quanto mais em momento
excepcional como este da pandemia, em que é imperioso que seja mantido o isolamento
das pessoas, independentemente de ideologia, religião ou outras formas filosóficas
de pensamento.
À
toda evidência o religioso não agiu com racionalidade nem muito menos como
sacerdote, que tem como primazia orientar as pessoas a serem cuidadosas com as
medidas de preservação da vida, como forma de consolidação do amor à vida e às
coisas de Deus, porque quanto mais saúde se tem mais o apego às graças divinas.
É
possível se perceber que o religioso, a um só tempo, cometeu dois pecados
gravíssimos, quando propugnou por que as pessoas “morram antes da vacina
chegar” e que, por mais alarmante, “não apareça vacina”, sendo que
esse remédio pode servir até para salvar a vida dele contra a Covid-19 e do
resto da humanidade, fato este que demonstra o quanto o religioso não faz a
menor ideia dos perigos que podem surgir com a volta às aglomerações em igrejas
, clubes, escolas, estádios, bares e, enfim, em locais que propiciem aproximação
entre as pessoas.
Por
fim, não basta somente o religioso simplesmente dizer que foi infeliz e pedir indulto,
diante do princípio secular e fundamental de que o perdão implica prévia demonstração
de arrependimento pelas palavras insanas, maldosas e desumanas proferidas por
ele, em absoluta evidência de desprezo à vida dos fiéis que frequentam a igreja
sob os cuidados dele, que, de resto, o seu recriminável pensamento se estende à
humanidade, pelo desejo de que a vacina nem apareça, tamanha a sua maldade.
Em
síntese, vê-se que o religioso demonstrou total e escancarado desamor no coração
perante os fiéis da sua paróquia, ao desejar o pior dos mundos para eles, que,
como filhos de Deus merecem viver com as graças divinas, inclusive com a proteção
das ansiadas vacinas, porque certamente essa é a verdadeira vontade do Criador,
que toda a humanidade viva em perfeita harmonia e compreensão entre as pessoas,
em especial com o usufruto da saúde no corpo e da felicidade no coração.
Brasília,
em 29 de agosto de 2020
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