quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mentalidade involuída

Segundo o ex-presidente da República petista, “O Japão é um país de primeiro mundo. Mas não ganhou um jogo sequer na Copa do Mundo. Primeiro perdeu da Costa do Marfim, depois empatou com a Grécia e, por fim, levou uma goleada da Colômbia. O problema do Japão é que eles só pensam em educação e saúde. Se investissem também em futebol ainda estariam na copa”. Ele ainda disse que “O Japão poderia ter evitado uma vergonha dessas. Ser desclassificado na primeira fase foi demais para um país que deu ao mundo o Pikachu e o Jaspion”. Trata-se de declaração de autoridade bastante infeliz e completamente destoada da realidade do contexto mundial, principalmente porque os fatos invocados e analisados pelo petista não servem para qualquer juízo de valor sobre o desempenho de seleção de futebol. Veja-se que, por exemplo, a Alemanha, França, Holanda, Bélgica investem e privilegiam a educação e saúde e nem por isso têm seleções fracas. Em contraposição, muitos países que investem muito pouco em saúde e educação não tiveram sucesso na copa, sendo igualmente desclassificadas como o Japão. O pronunciamento do petista não constitui nenhuma surpresa, porque ele guarda coerência e harmonia com o seu pensamento estreito, extemporâneo e normalmente dito em momento inoportuno, mas sempre com a finalidade de justificar as cristalinas precariedades da administração tupiniquim, que fraquejam e decepcionam quanto à falta de prioridade e de investimentos não somente na educação e na saúde, mas, sobretudo, na segurança pública, nos transportes, na infraestrutura, no saneamento básico e nos demais programas inerentes às políticas públicas, cujas omissões e deficiências prejudicam diretamente a sociedade, que deixa de se beneficiar dos serviços públicos de qualidade que faz jus, ante os escorchantes tributos que ela é compelida a pagar. Não há a menor dúvida de que a declaração do ex-presidente não contribui para o aprimoramento da democracia, em face de demonstrar forte crítica sobre assunto alheio à sua competência, por se imiscuir na autonomia de país ano-luz desenvolvido em relação ao país tupiniquim, em termos tecnológicos e gerenciais, inclusive no que diz respeito à sua administração pública, onde a corrupção é tratada com absoluta intolerável e quando há algum caso de irregularidade o envolvido é exemplarmente punido com penalidades duras e exemplares, como forma pedagógica de servir de lição para se evitar casos semelhantes, diferentemente do que ocorre no país governado pelo partido do ex-presidente, onde os criminosos condenados pelo Supremo Tribunal Federal, com base em documentos e provas robustamente coligidas aos autos pertinentes, foram, de forma absurda e estranha, aplausos com veemência por seus correligionários, que os qualificaram como verdadeiros heróis nacionais, a ponto de terem suas multas pecuniárias quitadas pelos companheiros, em processo de mutirão jamais visto na história do país. É lamentável se verificar que, em pleno século XXI, ainda carecer dignidade aos homens públicos, que deveriam evitar se manifestar sobre assunto que pode até comprometer as relações comerciais e de amizade com as nações amigas, principalmente quando elas estão disparadas na dianteira de todos os conceitos da administração pública, não somente quanto aos conceitos da competência, mas, sobretudo, da ética, da moralidade, do decoro, da honestidade, da legalidade, da eficiência, da eficácia e dos demais princípios humanos, aliás, pouco observados por muitos políticos tupiniquins, que preferem sentar sobre suas deficiências e criticar indevidamente quem trabalha com responsabilidade e capacidade. As manifestações do líder petista fazem lembrar célebre provérbio segundo o qual “Cada um dá o que tem”, o que significa dizer que não se pode esperar de alguém aquilo que está acima de suas possibilidades, méritos ou virtudes. Urge que a sociedade se conscientize de que o país não tem condições de se desenvolver social, econômica, política e democraticamente se insistir prestigiando políticos com mentalidades retrógradas e também focadas em assuntos estranhos à sua competência e que não contribuem para o engrandecimento das relações internacionais, como essa de censurar as políticas de país amigo. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 09 de julho de 2014

