segunda-feira, 14 de março de 2016

O retrato da degeneração


Conforme pesquisa Datafolha divulgada recentemente no jornal Folha de S.Paulo, o governo da presidente da República foi avaliado como 64% para ruim/péssimo, 25% regular e 11% ótimo/bom, indicando que a situação administrativa do país é lastimável, por desagradar a quase dois terços dos entrevistados, que, em estatística das pesquisas, convencionou-se seja a situação que representa o pensamento dos brasileiros.
Na anterior pesquisa realizada, em dezembro último, o governo havia recebido a aprovação de 12%, que consideravam sua gestão ótima ou boa, mantendo-se agora quase no mesmo patamar.
Os entrevistados responderam 60% favoráveis e 33% desfavoráveis ao processo de impeachment contra a presidente, em cristalina demonstração de que a insatisfação contra o governo é superior à maioria dos brasileiros, que não suportam mais tanta desgraça pela falta de governança do país, uma vez que a incompetência e a ineficiência já conseguiram ultrapassar os limites da tolerância e do razoável.
A pesquisa também indica que 58% dos ouvidos disseram que a presidente deveria renunciar ao cargo e 37% discordam dessa medida, o que indica concordância com o imediato afastamento da petista da Presidência.
Para 80% dos entrevistados, a economia teve piora de desempenho, 5% acham que houve melhora, o que indica que a visão dos brasileiros sobre a execução das políticas é bastante preocupante, diante dos resultados sempre negativos e prejudiciais aos interesses da população, como inflação alta - com os preços corroendo os salários -, desemprego, desindustrialização, juros nas alturas, falta de investimentos e degeneração crônica dos serviços públicos prestados ao povo, que cada vez mais é prejudicado pelo fracasso econômico, que tem retrocesso sobre retrocesso, por força da forte recessão.
Os resultados sobre a avaliação do desempenho da presidente do país, mostrando percentuais bem sofríveis e péssimos, evidenciam o quanto a administração pública está padecendo da acefalia e da incompetência, sem governo, sem comando, permitindo que o país seja comparável com uma nave absolutamente à deriva, que pode afundar a qualquer instante, diante da plena instabilidade de suas estruturas, que ainda resiste bravamente por um triz, mas pode naufragar a qualquer momento.
As avaliações sobre a atuação da presidente, com percentuais muito abaixo da crítica, revelam a extrema insensibilidade e insensatez dos brasileiros, que nada fazem de efetivo para mudar essa desastrada situação de penúria administrativa, em que o país se afunda cada vez mais no profundo abismo, com a perspectiva de inevitável piora, mas a presidente continua firme e resistindo aos apelos sobre mudanças desse terrível quadro, em que não há menor esperança de que a bancarrota tenha fim, uma vez que ela já deu cabal demonstração de completas incompetência e incapacidade para vislumbrar medidas capazes de solucionar as piores crises conjunturais já instaladas no governo e no país.
À toda evidência, se a dramática situação de penúria e desmantelo que grassa no Brasil fosse em um país com o mínimo de seriedade e de desenvolvimento democrático, o próprio presidente já teria tido a sensatez e a dignidade de entregar o cargo, sob o argumento de que a sua continuidade nele é indiscutível indicativo de potencialização e consolidação das dificuldades criadas por ele e que o seu esforço não foi capaz de sequer minimizá-las, por falta de condições gerenciais e administrativas.
É evidente que a situação lastimável de desgoverno deve ser atribuída à parcela expressiva de brasileiros, que, apesar de ter sido devidamente alertada sob o perigo que o país corria sob o comando da presidente, que não tinha condições para administrar país com as potencialidades do Brasil, ante as comprovadas ineficiência e incompetência impregnadas na sua primeira gestão, quando o seu péssimo desempenho já causara enormes rombos nas contas públicas, com as seguidas inobservâncias dos limites das metas fiscais de que tratam as Leis de Responsabilidade Fiscal e de Diretrizes Orçamentárias, que teriam como caracterização o crime de responsabilidade fiscal caso o Congresso Nacional não as abonasse, por permitir que os citados limites fossem colocados a salvo, como se nada tivesse acontecido de tão grave.
Diante da situação de calamidade administrativa do país, os brasileiros precisam se conscientizar, com urgência, sobre o verdadeiro estado de degeneração das estruturas institucionais, que exigem, para a sua recuperação, a adoção de medidas no sentido de mudanças radicais na administração do Brasil, de modo que sejam evitados maiores transtornos para a população, que tem o dever cívico e patriótico de responder por sua omissão e complacência com a bandalheira que se transformou o estado brasileiro, sob o comando de governo e partido sem compromisso senão com o seu único projeto megalomaníaco de absoluta dominação e de perenidade no poder, em indiscutível detrimento das verdadeiras causas nacionais. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 14 de março de 2016

