segunda-feira, 4 de julho de 2016

Exemplos de gastos supérfluos


         Conforme matéria publicada na imprensa, o Ministério da Defesa estuda a possibilidade de aumentar a quantidade de militares das Forças Armadas no Rio de Janeiro, enquanto se realiza a Olimpíada, naquele estado.
O compromisso já firmado entre as autoridades havia estabelecido a participação de 38 mil militares, para a prestação de segurança pública durante os jogos olímpicos, sendo que 20 mil homens trabalham nos quartéis do Rio de Janeiro, mas o governo do Estado considerou necessário mais apoio de militares.
As Forças Armadas estão estudando o pedido em apreço, cuja decisão diz respeito à competência constitucional do presidente da República, tendo por base as avaliações estratégicas sobre as condições de trabalho da tropa, principalmente quanto à forma, se total ou parcial com relação ao efetivo solicitado, e ainda sobre a responsabilidade dos custos decorrentes.
O Ministério da Justiça disse que não vai divulgar quantos homens das Forças Armadas estarão disponíveis para atuarem durante a Olimpíada, tendo apenas informado que a Força Nacional tem quantidade suficiente para cumprir as atribuições estabelecidas de segurança pública.
Por seu turno, o ministro dos Transportes defendeu o reforço na segurança dos aeroportos e lembrou do atentado terrorista na Turquia, ao afirmar que “Quando acontece o que aconteceu em Istambul e em Bruxelas, que foram atentados realizados em áreas públicas dos aeroportos, isso é claro que acende uma luz amarela para o governo e para as pessoas que vão frequentar as olimpíadas. Vamos pedir que haja maior fiscalização nas áreas públicas dos aeroportos. Isso será feito junto ao Ministério da Justiça”.
À vista do alto índice de criminalidade, com a matança de inocentes e a banalização de roubos, assaltos etc., que transformaram a Cidade Maravilhosa em um lugar impróprio para a convivência do ser humano, fica a clara demonstração da incompetência administrativa e da irresponsabilidade por tal estado de precariedade na segurança pública, ante a omissão quanto às priorizações das políticas públicas, principalmente com investimentos maciços na segurança pública, com o objetivo exclusivo de eliminação  da bandidagem que se especializou em grupos e quadrilhas, com capacidade para superar as forças policiais.
Trata-se da evidência da falta de incompetência das autoridades incumbidas das políticas de segurança pública, ao pedirem socorro emergencial para o atendimento de remédio para tratar de chaga social que sangra há muito tempo, ficando a certeza de que essa desgraça da criminalidade há de perdurar depois da Olimpíada, quando todos os esquemas de ultrassegurança serão desarticulados, deixando a sociedade à mercê da criminalidade, justamente por falta de recursos materiais e financeiros que foram carreados de forma injustificada na organização  do evento, que ultrapassam dos 40 bilhões de reais.
Se o Brasil fosse um país sério e se seus governantes tivessem um mínimo de responsabilidade pública, jamais teriam assumido a incumbência da realização de grandes eventos mundiais como a Copa do Mundo de Futebol e a Olimpíada, por serem empreendimentos megalomaníacos que sorveram recursos de imensurável quantidade, que teriam real e justificável aplicação em obras públicas necessárias ao atendimento das carências da população, que não participa de evento algum e vai continuar passando pelas terríveis agruras diante da precária prestação de serviços públicos, que poderia, ao menos, ter sido minimizada se a montanha de recursos públicos tivesse sido carreada para obras em benefício dos brasileiros carentes e desassistidos.
Convém que os governantes se conscientizem, com urgência, de que é preciso repensar suas retrógradas e deletérias políticas dissonantes da realidade brasileira, quando as carências gritantes imploram por prioridades que jamais são atendidas, principalmente porque sempre existem empreendimentos atendidos para o gáudio de homens públicos despreparados, incompetentes, populistas, prepotentes, egoístas e ávidos pelo reconhecimento de algo pessoal que se traduz absolutamente em tudo muito bem distante da realização da finalidade pública, em prejuízo do verdadeiro sentimento de interesse público, que é a materialização do bem comum, cujos eventos da Copa do Mundo de Futebol e da Olimpíada são exemplos cristalinos dessa triste realidade de desperdício.
Os brasileiros precisam avaliar, com o maior cuidado, o resultado da gestão dos homens públicos, com vistas ao seu aproveitamento em prol do interesse público, quanto à efetividade das realizações em benefício da população, como forma de se concluir sobre a sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico, levando-se em conta os gastos supérfluos e os desperdícios de recursos públicos em eventos que não atendem diretamente ao interesse público, notadamente as carências sociais. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 04 de julho de 2016