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa das copas na gestão pública

É induvidoso que os possíveis pessimistas que apregoavam o apocalipse no país, por ocasião da Copa do Mundo, deveriam ter se fundamentado na notória precária capacidade do governo na condução das políticas públicas, à vista da decadente prestação dos serviços públicos, evidenciada na educação, que é de péssima qualidade, se comparada aos países desenvolvidos, cujos alunos já ingressaram há muito tempo do ensino com o auxílio da informática e o acesso ao mundo virtual; na saúde pública, que ainda se conforma com as mortes de seres humanos nos corredores dos hospitais, ante o sucateamento dos recursos pessoais e materiais; na segurança pública, com o visível despreparo do policiamento e do disparate do seu armamento em relação aos utilizados pelos criminosos; no gigantesco distanciamento do governo das questões essenciais que afetam a sociedade, causadas justamente pela completa falta de prioridades quanto às políticas públicas; além do desastroso desempenho da equipe econômica, à vista dos pífios resultados obtidos pelo governo. Pode até ser verdade que quem vaticinou o caos perdeu com alguma coisa boa evidenciada na realização da copa, mas certamente houve surpresa pela conclusão dos estádios e não das obras de mobilidade bem em cima do início do evento, graças às ameaças da poderosa Fifa, que prometeu chutar o traseiro do governo e declarou arrependimento por ter escolhido o Brasil para país-sede, tendo ressaltado que o Brasil foi o pior de todos os organizadores da copa, apesar de ter sido o país que teve mais tempo para a realização das obras: sete anos. Embora somente os estádios e pouco mais de cinquenta por cento das obras de mobilidade terem sido concluídas para o empreendimento, a mandatária do país ainda se acha no direito de se vangloriar com o sucesso da “Copa das Copas”, cujas obras de construção e reformas dos estádios deveriam ter sido custeadas com recursos públicos, mas foram assumidas com dinheiro dos bestas dos brasileiros, em evidente demonstração de irresponsabilidade com a gestão de recursos públicos. Nesse particular, conquanto a presidente se arvore em querer se beneficiar do resultado da copa, o povo deveria se mostrar frustrado por não poder contar com os serviços públicos de qualidade que tem direito, à vista dos elevados tributos que ele é obrigado a pagar, além de ter a tristeza de acompanhar o sofrível desempenho da economia nacional, com a inflação em alta, ultrapassando a meta oficial; os juros batendo nas nuvens; as contas públicas asfixiadas pela incontrolável gastança da máquina pública; o desempenho do Produto Interno Bruto – PIB bastante desalentador, em contraste com as potencialidades econômicas do país; a progressiva perda de competitividade dos produtos nacionais; a alarmante dívida pública; a corrupção batendo as portas dos órgãos e das entidades públicos, a exemplo do clamoroso caso da Petrobras, que foi envolvida em operações nada recomendáveis para o que se espera da gestão pública; entre outros casos de notória deficiência da administração do país, que deveria se encontrar em situação bem diferente da atual se a nação estivesse sendo administrada com racionalidade e eficiência, respeitados os princípios essenciais da administração pública. É evidente que os espetáculos da copa e os astronômicos gastos superfaturados com planejamentos, construções, reformar, mobilizações de pessoas e materiais, apoio logístico etc., tudo às custas dos bestas dos contribuintes, não acrescentarão quase nada em benefício da sociedade, ante a montanha de verbas públicas despendidas, que não serão revertidas para a população, a exemplo dos faraônicos e inúteis estádios, que continuam sugando dinheiro dos cofres públicos para a sua manutenção, eis que a iniciativa privada, que terá o privilégio do seu usufruto, não terá condições de arcar com os altos custos para o seu cuidado. Na verdade, o saldo da copa vai servir para mostrar como a irresponsabilidade administrativa é capaz de desperdiçar recursos pelos ralos da