domingo, 13 de março de 2016

Manifestação verde-amarela


Os protestos contra o governo da presidente da República reuniram aproximadamente cem mil pessoas na Esplanada mais importante do país, na manhã deste domingo, em Brasília, conforme cálculo feito pela Polícia Militar do DF, que providenciou a mobilização de policiais para garantir a segurança dos manifestantes, sendo considerado o maior dos protestos já realizados na capital federal contra a gestão da presidente petista, desde o início dos movimentos populares de rua, em 2013.
Os manifestantes estavam vestidos com predominância do verde-amarelo e empunhavam cartazes contra o ex-presidente da Republica petista, em favor do impeachment contra a presidente do país e em apoio ao juiz federal que comanda a Operação Lava-Jato.
Sem dúvida, o escândalo de corrupção na Petrobras foi o tema central do protesto, mas o impeachment contra a presidente teve destaque, que se juntou às ironias ao político que se considera o mais honesto do país, que mereceu veemente pedido de sua prisão, uma vez que cobra "jararaca" não tem direito de ficar solta prejudicando a população com seu veneno mortífero conta a ética e a moral.
Um dos trios elétricos do protesto em Brasília tinha a caracterização de um tríplex, em clara alusão ao escândalo que envolve o petista-mor, cujo entendimento do Ministério Público de São Paulo é de que o imóvel foi dado à família do petista de presente da construtora OAS, investigada no escândalo de corrupção na Petrobras, por desvio de propina por parte dessa empresa.
No ato, não faltou o já tradicional boneco gigante do Pixuleko, que representa o ex-presidente vestido de presidiário, que foi montado diante do Congresso Nacional, enquanto mini Pixulekos infláveis eram vendidos ou distribuídos de cima dos carros de som. Desta vez, havia também bonecos infláveis retratando o juiz da Lava-Jato, como super-herói.
Sem dúvida, a figura do juiz da Lava-Jato foi a personalidade que mereceu as devidas homenagens durante a manifestação na capital federal, sendo alvo de "aplaudaço" em frente à Catedral Metropolitana, com o acompanhamento de diversos gritos de guerra em favor das condenações impostas pelo juiz de Curitiba.
Em frente ao Congresso Nacional, isolado por policiais militares, as pessoas se uniram e formaram os dizeres "Fora, Dilma" no gramado, onde também foram realizadas, por diversas vezes, "ola" para "varrer a corrupção", cujo protesto foi encerrado por volta das 12h05, depois de a multidão entoar, com muito entusiasmo, o hino nacional.
É evidente que as manifestações no país destacam a figura do bravo e competente juiz de Curitiba, com a prestação de merecida homenagem, por meio de frases e figuras ressaltando seus feitos memoráveis em prol da moralização do país, diante das corajosas e acertadas decisões tendentes à elucidação dos fatos denunciados, ao julgamento e à condenação de criminosos, que dilapidaram o patrimônio de brasileiros.
Em Brasília, manifestantes criaram o boneco "Super Moro", em que o juiz foi transformado em “Super-Homem”, que tem sido implacável contra o crime organizada que foi implantado na administração do país, em especial na Petrobras.
É induvidoso que o juiz da Lava-Jato foi erigido ao patamar merecido de servidor público que representa com muita dignidade a sua competência institucional e serve de exemplo para todos os servidores públicos, que são remunerados pelos brasileiros que exigem que a nação seja administrada com eficiência, competência, legalidade e moralidade, como forma de o país poder superar as graves crises que têm sido motivo dos pedidos de afastamento da presidente.
Há o reconhecimento de que a rejeição à presidente da República é bastante visível e acentuada, em clara demonstração de que urge mudanças na administração do país, diante do esfacelamento das estruturas ética, social, política, econômica e administrativa, que contribuíram para a degeneração das instituições do Estado, que estão acéfalas e sem o norte de suas verdadeiras finalidades.
Como brasileiro idealista, tive a honra de participar da importante manifestação da capital federal e confesso a minha felicidade de ter me emocionado diante da integração de brasileiros em prol de causa considerada de suma relevância para a retomada da conscientização nacional sobre a necessidade de renovação da administração do país, à vista do notório definhamento da gestão petista, que já demonstrou incompetência administrativa e descrédito da sociedade, dos mercados financeiros e dos empresários, tornando totalmente impossível a sua continuidade, por haver clara situação de instabilidade política, econômica e institucional. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 13 de março de 2016

sábado, 12 de março de 2016

Acusações humilhantes?


