terça-feira, 16 de outubro de 2012

Em pleno expediente?

O governo federal garantiu que os ministros tinham sido orientados no sentido de que a sua participação na campanha eleitoral somente deveria ocorrer após o expediente do serviço público. Nenhuma orientação foi dada quanto à proibição do uso da máquina pública a favor do interesse partidário, considerando que, normalmente, a própria presidente da República, além dos ministros, assessores, seguranças, pessoal de apoio e demais membros da comitiva viajam em transportes oficiais, com tripulação remunerada pelos cofres públicos, por se tratar de deslocamento a serviço do Estado. No caso, o custo da farra governamental é debitado na conta dos bestas dos contribuintes, que assistem pacificamente o abuso com o dinheiro público. Contrariando a orientação governamental, no primeiro turno das eleições, a presidente da República participou, acompanhada da sua comitiva constituída de vários ministros, assessores etc., de comícios de candidatos amigos, em pleno horário de expediente, contrariando os princípios da administração pública. Curioso é que o secretário-geral da Presidência afirmou: ”Tirando a presidenta, que é uma outra questão, nós, os ministros temos tido muito rigor. No primeiro turno, todos nós fomos muito cuidadosos e vamos continuar. Esse é um dever básico da gente: de não misturar uma coisa com a outra”. E acrescentou: “A presidenta foi muito clara com a gente, como sempre, liberando naturalmente os ministros para que resguardadas as obrigações funcionais e com o cuidado de nunca usar nada de recursos públicos, os ministros possam apoiar os candidatos que julgarem merecedores de seu apoio agora nesse segundo turno”. Tudo que esse governo antiético diz é pura falácia, porque os fatos falam por si sós, contrariando suas enfáticas afirmações, como no caso em que a presidente já entra de cabeça na campanha do segundo turno, se deslocando, na última quarta-feira, em pleno expediente, para São Paulo, para tratar de nomes do governo federal no 2º turno. Com ela, estavam a bordo do avião presidencial os ministros da Educação, da Secretaria Geral da Presidência e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além de assessores especiais. Desta feita, o governo esclarece que “A presidenta viajou a São Paulo para reunir-se com o ex-presidente da República, a quem considera ‘um grande conselheiro’, como tem feito regularmente”. Fica claro que o governo utiliza recursos públicos para fins partidários, em gastos estranhos às finalidades de Estado, como se ele fosse propriedade do seu partido. O governo não pode ignorar que a lei determina que a aplicação do dinheiro público é permitida tão somente em atendimento às causas públicas. Compete aos órgãos de controle e fiscalização porem limites aos inadmissíveis abusos com os gastos públicos, fazendo com que os danos causados ao erário sejam reparados e os abusos similares sejam evitados. A sociedade não pode respaldar a prática abusiva de gastos sem o devido amparo legal, nem permitir que sejam inobservados, de forma descarada, os salutares princípios da administração pública. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 16 de outubro de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Feliz Dia do Professor