incompetência, haja vista que a população com um pouco de discernimento vai perceber logo que a copa não conseguiu contribuir para a melhoria da economia, a diminuição da corrupção e muito menos a prestação dos serviços públicos de qualidade, ou seja, a “Copa das Copas“ não passa de mero engodo, porque não houve melhoria senão nos aeroportos, que estão bastante distanciados dos anseios e das necessidades da população que o Estado tem o dever constitucional de cuidar e zelar pela melhoria das suas condições de vida. A seriedade somente vai aportar neste país quando houver a copa das copas, de verdade, no Sistema de Saúde Pública, em que os hospitais e as unidades de saúde passem a funcionar com efetividade e ninguém mais seja condenado à morte dentro de nosocômios; na educação, de modo que o ensino público seja modelar do conhecimento de qualidade para o mundo; na segurança pública, permitindo que os criminosos fiquem presos e a população sinta-se segura e tenha a certeza da proteção do Estado; nas estradas, onde não haja mais mortes em razão da triste realidade atual de sucateamento da malha viária; enfim, nessa copa das copas a ser realizada, o governo passaria a ter responsabilidade pela execução de políticas públicas verdadeiramente centradas nas suas atribuições constitucionais, em obediência aos estritos princípios de moralização e efetividade da administração pública, com embargo às maquiavélicas medidas destinadas à perenidade no poder, que somente têm contribuído para o subdesenvolvimento da nação. A sociedade precisa se conscientizar, com urgência, sobre a necessidade de o país ser administrado com competência e responsabilidade, respeitados os princípios republicano e democrático, com vistas à estrita satisfação do interesse público e da melhoria do bem comum. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 08 de julho de 2014

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ausência de racionalidade

A última pesquisa realizada pelo DataFolha, quanto à preferência à corrida presidencial, mostra que as pessoas ouvidas, pelo menos 63%, estão satisfeitas e felizes com a Copa do Mundo no Brasil, mas existe um fator interessante nisso que é a atribuição desse excepcional avanço à competência do governo, como se a realização de evento dessa natureza e magnitude fosse prerrogativa ou atribuição de administração pública competente e responsável. Não se pode desconhecer que é absolutamente ilegítima a aplicação de recursos públicos em obras exclusivamente de interesse privado, como é o caso da insensibilidade política da construção e das reformas de estádios de futebol para a copa, a exemplo dos gastos realizados pelo Estado brasileiro, por meio de financiamentos do BNDES. Não há a menor dúvida de que o povo demonstra não ter o mínimo de racionalidade ao opinar sobre a copa, quando antes deveria se manifestar acerca das “maravilhas” das políticas públicas do governo com relação aos “excelentes” sistemas da saúde pública, onde as pessoas são pessimamente atendidas, quando são; do ensino público, cuja qualidade situa-se entre os piores países do planeta; da segurança púbica, que funciona tão precariamente que a criminalidade impera com absoluta desenvoltura nunca vista; dos transportes, pelo sucateamento das estradas, completamente esburacadas e mal sinalizadas; do saneamento básico, onde a maioria das cidades, inclusive as metrópoles, tem esgotos à céu aberto; entre outras precariedades que deveriam ser analisadas com a maior prioridade, mostrando ao governo que a Copa do Mundo poderia até ser realizada no país, desde que sob os auspícios financeiros do empresariado, ou seja, da iniciativa privado, enquanto ao governo caberia apenas cuidar das políticas públicas da sua obrigação constitucional e legal, em harmonia privativa com a satisfação do interesse da sociedade. É lamentável que parcela significativa da população seja pouco ou totalmente despolitizada, não permitindo que ela tenha condições de avaliar o desempenho do governo na sua plenitude e na esfera da sua competência constitucional, não somente quanto à realização da copa, que tem sido agora o foco principal dele, como objeto de discussão, inclusive com reiteradas acusações de que os pessimistas foram