O ex-presidente da República petista, investigado na Operação Lava-Jato, por suspeita de ter recebido "vantagens indevidas" durante o mandato, apresentou documento ao Supremo Tribunal Federal com ataque à força-tarefa que desvendou o escândalo do petróleo, a par de dizer que ele é alvo de "calendário de achincalhamento público" por parte do Ministério Público.
O petista já havia enviado ao Supremo Tribunal Federal pedido no sentido de que a Excelsa Corte decida quem deve promover as investigações sobre a propriedade e as benfeitorias no sítio e no tríplex, que se tornaram famosos pelos montantes de recursos gastos por empreiteiras, em suas reformas, com suspeita de agradar o petista. As investigações sobre os dois imóveis lançam dúvida sobre a possibilidade de o petista possa ter sido beneficiado por empreiteiras investigadas na citado operação.
Em nome do ex-presidente, seus advogados centralizam críticas contra os procuradores de Curitiba que trabalham nas investigações do petróleo, tendo afirmado que "É descabida e censurável a afirmação de que haveria suspeita de que o autor pode ter recebido vantagens ilícitas durante o mandato presidencial, pois não há qualquer elemento concreto que possa dar suporte a essa afirmação, senão um exacerbado entusiasmo associado a um pensamento desejoso. Só as ditaduras políticas ou midiáticas gostam de escolher os acusadores públicos a seu talante".
Um procurador informou que o petista é investigado por possíveis vantagens indevidas recebidas ao longo do mandato presidencial. Diante dessa afirmação, a defesa disse que a atitude do Ministério Público revela "extremado apego ou mesmo interesse por parte da força-tarefa da Lava Jato de investigar o autor".
Os advogados insistem na tese de que o Ministério Público de São Paulo estaria investigando a propriedade e as benfeitorias realizadas no apartamento tríplex e a propriedade no sítio, embora o Ministério Público Federal, por meio da força-tarefa da Lava-Jato, esclareça que, no caso de São Paulo, o objeto de investigação é a transferência de empreendimentos da cooperativa Bancoop para a OAS e em Curitiba a suspeita de vantagens indevidas de empreiteiras ao petista.
A defesa critica que "A força-tarefa da Lava Jato reivindica atribuição universal para promover investigações (...) e argumenta que haveria competência federal no vertente caso porque o autor teria supostamente recebido parte das vantagens ainda durante o mandato presidencial”.
Na opinião dos advogados, o Ministério Público estaria promovendo "publicidade opressiva" contra o petista, citando como argumento artigo do juiz que comanda a Operação Lava-Jato, datado de 2004, para afirmar que as investigações deixam líderes políticos "na posição humilhante de ter constantemente de responder a acusações e de ter a sua agenda política definida por outros".
O Ministério Público tem suspeita de que a mesma quadrilha, possivelmente gestada na Casa Civil do governo do ex-presidente, arquitetou, planejou o esquema do petrolão e espalhou tentáculos pela Petrobras, estatais do setor elétrico, usinas hidrelétricas e autarquias do Poder Executivo, em vista do que todos os processos deveriam estar nas mãos do mesmo juiz.
Em um país sério e desenvolvido democraticamente, o nível das discussões políticas permanece no patamar da civilidade, onde os órgãos de fiscalização e controle exercem a sua incumbência constitucional com absoluta normalidade, conquanto os jurisdicionados se defendem por meio dos instrumentos consagrados da defesa prévia e do contraditório, assegurados pelo ordenamento jurídico, como forma de se confirmar o primado civilizatório e de harmonia entre as partes envolvidas na demanda.
Os fatos mostram, com clareza, que o ex-presidente tenta alimentar polêmica na mídia, ao ficar criticando e duelando com o Ministério Público e a Justiça, notadamente alegando a incompetência deles para investigá-lo, quando ele deveria ter a sensibilidade e a sensatez de ignorar o que falam sobre ele e, ao mesmo tempo, procurar contestar, com elementos probantes, os graves fatos que lhe são atribuídos, que, em princípio, não são nada republicanos, porque até agora não foram contestados senão com as afirmações de que os questionados imóveis não são da sua propriedade, conquanto as reformar neles ficam sem as devidas justificativas, por envolverem recursos, segundo se alegam, provenientes de propina desviada da Petrobras.
Os brasileiros precisam repudiar, com muita veemência, as práticas de atos suspeitos de irregularidades, como forma de se propugnar pela urgente moralização tão ansiada nas atividades político-partidárias, que não tem a celeridade dos países evoluídos democraticamente. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 12 de março de 2016