Hoje é um dia muito especial para a humanidade, por ser reservado à merecida homenagem ao professor, personagem mais importante nas nossas vidas, em matéria de ensino e aprendizagem, por participar também desde tenra idade da nossa formação moral e intelectual, sempre oferecendo, de forma incondicional, dedicação, carinho e amor inexcedíveis quanto à nobre missão de ensinar, na eterna busca da valorização do ser humano. Não há como identificar ou qualificar o menor ou maior grau de importância do professor, porque a sua contribuição é fundamental em todas as fases da educação, a começar do Jardim de Infância até a faculdade ou pós-graduação, quando todos os profissionais, ao seu devido tempo, são responsáveis pela colocação dos seus tijolinhos numa linda obra da engenharia do saber, que é imprescindível à conquista do conhecimento, pelo qual o ser humano se conscientiza de que, sem a participação do professor, jamais seria possível o atingimento da sua formação intelectual e a condição ideal para o desempenho de profissão específica e qualificada. Quem não se lembra dos seus professores ou pelos menos os mais marcantes? No meu caso, tenho boas, gratas e saudáveis lembranças das importantíssimas professoras da minha infância, no antigo Grupo Escolar Jovelina Gomes de Uiraúna/PB, em especial as excelentes professoras Expedita Veloso, muito exigente e disciplinadora, e Maria do Céu Fernandes, notadamente calma e competente. Não poderia deixar de mencionar a viva lembrança das diretoras e professoras Palmira e Lourdinha Bastos, pela dedicação e amor ao magistério. À toda evidência, é impossível se nominar os professores que contribuíram para a nossa formação nos bancos escolares, mas é facilmente concebível se reconhecer que, em todas as fases do ensino, a sua principal função foi a de professar a fé e a certeza de que o seu trabalho era valiosíssimo para o nosso crescimento intelectual, em consonância com a priorização da aprendizagem e de educação de qualidade. O certo é que todas as profissões são importantes para a história da humanidade, mas com certeza nenhuma se iguala à de professor, por ser exatamente da sua exclusiva responsabilidade a formação dos demais profissionais, razão pela qual a sua importância acresce de forma significativa e deve ser valorizada diante da nobreza para a existência do ser humano. Não há dúvida de que seria muito interessante se houvesse, por parte das autoridades públicas, o devido reconhecimento ao real valor da profissão de professor, à importância da sua atuação para a educação e ao seu esforço como verdadeiro sacerdócio ao bem do conhecimento e do saber. Não se compreende a formação intelectual e moral do ser humano sem a efetiva participação do professor, cuja atuação serve como meio essencial à indução e disseminação do conhecimento, da educação e da disciplina, motivando o nosso reconhecimento e a nossa imensa gratidão por sua contribuição. Esta data enseja não somente a oportunidade para a prestação das merecidas homenagens aos professores, mas também para os agradecimentos a eles, pela repartição de seus conhecimentos, pela colocação das ferramentas do saber nas nossas mentes, pela abertura de novos horizontes, com a satisfação dos ideais de aprendizagem, e pela devoção ao magistério, sempre com a postura ética de ensinar as boas lições do conhecimento, tanto da vida como do saber, mostrando os meios corretos do sadio aprendizado e descomplicando os caminhos árduos da educação. Parabéns, professor, pelo dia dedicado à sua homenagem.
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 15 de outubro de 2012

(750º texto postado)

domingo, 14 de outubro de 2012

Cadê a dignidade?

O Partido dos Trabalhadores, indignado com as condenações de seus caciques, demonstra descontentamento notadamente acusando "a oposição de direita e seus aliados da mídia de criminalizar" o partido.  No documento, é afirmado que "Não é a primeira vez, nem será a última, que os setores conservadores demonstram sua intolerância, sua falta de vocação democrática, sua hipocrisia, os dois pesos, duas medidas, os dois temas que abordam temas como liberdade de comunicação, o financiamento das campanhas eleitorais, o funcionamento do Judiciário; sua incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira. Mas a voz do povo encobriu a dos que vaticinavam a destruição dos Partidos dos Trabalhadores.". A manifestação enfoca e acusa questões pontuais, como intensa campanha promovida pela oposição de direita, com o objetivo explícito de criminalizar o PT, "setores conservadores" que "demonstram sua intolerância, sua falta de vocação democrática, sua hipocrisia, os dois pesos, duas medidas". Essa atitude do PT chega a ser odiosa, em especial por girar sua metralhadora contra tudo e todos, num momento importante em que filiados, aliados e colaboradores do seu partido são severamente punidos por crimes de corrupção e de irregularidades de múltiplas segmentações, em conformidade com as provas e os elementos robustos e palpáveis constantes dos autos de milhares de laudas do mensalão, evidenciando a monstruosidade dos delitos cometidos contra o país e a sociedade. Caso se tratasse de partido sério, honesto e observador dos princípios éticos e morais, certamente teria a humildade de se dignar reconhecer a "mea culpa", anunciar as medidas corretivas e punitivas contra os salafrários e corruptos e prometer que a agremiação será intolerante com aqueles que cometerem ilícitos contra a administração pública, sob pena da aplicação de punições severas e exemplares. A mensagem em comento mostra o alto grau de hipocrisia da cúpula petista, em decorrência da mais justa aplicação de penas a agentes públicos do seu partido, porque se os corruptos fossem de outra agremiação, nas mesmas circunstâncias, o PT por certo promoveria uma revolução capaz até de pedir o seu fechamento, alegando o ferimento de todos os princípios existentes de pureza moral. Na verdade, o documento em apreço não passa de amontoado de besteirol sem nexo, com mera tentativa de, mais uma vez, distorcer a realidade dos fatos, com lorotas inúteis e conversa da carochinha, para desvirtuar o cerne da questão envolta da maior gravidade, que se chama corrupção esquematizada pelos líderes do partido, matéria que ele se especializou para viabilizar a sua perpetuação no poder, não importando o indispensável respeito aos princípios éticos, morais e democráticos, que são essenciais quando diz respeito à gestão do patrimônio da sociedade. Urge que o povo brasileiro se informe melhor sobre as intenções e as manobras protagonizadas por partido político que, de maneira hipócrita e demagógica, faz-se de vítima e ataca indiscriminadamente para se defender sobre as irregularidades praticadas, quando deveria assumir a culpa pelos erros e os danos causados à nação. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 14 de outubro de 2012