O extremo da irresponsabilidade


A pouco mais de um mês para a Olimpíada no Rio de Janeiro, o caos impera em todo lugar, a começar dos problemas envolvendo as obras, que ainda estão sendo tocadas em muitos setores, mas o medo e a insegurança de atletas estrangeiros têm sido destaques na imprensa internacional, que agora, ainda mais, se potencializa com a imagem que está sendo passada no exterior, pelo site Business Insider, que publica texto simplesmente aterrorizante para quem visita outro país, com o título "Bem-vindo ao inferno: Rio é um desastre poucas semanas antes das Olimpíadas".
Na visão do texto, a poucos mais de um mês do evento, a situação da cidade-sede da Olimpíada, o Rio de Janeiro, é crítica e se apresenta de mal a pior, tendo como grave exemplo "Entre protestos da polícia e outros trabalhadores, atletas de alto nível desistindo por causa do medo com o Zika e os banhos da praia de Copacabana, onde o evento de vôlei de praia irá ocorrer, há sérias preocupações sobre segurança básica quando se trata dos jogos de verão".
A publicação ressalta as greves de policiais no Rio de Janeiro, com afirmação de que a corporação está avisando os turistas que "a sua estadia não será muito agradável" durante os jogos.
O site Business Insider destaca a grave situação econômica do estado, enfatizando a falta de recursos para a garantia de serviços básicos para a população e turistas, o que constitui motivo de preocupação para os participantes do evento.
A publicação afirma que "Tudo isso poderia levar a mais problemas e fazer muitos espectadores e atletas reconsiderarem assistir ou participar dos jogos".
Em conclusão, há alusão à frase dita pelo governador do Rio de Janeiro, no sentido de que "estou otimista sobre os jogos, mas eu tenho que mostrar a realidade. Nós podemos fazer uma grande Olimpíada, mas se algumas medidas não forem tomadas, pode ser um grande fracasso".
A sincera opinião do governador do Rio de Janeiro não poderia exprimir melhor a verdadeira situação de incerteza que se mostra o quadro delineado no momento que se antecipa à Olimpíada, que pode ficar para a história, diante das precariedades ainda existentes.
O governo brasileiro, que é o mentor e idealizador desse absurdo evento, pode pagar muito caro por sua incompetência de ter assumido a realização de megaevento, sem que suas estruturas fossem suficientemente capazes para oferecer as infraestruturas necessárias, principalmente no que se refere à plena segurança pública, que realmente pode ser comparável às estruturas do inferno - ante as frequentes incidências de violência - como vem sendo assim qualificado por agentes da segurança pública, conforme o alerta em foco.
A notícia em comento é da maior gravidade porque ela parte de especialistas que são autoridades para fazerem o alerta que está sendo disseminado pela internet, em momento crucial por que passa, a poucos dias da Olimpíada, a Cidade Maravilhosa, que se encontra completamente dominada pela criminalidade aterrorizante da sua população.
A situação é tão crítica que o governo federal está investindo montanha de recursos, quase três bilhões de reais, somente para o fortalecimento da segurança pública, que atingiu o extremo da precariedade no seu funcionamento, cujo socorro financeiro, como se sabe, é emergencial e tem a finalidade de tapar a grave crise com a peneira, porque as medidas adotadas agora são em caráter precário, tendo serventia somente no período da Olimpíada, ficando a população, depois desse evento, à mercê da bandidagem e da insegurança de sempre ou ainda pior.
Trata-se de tremenda irresponsabilidade por parte dos homens públicos que assumiram a realização de empreendimento de grandiosa envergadura mundial, sem os indispensáveis estudos de impactos social e econômico, à vista da indiscutível existência de gritantes deficiências e insuficiências de toda ordem, principalmente financeira e estrutural.
Os recursos despendidos na Copa do Mundo de Futebol e na Olimpíada poderiam se destinar à realização de obras nacionais, com vistas à exclusiva satisfação das carências básicas da população, que não participa de nenhum dos eventos e continuará sendo castigada com as notórias precariedades dos serviços públicos prestados pela incompetência do Estado brasileiro.
Conviria que os idealizadores e executores de megaeventos inúteis, dispendiosos e desnecessários devessem ser responsabilizados por obras absolutamente contrárias ao interesse público, fato este que serviria de lição pedagógica para os futuros administradores públicos, para que fossem conscientizados sobre a imperiosa necessidade da priorização das ações e políticas públicas para a realização de serviços e obras destinados com exclusividade ao atendimento do interesse da sociedade e do bem comum, enquanto não forem resolvidas as aflitivas e angustiantes carências da população, no que diz respeito à melhoria da saúde, educação, segurança pública, do saneamento básico, da infraestrutura etc. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 04 de julho de 2016