sexta-feira, 11 de março de 2016

Pura insensibilidade


Por ocasião da homenagem que recebia na Câmara Municipal de Maringá/PR, em comemoração ao Dia da Mulher, a mãe, professora aposentada, do juiz que comanda com ímpares eficiência e competência a Operação Lava-Jato, foi vaiada por algumas pessoas ligadas a sindicatos e ao PT.
Os protagonistas, formados por meia dúzia de fanatizados, não tiveram o menor pudor de agredir mulher honrada e digna, que deve ter o grande defeito, infelizmente para os petistas, de ter dado à luz esse verdadeiro, destemido e impoluto brasileiro, que vem dando exemplos de dignidade e de trabalho profícuo e eficiente.
A cerimônia homenageava outras 14 mulheres, além da mãe do juiz da Lava Jato, em razão da relevância dos serviços prestados à comunidade maringaense, sendo que duas delas ligadas a sindicato justificam a sua origem, pelos próprios atos de degeneração dos melhores princípios de cidadania, como esses da manifestação indevida, em momento especial, em homenagem à dignidade das mulheres, que poderia ter sido enodoado não fosse a sensatez e a sensibilidade da expressiva maioria das pessoas civilizadas presentes.
Os inconformados com a revelação do mar de lama que sufoca e asfixia os brasileiros gritavam, pasmem: “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, na tentativa de tirar o brilho da justa homenagem, mas os decepcionantes gritos foram abafados por aplausos que a mãe do juiz recebia, em demonstração de respeito às pessoas que contribuem para a moralização do país.
Tudo isso aconteceu, possivelmente, porque o “guerreiro do povo brasileiro”, assim cognominado pelos petistas, foi conduzido, de forma coercitiva, por ordem do juiz da citada operação para prestar depoimento na Polícia Federal, por suspeita de o herói dos petistas ser suspeito em envolvimento em esquema de corrupção, mediante o recebimento de propinas com recursos desviados da Petrobrás, nos governos comandos por petistas.
O que esperar do futuro do país onde têm pessoas que veneram político suspeito de envolvimento em atos irregulares, que tem dificuldade para justificar a sua inculpabilidade, conforme a materialização de denúncia que acaba de ingressar na Justiça de São Paulo? Aliás, não à toa que todo povo tem o governo que merece e esse povo que fica criticando quem trabalha em prol da limpeza moral do país merece realmente senão o governo que conseguiu destruir as estruturas já fragilizadas, pelo arcaísmo e a obsolescência, da administração pública.
Enquanto o povo continuar pensando pequeno, em termo de nacionalidade, como no caso em comento, certamente que a classe política dominante terá o apoio e a cumplicidade necessários para a completa degeneração do Estado brasileiro, que poderia já estar em estágio bastante evoluído de desenvolvimento se não houvesse mentalidade tão retrógrada, em contrariedade às investigações que possam levar à revelação da verdade sobre os fatos destruidores da dignidade e da moralidade que precisam subsistir como primado de uma nação com as potencialidades econômicas como o Brasil.
Os brasileiros precisam tomar partido em prol exclusivamente do país e se conscientizar de que as investigações devem ser abrangentes e completas sobre os fatos suspeitos de irregularidades, não importando a relevância das pessoas envolvidas, porque a nação dever merecer o empenho e o apoio dos brasileiros, no sentido de se promover completa limpeza da sujeira e da indignidade, que foram capazes de conduzir o país ao abismo e ao caos, com lastimável prejuízo para todos, indistintamente de quem é simpatizante de políticos, partidos ou ideologias, porque os interesses nacionais devem prevalecer sempre sobre as causas pessoais, partidárias ou ideológicas. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 11 de março de 2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