sábado, 13 de outubro de 2012

Princípio ético para quê?

Segundo o Palácio do Planalto, a presidente da República recusou pedido de exoneração formulado pelo ex-presidente do PT do cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, depois da sua condenação pelo Supremo Tribunal Federa, por crime de corrupção ativa, no julgamento do processo do mensalão. A presidente, ao lamentar a situação dele, ante a sua estatura, respondeu ao titular da Defesa que não havia, àquela altura, nenhum motivo para a exoneração em apreço. Tão logo saiu a sua condenação, o ex-presidente disse que “Estou indignado. Uma injustiça monumental foi cometida! A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta, condenou um inocente" e "Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes. Não me envergonho de nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor, mais justo e soberano, como sempre fiz". Pelo menos ele teve o bom senso e equilíbrio racional de reconhecer que a sua presença no governo era totalmente incompatível com a dignidade e a honradez que se exigem dos servidores públicos, cujos cargos somente podem ser ocupados por pessoas reconhecidamente possuidoras de conduta ilibada e portadoras de Ficha Limpa, requisitos essenciais estes que ele certamente não preenchia, conforme revelam as robustas provas materiais e testamentais de corrupção constantes do processo do mensalão. De acordo com os elementos apurados e inseridos nesses autos, não parece que ele tenha agido com correção ao chamar os profissionais da imprensa de "urubus", como se ele fosse imaculado e tivesse noutro mundo quando o escândalo do mensalão implodiu, mas os fatos mostram que a sua participação nos acontecimentos era fundamental para que houvesse os empréstimos fraudulentos e ainda os repasses ilícitos de recursos aos companheiros parlamentares corrompidos, não parecendo ser possível que ele pose de "bom moço", quando o seu passado o condena com a pena razoável que acaba de ser materializada pela Suprema Corte de Justiça. O certo é que contra fatos não há argumentos em contrário, pois a falta de ética, as mentiras, a compra da consciência de parlamentares e, em suma, a corrupção não permitem a mínima ilação de que, sendo esse cidadão dirigente máximo do partido, não tenha participado das falcatruas e dado seu aval a tantas outras ou até mesmo que não tinha conhecimento do que estava acontecendo em nome do partido que dirigia. Somente um banana poderia permitir que a bandalheira tivesse lugar nas suas barbas e nenhuma medida teria sido esboçada para impedi-la. A intenção da presidente de mantê-lo no governo, até mesmo nas circunstâncias, além de demonstrar extrema bondade da companheira dos tempos das guerrilhas, deixa evidente o arraigado espírito de cooperativismo que existe entre os petistas, sindicalistas e aliados políticos assemelhados atuantes do governo, que foram incrustados nos órgãos e nas empresas estatais, como se eles fossem patrimônio do Partido dos Trabalhadores. A presidente da República deveria ter a dignidade de aproveitar a saída desse ilustre corrupto do seu governo e, numa só penada, enxugar a máquina pública, mandando para casa o restante dos servidores públicos que estão tão somente se aproveitando das benesses do Estado, às custas do povo brasileiro. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em12 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Decisão injusta?