derrotados, à vista do êxito do evento. Na verdade, nem a imprensa e muito menos a oposição estão percebendo que interessa ao governo explorar o tema da copa, ressaltando amiudamente seu sucesso, justamente tendo a finalidade de empurrar os holofotes da mídia para terreno diferente de onde está acontecendo terremoto de enorme repercussão negativa nos planos da reeleição da presidente, qual seja o desastroso desempenho da economia, cujos fatores evidenciam que as contas públicas continuam incontroláveis; a inflação em escalada ascendente e ultrapassando a meta oficial; os juros nas alturas; a carga tributária sendo das mais pesadas do mundo; a máquina pública comandada por políticos cooptados pelo sistema fisiológico; a precariedade da prestação dos serviços públicos, a exemplo de saúde, educação, segurança, transportes, infraestrutura, saneamento básico; aliados ao rosário de deficiências e incompetências que contribuem para o subdesenvolvimento do país e que o assunto pertinente à simples realização da copa, em termos de administração da nação, torna-se insignificante como tema de avaliação do desempenho da presidente do país, que fica muito a dever no que diz respeito às questões verdadeiramente capitais da sua administração. Percebe-se, com facilidade, a dificuldade de avaliação dos eleitores, que, além de ignorar as questões primordiais passíveis de suas considerações, a exemplo da precária situação econômica do país e execução das políticas públicas, também não devem ter sido lembrados por eles os escândalos envolvendo o gerenciamento da Petrobras, com a aquisição da sucateada refinaria de Pasadena, nos EUA, por preço superfaturado, e a ingerência palaciana nas operações e nos negócios da estatal, com notórios prejuízos ao seu patrimônio, cujos fatos conspiram contra o desempenho da presidente, à vista da instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito no Congresso Nacional, o que já demonstra a gravidade das irregularidades apontadas. O certo é que as pesquisas são falhas, por não abrangerem à realidade dos fatos político-administrativos relacionados aos envolvidos, mas elas refletem o momento de cada ou a situação enfocada, como no caso da Copa do Mundo, em prejuízo de casos relevantes que deveriam interferir no seu resultado, evidenciando momento de exclusiva conveniência política do governo. Convém que os institutos de pesquisa esclareçam aos eleitores pesquisados sobre os fatos de interesse da avaliação de desempenho das pessoas envolvidas, a exemplo das questões acima enfocadas e explanadas, como forma de legitimar os resultados objetivados, em sintonia com o aperfeiçoamento dos princípios republicano e democrático. Acorda Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 07 de julho de 2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Basta de promessas mentirosas

A candidatura à reeleição da presidente da República agora já é realidade, com o registro do sua chapa no Tribunal Superior Eleitoral. Na convenção que confirmou seu nome para concorrer ao Planalto, compareceu boa cepa das lideranças partidárias integrantes da denominada coalização de governança, que são merecedores de especiais afagos governamentais com cargos públicos nos ministérios e nas empresas estatais, em troca do importante apoio político, em especial com alguns minutos de horário no programa eleitoral. Na ocasião, a mandatária do país foi enfática, ao declarar que os brasileiros exigem a continuação de mudança no país, afirmando que "pelas mãos daqueles que já mostraram que têm capacidade. O Brasil, temos certeza, tenho consciência disso, o Brasil quer seguir mudando pelas mãos daqueles que já provaram que têm capacidade de transformar profundamente o país e melhorar a vida do nosso povo. Nós tivemos a competência de implantar o mais amplo e vigoroso processo de mudança do país, que pela primeira vez colocou o povo como protagonista. Quero falar sobre as grandes mudanças que vamos enfrentar. Aliás, não paramos de enfrentar desde o dia em que tomei posse. Se no início a esperança venceu o medo, nesta eleição a verdade deve vencer a mentira e a desinformação. A verdade deve vencer a mentira e a desinformação. Quando assumi o governo, o mundo era um, pouco tempo depois, o mundo era outro. A verdade é que a crise econômica financeira internacional ameaçou não apenas a estabilidade das economias mais desenvolvidas do mundo, mas boa parte também do sistema político ao aumentar o desemprego, ao abolir direitos, ao semear nesses países uma imensa desesperança.”