A loucura da economia


A notícia bombástica mais recente da economia brasileira foi que os juros médios cobrados pelos bancos, nas operações com cheque especial, somaram 292,3% ao ano, apurado em janeiro último, que é o maior patamar desde julho de 1994, quando registrou 293,9% ao ano, ou seja, em quase 22 anos, segundo números divulgados pelo Banco Central, fato que tem efeito devastador na economia, porque o crédito e o consumo são garroteados, com enorme prejuízo para a produção, que fica estagnada.
Nesta linha de crédito, os bancos cobraram juros que tiveram aumento de 5,3% no mês de janeiro, que eram cobrados, em dezembro recente, à taxa de 287% a.a. Nos últimos 12 meses, a alta da taxa foi de 83,3% sobre 209%, que prevalecia em janeiro de 2015.
No entendimento de analistas financeiros, essa é uma das taxas de juros mais caras e perversas do mercado e somente deve ser aplicada em momentos de emergência e por prazo muito curto, por refletir política bastante restritiva de crédito, à vista do seu reflexo extremamente prejudicial ao mercado, à produção e ao consumo, diante da sua visível contribuição para a paralisia das atividades econômicas.
Se a taxa de juros é alta para o cheque especial, ela tem sido considerada proibitiva para o cartão de crédito rotativo, conforme indicam os números do Banco Central, que mostram que os juros médios cobrados pelos bancos nestas operações – a modalidade mais cara do mercado – somaram, pasmem, 439% a.a., segundo apuração feita em janeiro último, que é o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011. Em janeiro passado, o aumento foi de 8,1% e, no ano, foi de 104,9%, fatos que confirmam a gravidade da crise econômica, que somente causa incertezas quanto à possibilidade de novos investimentos.
Não há dúvida de que os juros do cheque especial e do cartão de crédito rotativo são os mais caros do mercado, o que se recomenda muita cautela e se evitar, o máximo possível, o uso de cheque especial e o pagamento, no vencimento, do total da fatura do cartão, em que pesem as tentativas de facilidades para uso desses importantes créditos, que certamente poderão causar transtorno, em caso contrário, por serem créditos previamente aprovados e livres para a opção dos ingênuos e desinformados, que podem pagar juros absurdos e injustificáveis.
Ressalte que o absurdo e o escorchante aumento dos juros bancários, no ano passado, acompanhou a alta da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central, com a finalidade de tentar conter as pressões inflacionárias, que também não foram controladas, à vista de ter atingido o patamar de 10,67% a.a.
Percebe-se que Selic teve aumento bem menor do que os juros bancários no ano passado, considerando que, desde o início de 2015, a taxa avançou de 11,75% para 14,25% ao ano, ou seja, aumento razoável de apenas 2,5 pontos percentuais, o que não é pouco, tendo em vista que se trata de índice aplicável às operações de governo. Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira bem mais expressiva e de certa forma absolutamente absurda, despropositada e irracional, em contraposição à realidade de sufoco da economia brasileira, que está andando de marcha ré e, o que é pior, sem rumo quanto aos reais objetivos de ordenamento da crise e do seu tratamento.
Os números sobre os juros mostram com muita clareza que, nunca antes na história desse país, os bancos ganharam tanto dinheiro nos seus negócios, graças às elevadíssimas taxas de juros, que não deveriam ter chegado aos patamares tão alarmantes e absurdos, muito além de centenas ao ano, com recorde sobre recorde, onde os bancos faturam loucamente em cima dos tolos e imprudentes clientes, que deveriam se conscientizar sobre a estupidez que isso representa para os seus bolsos, que são simplesmente assaltados de forma elegantemente respaldada pelo governo.
É muito estranho que as taxas de juros e créditos do cheque especial atinjam patamares tão alarmantes e grotescos, em pleno século XXI, dando a entender que o dinheiro é coisa raríssima num país capitalista, mas isso explica com absoluta clareza parte das mazelas e da degeneração que conseguiram contribuir para a desindustrialização, o desemprego, a absurda queda da arrecadação e principalmente a inexistência de investimentos público e privado, diante da impossibilidade do crédito e do consumo, que ajudam a fomentar o círculo vicioso que trava plenamente o processo produtivo e impede a retomada do desenvolvimento. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 10 de março de 2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