domingo, 3 de julho de 2016

Tesoureiro, o temor?


Nos idos de 2005, quando da descoberta das ligações entre o então responsável pelas finanças do Partido dos Trabalhadores e o empresário que deu início ao mensalão, processo que levaria à ruína líderes históricos do PT, como o ex-ministro da Casa Civil e o então presidente do partido, o delator desse famigerado caso teria alertado o então presidente da República nestes termos: "Presidente, o Delúbio vai botar uma dinamite na sua cadeira.”.
O tempo passou, mas a palavra "tesoureiro" somente tem a capacidade de provocar calafrios nos dirigentes e militantes do PT, a exemplo do que vem acontecendo, na atualidade, com a persistente Operação Lava-Jato, uma espécie de eterno pesadelo que se transformou em realidade que incomoda toda cúpula do PT, com a terrível situação do tesoureiro que assumiu a tesouraria do PT em 2010 e está preso desde 2015.
Ele tem sinalizado que pode fazer delação premiada, para se livrar da prisão, a qual tem sido considerada pelas autoridades como de fundamental importância para montar o quebra-cabeça de drenagem de recursos da Petrobras para irrigar as contas do PT e de suas campanhas.
Esse fato tem tirado o sono das lideranças petistas, diante da possibilidade de as revelações de seu ex-tesoureiro mostrarem a verdade sobre a podridão ética e moral que vêm sendo escondida sob as ridículas alegações de que os recursos recebidos pelo partido seguem rigorosamente a regularidade para a espécie.  
Desta feita, outro ex-tesoureiro, o que foi sucedido pelo que se encontra preso, que ocupou o cargo de 2005 a 2010, se transforma oficialmente em alvo da Operação Lava-Jato. O nome dele já havia sido citado no depoimento de um empreiteiro à Justiça Federal, em março de 2015. Agora, ele é alvo de mais nova fase da operação. Ele é considerado o homem-ponte entre o mensalão e o chamado petrolão, o esquema na Petrobras.
Antes mesmo da conclusão das investigações e dos veredictos da Justiça, a inclusão definitiva desse ex-tesoureiro entre os alvos da Lava-Jato mostra que, para além dos nomes e dos personagens, o cargo de tesoureiro do PT embutia uma função estratégica num sistema pré-estabelecido pelo partido e suas engrenagens de financiamento, assumindo, com isso, a inevitável função de fiel depositário de paiol de dinamite que pode explodir a qualquer momento.     
Por sua vez, parece bastante estranho que o PT se assuste com a simples palavra tesoureiro, que é o guardião da dinheirama do partido, que tem se manifestado, sempre quando há denúncia de propina em favor dele, no sentido de que os recursos por ele recebidos são legais, porque registrados na sua contabilidade e aprovados pela Justiça Eleitoral, tudo em consonância com as normas de regência.
Diante disso, é inadmissível que o partido se preocupe com a figura do tesoureiro, porque isso dá a ideia de que pode ter algo errado ou ilegítimo na atuação dele.
É verdade que quem não deve não teme, mas o temor do PT denuncia a sua falta de convicção quanto à legalidade do funcionamento da sua tesouraria, principalmente à vista da situação representada por seus tesoureiros, que foram condenados, sendo que um se encontra preso, mas, nos casos denunciados, não houve nenhuma contestação com elementos irrefutáveis e convincentes, apenas as mesmas alegações de praxe, de que o partido somente recebe doações legais. 
Urge que a sociedade exija que os partidos políticos sejam obrigados a prestar contas sobre as doações e financiamentos de campanha, de modo que a legitimidade do procedimento seja confirmada com a indicação da fonte dos recursos, mediante documentos idôneos, independentemente dos registros contáveis pertinentes e das informações à Justiça Eleitoral sobre os gastos realizados. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 03 de julho de 2016