. A presidente ainda afirmou que assumiu o governo em um momento de crise financeira internacional e que o governo dela soube fazer o Brasil resistir aos efeitos da turbulência. A presidente do país está tão deslumbrada com o tanto do que nada fez, mas jura ter feito, em termos de produtividade e de resultados benéficos para a população, que faz questão de se prender à distribuição de renda às famílias desvalidas, que não passa de programa inerente à competência obrigatória do Estado, que qualquer administrador mediano, sem a menor capacidade gerencial, seria igualmente compelido a fazê-lo, por imposição constitucional. As mudanças que ela alega ter feito estão representadas no raquítico desempenho da economia, cujo crescimento demonstrado pelo Produto Interno Bruto – PIB envergonha qualquer republiqueta sem o menor potencial econômico e industrial do Brasil, que estaria, na atualidade, diante da sua pujança econômica entre as maiores economias do planeta, quando, na verdade, o desempenho da produção nacional, em termos de índices, chega a ser bem inferior aos pequenos países da América Latina, de tão sofrível que ele representa. Também não deixa de ser supervergonhoso para a nação como o Brasil figurar entre os piores países quando levantados e comparados os índices de desenvolvimento humano, a justificar a péssima prestação dos serviços públicos pelo Estado, tendo em conta a ridícula e inferiorizada qualidade do ensino público, da saúde pública, da segurança pública, além da precariedade do saneamento básico, pouco existente até mesmo nas grandes cidades, da infraestrutura, além das deficiências nos demais programas de governo, que padecem da falta de interesse político e da prioridade quanto à decisão administrativa para o necessário aperfeiçoamento e a urgente modernização, sob pena de se continuar com a tristeza de se ouvir palavra tão linda de mudança apenas como verbeto ultraexplorado nas campanhas eleitorais, como agora, sem a menor finalidade sobre a sua verdadeira significância e efetividade. Caso houvesse alguma mudança, o salário mínimo (R$ 724,00) não seria tão minguado como é, que pouco representa para quem comparece no batente diariamente, de sol a sol, cujo valor correspondente talvez o sustento mínimo da família, que não pode sonhar com mais nada, nem mesmo a se arriscar a adoecer, porque lhe falta adequada assistência médico-hospitalar. Enquanto o assalariado se esforça para sobreviver, há quem se “esfalfe” para comparecer ao Parlamento de terça-feira a quinta-feira, para produzir muito pouco ou quase nada, em razão dos “minguados” vencimentos de R$ 29.462,25, acrescidos dos “escassos” benefícios próprios de verbas de representação, auxílios, ajudas e tantas outras injustificáveis regalias, mordomias, somente existentes nas republiquetas, onde o Parlamento aprova para seus integrantes todo tipo de vantagens absolutamente incompatíveis com a realidade dos brasileiros. Não há dúvida de que as distorções existentes no país são visíveis e gritantes, que exigem urgentes e abrangentes mudanças, mas elas jamais serão implementadas, porque não há o menor interesse político e tudo não passa de blábláblá. As verdadeiras mudanças que o povo exige dizem respeito à reformulação das estruturas do Estado, compreendendo as reformas previdenciária, tributária, política, administrativa – inclusive da máquina pública -, trabalhista, da infraestrutura, dos transportes e tantas outras indispensáveis ao desenvolvimento da nação.  A sociedade, atenta ao seu dever cívico e patriótico, precisa repudiar, com urgência, inclusive com o seu poder nas urnas, as pseudopropostas de mudanças, que, na realidade, não passam de surrado engodo com a finalidade de tapear mais uma vez a ingenuidade dos brasileiros, que, na sua maioria, ainda se contenta com os benefícios assistencialistas, que são incapazes de contribuir senão para a ociosidade de significativa parcela da população. Acorda, Brasil!  