Logo em seguida à sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mensalão, o ex-presidente do PT anunciou o seu pedido de exoneração do cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, dizendo que "Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes”, "Não me envergonho de nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor, mais justo e soberano, como sempre fiz" e “Estou indignado. Uma injustiça monumental foi cometida! A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta, condenou um inocente.". Não deixa de ser lamentável que o petista tente minimizar a profundidade dos malefícios causados pelo famigerado mensalão, do qual teve efetiva participação. O esquema criminoso consistia no desvio de recursos de empresas públicas para pagamento de propina a parlamentares, de forma orquestrada jamais acontecida na história do país. As provas constantes dos autos pertinentes não deixam dúvida quanto à participação do ex-presidente do PT no affaire, o que põe por terra qualquer tentativa de modificar o pacificado entendimento sobre o caso pelo Supremo Tribunal Federal, que não encontrou a menor dificuldade em concluir pela culpabilidade do referido cidadão. Por motivo de respeito ao povo brasileiro, ele deveria se dignar apresentar explicação sobre a sua atuação no caso, evitando oferecer discurso vazio totalmente inverossímil, recheado de elementos voltados à tentativa de mistificação do mensalão, como se ele fosse pura peça fantasiosa e ofensiva aos seus protagonistas, que seriam vítima de perseguição ou de campanha difamatória, com a finalidade de indispô-los contra a opinião pública. Na realidade, o desabafo em causa soa muito mais como instrumento de diminuição da capacidade de avaliação da sociedade e de falta de caráter de quem não tem argumento para justificar com provas probantes os fatos irregulares, cuja autoria lhe é atribuída com bastante convicção e certeza, tendo por base os elementos carreados aos autos do mensalão, que demonstram que o petista respaldou os procedimentos de arrecadação fraudulenta e a distribuição ilícita dos recursos aos parlamentares corrompidos, para atuar em prol dos objetivos do governo, contrariando os princípios da administração pública e da dignidade ínsita de quem é incumbido de gerenciar o patrimônio dos brasileiros. O ex-presidente do PT se diz indignado com a situação, mas, em verdade, no caso em tela, somente a sociedade tem o legítimo direito de se indignar diante do monstruoso desfalque causado aos cofres públicos e aos programas sociais, perversamente engendrado com a finalidade da compra de votos de parlamentares, por quadrilha insensível que encara agora, com a maior naturalidade, os acontecimentos criminosos, apenas externando seu lamento que as penalidades têm o condão de censurar importante projeto político do PT, ou seja, o esquema do mensalão insere-se no projeto político exitoso do governo, para mudar a situação do povo brasileiro. Enquanto a sociedade não se conscientizar de que realmente existem políticos hipócritas, demagogos, desonestos, mentirosos, enganadores, antiéticos e indignos de representá-la e defendê-la, jamais a inescrupulosa corrupção que grassa na administração pública será eliminada. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 12 de outubro de 2012

Revolução na ética, já!

O procurador-geral da República rebateu a declaração de ex-dirigente do PT de que o Supremo Tribunal Federal teria realizado julgamento de exceção, ao condenar, por maioria, o ex-chefe da Casa Civil, que afirmou: "Hoje (terça), a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção”, que foi condenado sem que os autos apresentassem provas contra ele e que vai "lutar até provar minha inocência". Na avaliação do chefe do Ministério Público, a reação do ex-ministro foi "Uma afirmação absolutamente despropositada. O Supremo Tribunal Federal tem, desde o início da tramitação do inquérito, se esmerado em assegurar aos acusados o devido processo legal, a observância de todos aqueles direitos e garantias previstos na Constituição. Longe de constituir um julgamento de exceção, constitui um exemplo magnífico de um julgamento feito em um tribunal de um país em que o Estado Democrático de Direito vigora". O procurador-geral ainda contestou as acusações feitas pelo ex-presidente do PT, também condenado por maioria pela Suprema Corte, por corrupção ativa, ao dizer que "Perseguição do Ministério Público jamais houve. Como se diz desde o início, é uma acusação solidamente baseada em provas. Não se fez qualquer afirmação leviana, mas uma acusação que é amparada fartamente pelos elementos que são provas dos autos". O ex-presidente disse que o PT teria sido vítima de uma "campanha de ódio" de setores da sociedade que "nunca aceitaram" a chegada do partido ao Palácio do Planalto. É natural que os petistas estejam desesperados após as punições sofridas, por terem a certeza da impunidade. Não há a menor dúvida de que as reações dos petistas não guardam conformidade com os elementos probantes dos autos, que evidenciam com segurança que o ex-tesoureiro do PT não teria condições de, sozinho e ao seu talante, desviar montanhas de dinheiros dos cofres públicos, negociar empréstimos fictícios etc. e os repassar, em quantias combinadas, às mãos dos parlamentares corrompidos. No caso, os superiores do ex-tesoureiro eram justamente o ex-ministro e o ex-presidente do PT, que participaram ativamente de reuniões com banqueiros e presidentes de partidos e deram palavras finais sobre as matérias deliberadas. Na verdade, os fatos mostram que quem foi vítima nesse imbróglio indecente foi a sociedade, que teve a desdita de acreditar ter elegido governo que se dizia ético, mas este a enganou com o calote eleitoral, ao defender política limpa, mas foi picado pela mosca azul do poder e danou-se a corromper políticos igualmente inescrupulosos, mediante pagamento de propina com dinheiros conseguidos por meios ilícitos, conforme as revelações da Corte Excelsa. Ao que parece, os petistas pensavam que o julgamento do mensalão seguiria os ritos e parâmetros vigentes nas Repúblicas nada democráticas, onde os corruptos nunca são condenados, por serem apenas considerados vítimas de “campanha de ódio” oriunda de parte da sociedade que “nunca aceitou” a tomada do poder pelos revolucionários. Urge que a sociedade se desperte da profunda letargia da cegueira política, como meio de compreender que a corrupção somente será combatida com o expurgo da vida pública dos políticos desonestos, indecorosos e mentirosos, que se diziam defensores da ética e da moral, mas, na realidade, cometiam ilícitos e corrompiam parlamentares para conquistar seus objetivos políticos. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 11 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Política com dignidade