Investimentos inúteis


O laboratório antidoping do Brasil, construído e equipado especialmente para os jogos olímpicos, com o investimento da ordem de R$ 188 milhões, é descredenciado às vésperas do evento, fato que tem o condão de manchar ainda mais a imagem do Rio de Janeiro, como anfitrião do empreendimento esportivo, bem assim do Brasil, que o patrocina.
A suspensão é por tempo indeterminado, exatamente porque o laboratório não conseguiu atingir os padrões internacionais de controle de dopagem, cujo acontecimento representa mais um duro golpe para a imagem cada vez mais turvada do Rio de Janeiro, que passa por maior desconfiança quanto aos quesitos de segurança e saúde públicas, em especial acerca da incidência da zika.
          O Laboratório Brasileiro de Controle Dopagem (Ladetec), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve a intervenção da Agência Mundial Antidoping (Wada), que, apesar dos esforços do governo, alegou que o laboratório que faria as análises das amostras dos atletas não conseguiu atingir o necessário padrão de qualidade para evento da magnitude da Olimpíada.
Diante disso, o Brasil pode até recorrer da decisão, no prazo de 21 dias, com vistas à reversão da medida em apreço e à autorização para o exame de aproximadamente 5.500 amostras dos atletas, que poderão ser processadas provavelmente no Canadá ou na Suíça, ao meio da terrível burocracia tupiniquim, nos anacrônicos aeroportos, embora com suas modernas instalações.
O mesmo laboratório já havia sido suspenso em 2013, por não ter espaço e equipamentos adequados às normas da Wada e por cometer três erros em testes. Com vistas a servir ao evento, o governo federal injetou 188 milhões em uma reforma completa do local, que aumentou em quatro vezes, dobrou o quadro de técnicos e comprou dezenas de novos equipamentos, mas os esforços foram em vão, em indiscutível demonstração de incompetência administrativa, que gasta muito e mau, como no caso em comento, em que o laboratório não passou no exame de qualidade, apesar de tanto tempo para se aos padrões exigidos pelos órgãos de fiscalização.
O diretor da Wada afirmou que, "Enquanto isso, vamos trabalhar em estreita colaboração para resolver o problema", tendo prometido fazer o transporte seguro de todas as amostras que estão no Ladetec, que deverão ser analisadas em outro laboratório credenciado pelo mundo: "Os atletas podem ter certeza de que a suspensão só acabará quando o laboratório estiver otimizado e que a melhor solução será adotada para garantir a lisura das análises feitas durante os Jogos".
Na época da Copa do Mundo de 2014, com o Ladetec suspenso, as amostras das urinas dos jogadores foram enviadas à Suíça, cujo custo da operação foi suportado pela Fifa, mas, agora, ainda não foi definido quem vai arcar com mais essa pesada fatura, que poderia ter sido evitado se a incompetência tupiniquim não tivesse operado com a sua maestria de sempre.
Além do vexame patenteado com o descredenciamento em laboratório em referência, também houve gigantesca derrota da organização dos jogos olímpicos, quando foi descumprida a promessa de despoluição da Baía de Guanabara, que compreendia a minimização da sujeira das águas em até 80%, fato que poderia ter abrandado a fúria da imprensa internacional, que fez ácidas críticas sobre o uso do local com tanta poluição, o que poderá contribuir para a confirmação da agência Associated Press, que chegou a divulgar detalhado estudo mostrando alta presença de vírus conhecidos por causar doenças estomacais, respiratórias e outras, incluindo diarreia aguda e vômitos, nas águas da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas.
A situação de clara precariedade de funcionamento das instituições de apoio aos jogos olímpicos demonstra exatamente as más condições existentes no país para sediar uma Olimpíada e outros eventos de grande porte, principalmente porque existem muitas prioridades que são ignoradas pelo governo, que preferiu se esforçar para promover evento megalomaníaco, sem ter as mínimas condições econômicas para tanto, preterindo as carências dos brasileiros.
O descredenciamento em tela tem o condão de mostrar ao mundo, com letras garrafais, que o Brasil deu passos precipitados, além de suas condições, ao assumir a realização de evento de suma importância mundial, sem que sejam atendidos os requisitos indispensáveis ao pleno funcionamento, como no caso do laboratório antidoping, cujos exames pertinentes passam a ser realizados fora do país, o que é lamentável e inadmissível, diante dos investimentos jogados pelos ralos do desperdício.
Compete à sociedade repudiar, com veemência, as trapalhadas, os desperdícios, as incompetências e as desastradas gastanças que foram realizadas com o projeto da Olimpíada, por ficar bastante claro que houve exorbitância na destinação de recursos para empreendimentos que certamente não vão atender ao interesse público, em verdadeiro desvio de finalidade da vinculação dos gastos públicos, que devem atender à satisfação das causas da população. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
          Brasília, em 03 de julho de 2016