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 06 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Obras inúteis e irrelevantes

As análises sobre a última pesquisa Datafolha acenam para os principais destaques a superação dos obstáculos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil e a constatação do seu sucesso. O governo está plenamente embebecido com a recuperação das intenções de voto da presidente da República, tendo concluído que tanto a imprensa como a oposição erraram ao prever o fracasso do evento. Os números são animadores, por mostrarem sensível melhora da intenção de voto na mandatária do país, na aprovação de seu governo e na expectativa em relação à economia. O resultado dessa pesquisa vai servir de argumento político ao governo para ser usado na campanha eleitoral, em proveito da administração petista, como elemento para robustecer o discurso presidencial de que o pessimismo foi derrotado, como se o governo tivesse investido recursos públicos em empreendimentos de interesse da sociedade, quando é notório que os estádios não têm a menor serventia para a satisfação do interesse público, posto que eles continuem sendo usufruto somente da cartolagem, bastante distanciada da população. Agora causa perplexidade se saber que integrantes da campanha petista avalia acusar a imprensa e a oposição de boicote à copa, com a finalidade de prejudicar o país. No entanto, outra ala governista pretende adotar o tom de otimismo, sob o argumento de que o Brasil foi capaz de se unir para realizar o evento mundial, conquistado no governo do ex-presidente, como forma de demonstrar humildade e angariar a simpatia dos brasileiros. Numa ou noutra forma, é muito estranho que a aprovação da Copa do Mundo possa servir para propiciar alívio e fôlego ao governo, que, nesta altura do campeonato, quando se começa para valer a campanha eleitoral, tem como seu calcanhar de Aquiles o desastroso desempenho da economia, com a inflação em ritmo de alta, as taxas de juros nas alturas, o parque industrial em processo de desaceleração, com a produção perdendo progressiva competitividade, os investimentos estrangeiros dando às costas ao Brasil, ante as dificuldades de enfrentar a pesada carga tributária, os elevados e diversificados encargos previdenciários e trabalhistas, além de outros gargalos que comprimem os sistemas industrial e econômico. A mediocridade político-administrativa tupiniquim não consegue vislumbrar que, com pessimismo ou otimismo na realização da Copa do Mundo, nenhum benefício será demandado para a sociedade depois da sua realização, salvo os assombrosos e astronômicos gastos com os estádios, que já foram incorporados aos ombros dos bestas dos contribuintes, pois o povo vai continuar sendo desrespeitado e menosprezado com a costumeira qualidade de quinta categoria dos serviços públicos prestados pelo governo, que não se digna a aprimorá-los e equipará-los às obras dos estádios, que foram executadas sob as exigências de qualidade padrão Fifa. O governo tem é que se envergonhar de ter gastado tanto dinheiro em obras inúteis e irrelevantes para a sociedade, quando deveria ter destinados os recursos para empreendimentos exclusivamente de interesse público, exigindo que os estádios fossem construídos e reformados com recurso da iniciativa privada, em conformidade com a garantia do governo junto à Fifa, quando da entrega da documentação de candidato a país-sede. É decepcionante que o Estado assuma os gastos que eram da iniciativa privada e depois pretenda se vangloriar de ter realizado a Copa das Copas, com recursos públicos, e ainda manifeste indigna pretensão de se beneficiar eleitoralmente, para mostrar que teve capacidade de cumprir, de forma eficiente, as severas exigências da Fifa. Todavia, o mesmo governo demonstra não ter capacidade de administrar com a mesma eficiência, mesmo sendo cobrado pela população, os programas e as políticas públicas, motivo que o leva a ser desacreditado e criticado pelos economistas nacionais e internacionais, diante da visível incompetência na administração do país, cuja gestão é sinônimo de convivência pacífica com o fisiologismo exacerbado; o inchamento da máquina pública, para o atendimento às alianças espúrias; a corrupção, como