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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mais sujeira republicana

Segundo se noticia na mídia, o affaire envolvendo o ex-presidente da República petista e a sua protegida do escritório da Presidência em São Paulo teria sido filmado em Nova York, com registro de passeios dos dois fazendo compras em famosa loja comercial e se divertindo à vontade. Há especulação de que uma fotografia dos dois, abraçados e felizes, teria sido oferecida a revistas e jornais, que não se arriscaram a comprá-la. Ao que tudo indica, os elementos pertinentes já estariam com o Ministério Público e poderão servir como instrumento de investigação, porquanto foram levantados quando ele ainda estava no poder. As fortes ligações do ex-presidente com a ex-chefe de gabinete constam também de anotações feitas em viagem a um país da África. Comenta-se que a inteligência das Forças Amadas teria fornecido informação ao Ministério Público sobre possível intermediação da ex-servidora com negócios de diamantes, facilitada pelo uso de passaporte diplomático concedido no governo do seu amigo. Com as facilidades proporcionadas pelo uso desse passaporte, a ex-chefe de gabinete teria realizado, embora na qualidade de servidora pública, remunerada pelos bestas dos contribuintes, dezenas de “passeios de negócios” ao exterior, sendo 23 para a França, 18 para a Suíça, 12 para a Inglaterra e 7 para o Caribe e os Estados Unidos. Não deixa de ser estranho que as aludidas viagens, completamente injustificáveis e ainda fazendo uso do passaporte especial, com direito à dispensa de vistoria da aduana sobre seu portador, não foram registradas no extenso inquérito de que trata a Operação Porto Seguro. Não obstante, o Ministério Público já possui as informações pertinentes, obtidas por meios válidos. Suspeita-se que essas novas sujeiras republicanas tenham sido jogadas para debaixo dos enormes tapetes, estando, agora, à espera das possíveis investigações profundas da competência do Ministério Público sobre os fatos denunciados, não importando as autoridades envolvidas e muito menos as consequências dos seus resultados, haja vista que, no calor das acusações, somente a verdade é capaz de mostrar se as irregularidades existiram ou não, como forma de inocentar ou imputar responsabilidades, conforme o caso. O país precisa com urgência de homens públicos capazes, competentes para entender que o Estado Democrático de Direito não pode prescindir da transparência, honestidade e dignidade, princípios cultuados com naturalidade nos países evoluídos, que são obrigados a primar pela sua valorização, como forma de sustentação e fortalecimento dos pilares do Estado. A sociedade tem o direito de exigir a apuração dos fatos denunciados, de modo a possibilitar o conhecimento da verdade acerca do que realmente aconteceu na vida republicana, tendo em vista que é o povo que elege os governantes e ainda paga os elevadíssimos custos palacianos, repletos de nababescas mordomias incompatíveis com as mazelas existentes no país, porém tão ignoradas quanto à opulência das autoridades públicas, que pensam somente em ostentação e no poder pelo poder. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 26 de dezembro de 2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

À prova da "honestidade"

Na desesperada tentativa de se safar das acusações de tráfego de influência e de uma séria de irregularidades, a ex-chefe do gabinete da Presidência da República, em São Paulo, divulgou nota negando ter participado, quando ocupava esse importante cargo, dos fatos característicos de corrupção no serviço público. Ela foi indiciada pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, que investigou suposto esquema de venda de pareceres em órgãos públicos, para favorecer empresas privadas em negócios com o governo. Por causa disso, a presidente da República a exonerou do citado cargo. Na nota, ela teve o descaramento de dizer que nunca fez nada "ilegal, imoral ou irregular que tenha favorecido o ex-ministro José Dirceu ou o ex-presidente Lula". Trata-se de mais um abominável escândalo protagonizado por “ilustres” petistas, em sequência ao não menos deplorável mensalão, ambos tendo por primordial objetivo o uso de cargos públicos e do poder, mediante os procedimentos clássicos de corrupção, em que quadrilha se organiza para se beneficiar economicamente das facilidades, dos arranjos e do jeitinho brasileiro. Na linha da coerência da excelente escola dos companheiros, a ex-chefe de gabinete da PR antecipa-se, cheia da “peculiar moral” partidária, para alegar a defesa básica de negar até a morte que jamais cometeu ilegalidade nem imoralidade, em desabono ao caráter ilibado e inatingível dos “todo-poderosos” chefes, que, evidentemente, também nada sabiam das suas travessuras. A psicologia explica que as delinquências, os erros e os deslizes nunca são assumidos pelos psicopatas, porque eles põem na consciência que são inocentes e os outros são os errados, por não compreenderem as suas traquinagens. No Brasil, alguns partidos políticos conseguem ter na sua composição pessoas desse naipe, com a inteligência capaz de entender que nunca fazem nada de errado e todos os seus atos estão revestidos de ética, moralidade, legalidade etc., quando têm sido o contrário, a exemplo dos crimes objeto do mensalão, em que os envolvidos se consideram pessoas honestas, honradas, dignas e, acima de tudo, injustiçadas diante do julgamento e da condenação pelo Supremo Tribunal Federal, em que pese terem por fundamento robustas provas testemunhais, periciais e substanciais, todas irrefutáveis quanto à culpabilidade dos denunciados. Em contraste às alegações, a imprensa escrita e televisiva vem revelando vasta documentação com provas do tráfego de influência da lavra da ex-servidora, inclusive evidenciando a sua proximidade com o "todo-poderoso", dando respaldo às nomeações de diretores de agências reguladoras. Todavia, essa cidadã tem a indelicadeza de declarar, em nota, inocência perante a opinião pública, que já não suporta mais tanta falta de caráter das pessoas que trabalham para o governo federal e que, na verdade, são empregadas da sociedade, por força dos pesados tributos impiedosamente impingidos aos brasileiros, que não suportam mais absurdas mentiras. A sociedade repudia tanta corrupção e anseia por que os governantes sejam obrigados a observar os princípios éticos, morais e legais, como forma de moralizar a gestão dos recursos públicos. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 02 de dezembro de 2012