sábado, 2 de julho de 2016

Repúdio às manifestações egoístas


O tão fiel petista ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República admitiu erros do governo da presidente afastada, na condução econômica e política.
O petista fez o mea culpa e aproveitou para criticar o PMDB e o presidente em exercício, tendo afirmado que “É importante reconhecer que nosso governo cometeu erros. Erramos na condução da economia e na condução da política”.
O petista afirmou que “Nenhum desses erros, no entanto, foi maior do que o de ter feito aliança com o grupo político que se encontra no poder. Quando firmamos a aliança com o PMDB, jamais imaginávamos que estaríamos nos unindo a um vice traidor e usurpador. Jamais poderíamos imaginar que estaríamos nos aliando a um grupo que se revelou o que há de mais conservador na política brasileira”.
          Custa acreditar que petista autêntico venha a público admitir que seu governo cometeu erros na condução de algo, uma vez isso não faz parte de seu ideário de reconhecer suas falhas, embora elas tenham sido da maior gravidade possível, com a capacidade de causar ruína e destruição do país, em termos econômicos.
          Mas o petista não deixa dúvida de que os piores e mais graves erros, que conduziram o país à tragédia generalizada, com destaque para a econômica, não têm a menor importância porque, na opinião dele, o erro capital foi "a aliança com o grupo político que se encontra no poder", exatamente por ter sido o mesmo grupo que deu sustentação, por todo tempo, ao governo do PT, que jamais havia visto nele qualquer mácula, motivo ou suspeição de absolutamente nada errado enquanto havia coesão e participação solidária na consecução de seus mútuos objetivos políticos, notadamente no período que funcionou a dominação política e a estabilidade do poder.
É lamentável que o país ainda tenha que suportar político com mentalidade tacanha que enxerga seus erros somente quando seus objetivos são drasticamente contrariados, ou seja, no caso, se o PMDB se mantivesse firme no governo do PT, jamais o ex-ministro seria capaz de vir a público com a cara mais deslavada para admitir os gravíssimos erros de seu governo, que sempre foi considerado pelos petistas e seus inacreditáveis seguidores a melhor gestão do mundo, apesar dos negativos e prejudiciais indicadores, notadamente econômicos.
À toda evidência, o país se encontra atolado em abissal mar de tudo que é ruim e desaconselhável para uma nação com o potencial econômico como o Brasil, que jamais poderia estar onde se encontra se a gestão petista não tivesse se distanciado dos saudáveis princípios da modernidade, competência, eficiência, economicidade, transparência, moralidade, entre outros que permitiram que o país fosse empurrado impiedosamente para o retrocesso social, político, administrativo, econômico etc., sem que ninguém tivesse sido responsabilizado por tamanha incompetência administrativa.
As aludidas dificuldades são absurdamente representadas pela recessão econômica, pelo desemprego, pelos juros altos, pela inflação galopante, pelas dívidas públicas impagáveis, pelo descrédito dos investidores, pelas alianças espúrias, pela incompetência gerencial, pela desindustrialização, pela falta de competitividade, pela inexistência de investimentos público e privado, entre tantas mazelas que retiraram completamente o vigor de reação em rumo à retomada do desenvolvimento, tão ansiado pelos brasileiros.
          Urge que os brasileiros, no âmbito da sua responsabilidade cívica, repudiem, com veemência, as manifestações de homens públicos que, de forma egoísta, reflitam nitidamente defesa de interesses pessoais ou partidários, com indiscutível viés em dissonância com a realidade dos fatos, que mostram claramente a reação política somente em razão da perda do status quo e principalmente da dominação política e do poder, sem a mínima demonstração quanto aos objetivos e às causas nacionais. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 02 de julho de 2016