Indevidos privilégios



Segundo notícia divulgada pela mídia, a presidente da República teria aceitado a ideia de convidar o seu antecessor para exercer o cargo de titular de ministério na Esplanada mais esplendorosa do país, onde se desfilam plêiade de dezenas de ministros, muitos dos quais a título de recompensa por apoio aos projetos de interesse da presidente do país, no Congresso Nacional, em obrigatoriedade de fidelidade ao Palácio do Planalto.
Ao que se anuncia, a medida teria por objetivo se evitar que o petista-mor seja preso, em razão dos fatos investigados na Operação Lava-Jato, por ordem do juiz federal que comanda as operações pertinentes ao escândalo do petrolão, onde há fortes indícios de que o petista teria sido beneficiário de dinheiro desviado da Petrobras, com reformas em imóveis e repasses de recursos sob o título de pagamento de palestras, muitas das quais estranhas a diretores da construtora contratante, segundo relato de investigações realizadas por força-tarefa da citada operação.
Em conformidade com nota da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, ministros da intimidade da presidente do país e do petista tentam convencê-lo a aceitar a generosa oferta, como forma de tentativa de salvação política dos dois mais importantes petistas, que se encontram envolvidos em questões ultraescabrosas, sob suspeitas das práticas de irregularidades levantadas, respectivamente, pelo Tribunal de Contas da União, de que tratam as famigeradas pedaladas fiscais, e pela Operação Lava-Jato, na forma indicada acima.
A situação do petista se complicou bastante com a sua condução coercitiva pela Polícia Federal, para prestar depoimento sob grave suspeita de seu envolvimento nos fatos objeto da Operação Lava-Jato, que se tornou cada vez mais possível a sua condenação, à luz dos elementos de prova já obtidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
Ao transformar o ex-presidente em ministro, ele teria o benefício de foro privilegiado e qualquer ação contra ele dependeria do aval do Supremo Tribunal Federal para ganhar trâmite, além de ser blindado automaticamente contra as garras afiadas do juiz que preside a mais competente equipe de investigação da história republicana, que foi capaz de pôr no xadrez figurões da política, do mundo empresarial e de muitas importantes personalidades brasileiras.
Essa já é a segunda vez que se cogita colocar o ex-presidente na direção de ministério, com a finalidade exclusiva de catapultá-lo para situação confortável de privilégio, na tentativa de livrá-lo das garras sedentas do juiz da operação que poderia se chamar limpeza da imundície, que vem realizando trabalho ultraexemplar, por não ter cedido à dominação política nem às influências do poder, ao mostrar que a Justiça precisa ser aplicada integral e de forma isonômica sobre os atos contrários aos princípios da dignidade e da honestidade, não levando em conta a relevância das pessoas envolvidas, eis que os fatos delituosos precisam ser punidos na forma da lei, que não condiz com a concessão de privilégios.
É induvidoso que o gesto de a presidente do país de aquiescer com a esquisita integração de seu padrinho político ao seu governo contribui ainda mais, em potencial, para o seu enfraquecimento moral, por se tratar de gesto absolutamente questionável, por não se originar em situação natural, ou seja, em pleno reconhecimento pelo sistema do mérito e do profissionalismo, como fazem os países sérios e desenvolvidos democraticamente, mas sim por simples imposição de simpatia pessoal que tem por propósito contribuir para a proteção do petista contra a correta ação da Justiça de apurar, em decorrência da sua incumbência constitucional e legal, possíveis fatos delituosos, que precisam ser esclarecidos em benefício do interesse público.
À toda evidência, o gesto da presidente pode contribuir para se perpetuar a ideia maligna e inadmissível da impunidade, agora claramente protegida pela mandatária do país, que passa a ser cúmplice, diante de suas concretas manifestações de apoio ao seu correligionário de partido, quando ela, pela relevância do cargo que ocupa, deveria ficar totalmente afastada dos acontecimentos, até mesmo quanto à opinião em defesa do ex-presidente, que compete, por conta própria, se defender, mostrando a licitude dos atos que o envolvem, quanto mais tendo-se em conta que ele é, na sua opinião, o homem mais puro e honesto do país, que não precisa, por isso, de ajuda de ninguém para se defender.    
Não há a menor dúvida de que, ao se cogitar pôr gracioso ministério no colo do ex-presidente, há explícito sentimento que esse gesto consolida, de forma muita clara, a vontade de encobrir algo que a sociedade já sabe muito bem do que se trata, que é dificultar, ao máximo e o quanto mais possíveis, a revelação da verdade real sobre fatos que envergonham a sensibilidade de um povo, que tanto aspira por dignidade e honestidade na política e na administração do país, que foram mandadas há muito tempo para o espaço sideral, tornando cada vez mais impossível a moralização tão ansiada pelos brasileiros. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 09 de março de 2016

terça-feira, 8 de março de 2016

Promessa de país incendiado...