no último caso ocorrido na Petrobras; e com tantas precariedades que estão contribuindo para que o país esteja entre os piores países na avaliação dos índices de desenvolvimento humano. Com tantas mazelas no país, os “iluminados” governistas ainda têm a indignidade de se autopromoverem pela realização de copa absolutamente dispensável para a realidade e os padrões de miserabilidade de parcela significativa dos brasileiros, muitos dos quais ainda são beneficiários do principal programa assistencialista do governo, que tem por finalidade contribuir para incentivar o desprezo ao pleno emprego e à produção e para a consolidação de brasileiros cada vez mais dependentes das benesses assistencialistas, sem perspectiva de trabalharem e dignificam o próprio sustento com o seu trabalho, a exemplo do que acontece nos países um pouco evoluído e administrado com competência. Sob a ótica da eficiência administrativa, a realização da copa em si não significativa absolutamente nada para o país, conquanto os serviços públicos permaneçam no mesmo padrão de qualidade brasileiro, ou seja, sem padronização civilizada. Urge que a sociedade se conscientize sobre a necessidade de efetivas mudanças nas mentalidades dos homens públicos, no sentido de capacitá-los a evoluir e compreender que os recursos públicos somente devem ser despendidos em empreendimentos destinados à satisfação do interesse da sociedade e do país. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 05 de julho de 2014

O amor: essência de Deus

Um padre do interior da Bahia surpreendeu os fiéis da sua paróquia, ao anunciar que deixará a vida religiosa para assumir o amor por uma jovem da comunidade, que está grávida dele. Durante as missas celebradas no último dia de trabalho pastoral, o ainda padre, de 32 anos, decidiu ler excerto da carta anunciando a decisão, que dizia: "Com o tempo fui observando que na nossa amizade tinha algo a mais: o amor, mas sempre procuramos deixá-lo só no nível da amizade, pois dizia que, se por acaso eu percebesse que não conseguiria manter o celibato, deixaria antes o ministério para não escandalizar a comunidade. Mas por ironia do destino não aconteceu como eu pensava e nos envolvemos concretamente e hoje ela está grávida e eu quero assumir a paternidade". Ele disse que a amizade começou quando eles se conheceram e logo foi despertado algo diferente, mas o projeto de ser padre era muito forte, por ele pertencer a uma família religiosa e desde garoto dizia que planejava ser padre quando atingisse a fase adulta. Ele foi ordenado padre em 2009 e confessa que durante sua formação nunca teve dúvidas sobre a vocação religiosa. O casal decidiu revelar o relacionamento quando a moça descobriu que estava grávida. Foi quando ele resolveu assumir de imediato a situação, apesar de temer a reação das pessoas, por acha que isso poderia ser motivo de escândalo para a comunidade. Ele disse que "A gente passou por essa crise, entre a fé e o amor, mas depois da revelação, fiquei aliviado. Estou feliz". Após as três missas celebradas, agora já ex-padre, por ter anunciado para a comunidade seu desligamento da Igreja, ele declarou que "Eu fiquei emocionado e chorei muito, quase a igreja toda chorou". Depois do episódio, o sentimento da comunidade era de muita tristeza com a perda do vigário, mas a decisão dele foi respeitada, pelo fato de se tratar de ser humano que tem os mesmos sentimentos das pessoas normais, inclusive do usufruto do direito de se apaixonar e ser feliz com a pessoa que ama verdadeiramente. Com certeza, a união do ex-padre não é abençoada somente pela comunidade da sua ex-pastoral, mas das pessoas que imaginam que a missão da Igreja Católica, na atualidade, não seria prejudicada com a liberação do celibato, justamente por inexistir qualquer fato que possa impedir o trabalho de profissão importante como tantas outras, como as de médico, dentista, advogado etc., que prestam relevantes serviços à comunidade e nem por isso são impedidos da liberdade de se relacionarem em matrimônio com a pessoa que ama, porque o contrário disso representaria a negação dos princípios humanitários e cristãos, que tem, em seus fundamentos, justamente o direito ao sagrado usufruto do amor universal, que pode ser sublimado