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A frustrante demora


A força-tarefa que investiga os casos objeto da Operação Lava Jato encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral farta documentação sobre as movimentações financeiras suspeitas do marqueteiro das campanhas eleitorais da presidente da República afastada (2010 e 2014) e do antecessor dela (2006).
A referida documentação tem por finalidade subsidiar o exame da ação movida pelo PSDB na Corte eleitoral, acerca da impugnação dos mandatos da presidente afastada e do presidente interino, na qualidade de vice-presidente, que integraram a chapa vencedora da última eleição presidencial.
O acervo remetido ao TSE é composto de 78 documentos, incluindo os comprovantes de pagamentos que somam quase 7 milhões de dólares nas contas da offshore Shellbill Finance, mantida pelo mago das campanhas petistas e sua mulher, que deram origem a ação penal da Operação Lava-Jato contra o casal marqueteiros perante o juiz de Curitiba.
Os depósitos na conta do marqueteiro e da sua esposa, no exterior, foram feitos pelo operador de propinas do estaleiro Keppel Fels e duas offshores da empreiteira Odebrecht, cujos documentos deverão ser utilizados como prova emprestada e podem ser utilizados para complementar a ação em curso na Justiça Eleitoral.
À medida que vão surgindo novas revelações a cargo das investigações da operação em apreço, as informações pertinentes são encaminhadas imediatamente para o TSE, que já havia recebido, em fase anterior, 165 documentos da operação envolvendo, basicamente, delações acerca de doações ao PT, provenientes do esquema de corrupção com sede na Petrobras.
Os compartilhamentos de documentos visam ao atendimento de pedidos formulados pelo TSE, com vistas ao exame na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), movida pela chapa derrotada na eleição presidencial de 2014, os quais, por comprarem os pagamentos irregulares de cerca de 7 milhões de dólares ao marqueteiro da campanha, têm o condão de levar à cassação do mandato da presidente afastada e o do presidente em exercício, à vista da indiscutível infringência às normas eleitorais vigentes.
Causa enorme perplexidade sempre que se noticia o encaminhamento de documentos da Lava-Jato aos Tribunais Superiores, diante da lamentável constatação de não se ter conhecimento sobre a sua tramitação e muito menos a sua finalidade e as providências decorrentes, notadamente quando se sabe que o seu conteúdo tem o substancial peso de incriminar os envolvidos, mas nada acontece e os fatos vão se amontando e a impunidade se ampliando de forma extraordinária.
Nos países sérios e evoluídos econômico, político e democraticamente, os fatos são apurados e as questões são resolvidas rapidamente, exatamente em consonância com a sua importância para a sociedade e o país, que precisam recuperar, com a devida urgência, os prejuízos ao ordenamento jurídico ou ao patrimônio da nação ou dos cidadãos, diferentemente do que acontece no país tupiniquim, quando as demandas chegam até a prescrever, perdendo objeto os fatos inquinados de irregulares, a exemplo do caso em exame, em que não deve ser julgado antes do término do mandato dos denunciados, que ficam no cargo sem ser incomodados e muito menos condenados por seus crimes eleitorais.
Diante das circunstâncias, a sociedade fica cada vez mais frustrada com a demora na resolução dos casos submetidos à incumbência dos Tribunais Superiores, que não conseguem impor as necessária e devida dinâmicas que a sociedade anseia e espera, exatamente porque já foram esgotadas há bastante tempo as esperanças de que os casos de irregularidades sejam apurados e julgados de forma célere, tempestiva e prioritária, em atendimento aos interesses nacionais, que exigem eficiência e competência no cumprimento das missões constitucionalmente instituídas justamente para satisfazer o desiderato de fazer justiça, que se torna precária e deficiente quando demora de forma injustificável. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 1º de julho de 2016