O ex-chefe de gabinete do ex-presidente da República petista, ignorando por completo a cruel realidade dos fatos, disse que setores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal estão imbuídos do sentimento de antipetismo congênito e que estar em curso no país uma espécie de fascismo, obviamente por parte daqueles que repudiam os malfeitos do PT e são contrários ao seu idealismo de destruição do patrimônio dos brasileiros e dos princípios da moralidade e da dignidade, ou seja, aqueles que não comungam na mesma maléfica cartilha que inspirou a destruição das estruturas do Brasil.
O petista demonstrou irracionalidade e falta de civilidade quando, de forma desequilibrada, deixou muito clara a ameaça de caos para o país caso o ex-presidente venha a ser preso, dando a entender que o todo-poderoso goza do supremo direito da imunidade e da impunidade e está acima de todos, da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Justiça Federal, não estando obrigado ao império da lei.
O seu raciocínio foi por demais explícito sobre a possibilidade de o petista-mor vir a ser preso, tendo afirmado, de forma peremptória, que “Eu não quero falar nessa hipótese, espero sinceramente que não aconteça. Eu só espero que eles não brinquem com fogo. A tese que eles desenvolveram é a tese de que o Lula é uma estátua de gelo, que basta você encostar perto do fogo que ela vai derreter. Essa foi a tese que eles seguiram, na expressão de um cara deles, que eu fiquei sabendo. Então, eles tentaram desmoralizar o Lula primeiro isolando-o da massa para depois chegar nele. Na sexta, ficou evidente que isso não é tão simples assim.”.
O petista não foi muito claro com a expressão “brincar com fogo”, que pode até ser interpretada como a possibilidade de os petistas fanatizados e inconsequentes puderem incendiar o país se o ex-presidente for preso, em  submissão aos ditames da lei e da Carta Magna, que tem por primado o princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei, em condições de direitos e obrigações, que os petistas entendem que esse conceito fundamental não  se aplica a eles, por serem pessoas excepcionais e privilegiadas, como o ex-presidente e políticos importantes do PT, que não podem ser investigadas nem presas, por usufruírem recriminável privilégio da impunidade e da presunção de mácula, com o que, no seu pensamento não existe essa de investigação para se aquilatar a verdade real sobre fatos suspeitos de irregularidades. 
Em clara demonstração de irresponsabilidade, o petista nem precisa se esforçar para tentar ameaçar os brasileiros honrados, ao dizer que teme sobre a possibilidade de conflitos, por ocasião das manifestações do próximo dia 13, diante do momento de radicalização que vive o país, deixando patente seu pobre esforço de amedrontamento da população.
A história registra que as manifestações políticas do país, em prol do impeachment da presidente petista, sempre ocorreram de forma pacífica e ordeira, exatamente em razão da ausência de petistas, que normalmente incitam à baderna e ao conflito.
Ele disse que tudo “Vai depender, a meu juízo, do comportamento da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. Se houver um reequilíbrio e ficar claro que a Lava Jato busca combater a corrupção, não o Lula, acho que a sociedade vai compreender. Mas, se continuar tão explicitamente como foi demonstrado na sexta e em outras ocasiões, esse direcionamento persecutório de uma força política de um líder, como é o caso do Lula, aí eu temo muito por um processo que nos leve ao que acontece na Venezuela, porque você vai levando ao processo de justiçamento, de justiça com as próprias mãos, e haverá um ódio progressivo. Não foi nada bom o que ocorreu na sexta, as manifestações à tarde. Estou convencido de que pode ocorrer no dia 13, mas temos que ter maturidade de não insuflar ou estimular esse tipo de manifestação. Temos de buscar o contrário, buscar o entendimento e a paz.”.
Não há dúvida de que a postura do petista é indiscutivelmente de incitar o conflito, em demonstração de descontentamento e desconforto diante da tentativa de se passar o país a limpo, com a varredura promovida por meia das investigações da Operação Lato-Jato, que conseguiram levar o cacique-mor do PT para o olho do furacão, fazendo com que as entranhas do câncer da corrupção sistêmica e endêmica sejam expostas à realidade, como forma persecutória da moralização e da limpeza ética da administração do país.