Um profissional da limpeza urbana, depois de batalhar suando a camisa, pedalando durante o período eleitoral sobre uma bicicleta emprestada pelo primo dele, conseguiu com apenas seu esforço sagrar-se vitorioso à Câmara de Vereadores do Município de Coromandel, no Alto Paranaíba, tendo sido, pasmem, o candidato mais votado entre seus concorrentes. Não somente ele, mas todos seus amigos confessaram que não se trata de votos de protesto, mas sim de pura confiança nos seus propósitos de trabalho e na pessoa honesta e possuidora de ideias que são do agrado dos seus conhecidos, que afirmaram gostar muito da sua simplicidade e do seu espírito cooperativo. O gari foi eleito com 1.430 votos, 151 a mais que o segundo colocado. Ele disse que o custo da sua campanha eleitoral foi de somente R$ 1.400 e não gastou com mais nada, nem com gasolina, porque o combustível veio das suas pernas, cujo exercício físico aprimorou sua forma atlética para defender seus projetos com a higidez que pretende imprimir no seu novo trabalho. Segundo ele, suas preocupações principais são a melhora da saúde do povo e a criação de empregos, com a instalação de uma usina de reciclagem de lixo no município. Afinado com a sua profissão, ele adiantou que “De limpeza eu entendo. Eu quero entrar na Câmara Municipal para fazer uma limpeza também, porque eu quero Coromandel limpo”. No crucial momento por que passam alguns importantes políticos, que acabam de ser penalizados pelo Supremo Tribunal Federal, por terem cometido os piores e infames crimes contra a administração pública, desviando recursos públicos para finalidades espúrias e contrárias às causas da sociedade, não deixa de ser alvissareiro e alentador o belo exemplo que o povo de Coromandel dar ao país, ao eleger um profissional honrado e trabalhador para representá-lo, que promete retribuir a confiança depositada nas urnas com o sacrifício da sua dedicação laboral. A importância desse acontecimento pode servir para estimular o sentimento de brasilidade, de amor à honestidade e de defesa aos princípios éticos e morais, expurgando da vida pública a imundície dos políticos inescrupulosos, hipócritas, demagogos e aproveitadores das verbas públicas, muitos dos quais, mesmo sancionados por motivo de corrupção, tendo por base robustas provas materiais e testemunhais, ainda têm a cara-de-pau de bradar aos quatro cantos que o Judiciário puniu cidadãos inocentes e honestos. A história desse gari pode evidenciar que a população começa a se conscientizar que a política pode ser efetivamente proveitosa para a sociedade quando se acredita na capacidade de alguém que se propõe a trabalhar com dedicação, dignidade e vontade de solucionar os problemas da comunidade, com a simplicidade do homem comum, que apenas pensa em ser útil ao próximo. A sociedade se regozija com a eleição desse cidadão e almeja que a benfazeja lição da sua eleição contamine positivamente o país afora, para que a vocação de bem servir ajude a contribuir à melhoria das condições de vida do povo brasileiro, que já merece ser representado por políticos dignos, honestos e sobretudo respeitadores dos princípios éticos e morais. Acorda, Brasil! 
      
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 10 de outubro de 2012