Inúteis megaeventos


A exemplo da enxurrada de críticas que foram feitas à realização da Copa do Mundo de Futebol, agora é a vez da Olimpíada dá goleada de contestações da sociedade sobre os absurdos gastos com os preparativos, que já ascendem à cifra de R$ 39 bilhões, em obras que têm restritas benfeitorias para a população.
Os fatos se repetem com a confirmação de obras superfaturadas, a correria para a realização de projetos em execução e o bate-cabeças de sempre, no afã de concluir tudo antes da abertura dos jogos.
Também não chega a ser novidade que o governo federal tem tido a oportunidade de dá seu show à parte, na presteza quanto à liberação de recursos para o empreendimento, que se mostra mais do que solícito, como agora, quando acaba de repassar ao governo do Rio de Janeiro a quantia de R$ 2,9 bilhões, para a segurança e organização do evento.
O aludido socorro financeiro àquele estado é feito em atendimento às queixas dele de que seu caixa se encontra vazio e totalmente impossibilitado de assumir qualquer gasto, à vista da decretação de estado de emergência, em demonstração de completa falência.
Por ocasião da Copa do Mundo de Futebol, o governo petista se orgulhava de ter reformado ou construído belíssimos estádios, para mostrar ao mundo a sua competência na realização de megaeventos esportivos, mas o resultado de todo esforço foi para o espaço, diante da enorme dívida para com a população, porque as obras verdadeiramente importantes deixaram de realizadas, em que pese a estapafúrdia gastança com o empreendimento que contabilizou somente fracasso e decepção para os propósitos do governo, até mesmo com as pífias e melancólicas atuações da Seleção Canarinha, que se despediu da copa sob ruidosas e humilhantes derrotas.
Enquanto isso, a equipe da presidente afastada poderia ter aproveitado não somente as excelentes experiência e capacidade hauridas na execução de reforma e construção de estádios e a realização de megalomaníacos eventos inúteis, dispendiosos e inaproveitáveis pela população, por deixarem de atender ao interesse pública, além da montanha de recursos gastos neles para a construção de obras realmente compatíveis com a realidade brasileira, como hospitais, escolas, creches, estradas, portos e tantas outras obras prioritárias e essenciais à assistência e ao desenvolvimento sociais.
Como se sabe, muitos estádios estão servindo agora para absolutamente nada, apenas representando verdadeiros elefantes brancos, mas consumindo recursos públicos para a sua onerosa manutenção, como é o caso do estádio de Brasília, que é apenas utilizado esporadicamente por times de fora, ficando sempre inutilizado.
Afora isso, ainda tem o histórico de inúmeras obras inacabadas que continuam entulhando as grandes cidades, as quais foram abandonadas por falta de recursos.
Cabe à presidente afastada explicar e justificar junto à sociedade o tanto de obras prioritárias que foram prometidas para a copa, mas deixaram de ser realizadas, embora já tenham sido depositárias de bastante recursos, mas estão paralisadas, e outros importantes projetos que sequer foram iniciados, apesar da promessa da sua execução.
À toda evidência, fica muito claro que o governo petista, mentor desses megaeventos, demonstrou, com a realização parcial de obras, plena incompetência administrativa, exatamente por ter deixado de priorizar projetos e atividades de interesse da população, sendo obrigado a aplicar recursos públicos em empreendimentos que não atendem diretamente ao interesse público, ficando a população prejudicada pela inexistência de obras para a sua utilização, como hospitais, escolas, estradas etc.
No fundo, o governo não pode e não tem direito algum de se vangloriar a propósito da realização de eventos grandiosos, dispendiosos e absolutamente desnecessários para a realidade brasileira, por se tratar de país altamente carente de obras públicas e de muitas realizações essenciais à satisfação das carências sociais, que certamente poderiam ter sido atendidas caso os governos petistas tivessem o mínimo de sensibilidade e responsabilidade com o estabelecimento de prioridade quanto às políticas públicas, que devem privilegiar exclusivamente a satisfação social e somente, após isso, poder-se-ia pensar em outros empreendimentos dispensáveis, inúteis e próprios de nações superavitárias, livres da miserabilidade social existente no Brasil.
Os brasileiros precisam exigir que o governo empregue a mesma quantidade de bilhões de reais em obras e melhorias em efetivo benefício da sociedade, que não concorda com a gastança para a realização de megalomaníacos eventos totalmente incompatíveis com a realidade da população brasileira, que não suporta mais pagar escorchantes tributos para tanto desperdício em empreendimentos dispendiosos e inaproveitáveis. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 1º de julho de 2016