Conforme mostram os fatos, é induvidoso que o PT arrebanhou para dentro dele tudo de pior que se pode imaginar de contrário aos princípios ético e moral, fazendo com que suas estruturas se diluíssem em desmoralização e indignidade, principalmente quando o maior líder, que se diz o mais puro, o mais honesto de todos, se vê em apuros para explicar o que ele deixar antever se tratar do inexplicável, tanto que acusa tudo e todos, mas foge dos esclarecimentos sobre os fatos objeto das investigações contra ele.
É muito estranho que partido que implantou linha dura contra seus oponentes, demonizou, destruiu e arrebentou seus adversários, sem propiciar a mínima oportunidade de defesa a ninguém, vem agora ameaçar os brasileiros com derramamento de sangue nas ruas, diante da submissão do partido e do ex-presidente ao primado da lei, dando o ensejo de se presumir que é terrível o estado de desespero dos petistas, quando, diante das graves crises criadas e alimentadas por eles, conviria que houvesse motivo para o reconhecimento das falhas que levaram o país à completa desgraça, aceitando a admissão da culpa e garantindo empenho para solucioná-las, com inspiração nos países civilizados e desenvolvidos democraticamente.
No Estado Democrático de Direito, que somente existe nos países sérios e civilizados, prevalece o saudável princípio da transparência, que diz exatamente com a verdade sobre os fatos, que somente é possível se houver disposição para as investigações pertinentes, em estrita observância ao ordenamento jurídico.
No caso específico das suspeitas de corrupção por parte do ex-presidente da República petista, há visível demonstração de se impedir que a verdade seja revelada, diante da extrema reação contrária às apurações, que poderiam ser facilitadas caso o petista se dignasse a aceitar a realidade como ela é, permitindo que as informações sobre os fatos sejam disponibilizadas aos exames pertinentes, ao invés de promover a retirada ou "limpeza" de equipamentos e documentos, como houve por ocasião da busca realizada pela Polícia Federal, quando o Instituto Lula foi previamente esvaziado, impedindo que os fatos possam ser revelados.
Diante das dificuldades criadas para as investigações pertinentes, como evidenciadas no caso em comento, é imperiosa a ilação mais realista imaginável sobre possíveis acobertamentos de irregularidades, à vista da constatação do impedimento ao normal acesso aos elementos resultantes de suas operações, que precisam passar pelo crivo das autoridades fiscais sobre a sua legitimidade, que somente será possível com a disponibilização dos equipamentos, como computadores, e documentos próprios de suas atividades.
Na verdade, é patente o desespero dos petistas diante das investigações, que se manifesta, de forma visível, à vista da enorme dificuldade para assumir a responsabilidade por tantos e graves erros na administração do país, principalmente pela insistente tentativa de transferir a culpa de seus insucessos para o colo de quem não tem nada com o poder de agir em nome dos brasileiros.
A desastrada execução das políticas econômicas, na opinião da mandatária do país, tem a oposição com expressiva parcela de culpa, que fica dificultando as ações do governo, sob a alegação de ter perdido a eleição e não se conformar com a derrota, dando a entender que as mazelas que contribuíram para o fracasso da gestão pública tem contribuição de culpa da oposição, como se a ineficiência, incompetência e inépcia notórias e explícitas não tivessem o sinete e a marca indeléveis do petismo, que administra o Brasil como se ele fosse de sua exclusiva propriedade, embora os fracassos não lhe dizem respeito.
É lastimável que ex-presidente do país não tenha sensibilidade para entender que, em uma nação civilizada e séria, não pode haver senão expediente que contribua somente para a construção da dignidade, nobreza e verdade, não sendo nada edificante que demandas sejam encaminhadas e vencidas na base do grito, da prepotência e da ignorância, simplesmente para o atendimento de interesses e conveniências da classe dominante e de partidos políticos, em clara demonstração do péssimo nível por parte de quem defende a manutenção do status quo da pior qualidade que se consolida justamente com a omissão da verdade e da transparência, que não subsiste nos países desenvolvidos democraticamente. Acorda, Brasil!!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 08 de março de 2016