entre o homem e a mulher, mediante a formação da imaculada família, sempre abençoada por Deus. Seria forma de heresia se condenar o relacionamento entre duas pessoas que se amam, porque esse ato simplesmente consolida a vontade cristã, que se fundamenta no princípio de amar o seu próximo como a si mesmo. A Igreja Católica não perde seguidamente somente padres, que são os principais responsáveis pela sua evangelização e orientação quanto aos princípios cristãos, há também significativas perdas por parte do seu rebanho, que é a razão da sua existência. Tudo isso ocorre porque a igreja parou no tempo, não querendo aceitar a evolução da humanidade permitida pelo Ser Supremo, que tem o dom de conceder ao homem a possibilidade da modernização e do aprimoramento dos conhecimentos, para serem aplicados em seu benefício. Então, por qual motivo a Igreja ignora essas conquistas permitidas por Deus, que é o Pai da humanidade e certamente tem interesse que ela também se evolua e cresça acompanhando a sabedoria dos homens? Causa a maior estranheza se perceber que a instituição integrada por pessoas altamente instruídas e qualificadas, principalmente com formação em filosofia, teologia e história da humanidade, com profundos conhecimentos sobre a evolução da história antiga e contemporânea e sendo igualmente beneficiárias das conquistas e dos avanços das ciências e da tecnologia, não conseguem vislumbrar que os dogmas, os tabus e as cismas apropriados para a sociedade desinformada e com pouco ou nada de conhecimento não podem prevalecer na atualidade, quando a modernidade fora da Igreja Católica é realidade que impera há bastante tempo, com enorme vantagem para o desenvolvimento da humanidade. Não obstante, de forma inexplicável, os cardeais da igreja insistem em desconhecê-la e menosprezá-la, em detrimento dos interesses da própria igreja, que precisa rever seus conceitos - como no caso do celibato, que não mais se justifica - e de igual modo se modernizar e evoluir, em conformidade com os princípios fundamentais aplicáveis à humanidade, que demonstra interesse em caminhar em sintonia com ela renovada e atualizada, evidentemente sem se distanciar dos fundamentos do amor entre os semelhantes, que é a essência de Deus nos seus ensinamentos terrenos, sublimados justamente nessa importante palavra: amor. 
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 05 de julho de 2014

sábado, 5 de julho de 2014

A forma politicamente incorreta

Conforme a última pesquisa Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, houve crescimento das intenções de voto a favor da presidente da República, cuja preferência saltou de 34% para 38% das pessoas ouvidas. O senador tucano e o ex-governador de Pernambuco despontaram, respectivamente, com 20% e 9% das intenções de voto, tendo pequeno, mas importante crescimento na disputa presidencial, quando antes eles tinham 19% e 7%. A aludida pesquisa foi realizada entre os dias 1 e 2 de julho, em 177 cidades, com a abrangência de 2.857 entrevistados eleitores. Nessa mesma pesquisa, as pessoas ouvidas se manifestaram contrárias às vaias e aos xingamentos à presidente do país, na abertura da Copa do Mundo, na representatividade de 63% dos entrevistados. As análises dos especialistas sobre o resultado da pesquisa em apreço foram conclusivas e unânimes no sentido de que o crescimento das intenções de voto à candidata petista é decorrente do sucesso da copa. Essa constatação demonstra com clareza a mentalidade tacanha da população tupiniquim, que se baseia em empreendimentos completamente estranhos às funções públicas, à administração do país, por dizerem respeito à atividade eminentemente privada, para associá-la ao desempenho do governo. É bastante desanimador se perceber que, tanto o governo como parcela significativa da população, não terem a devida consciência sobre a administração do país e o desempenho da Seleção Canarinha, por não terem o real sentimento sobre os valores da administração pública e do futebol, que jamais deveriam ser confundidos, em benefício da nação e da sociedade. Chega a ser ridículo e medíocre que a presidente da República e sua trupe de campanha tencionem tirar proveito dos jogos da seleção e até mesmo do possível sucesso da Copa do Mundo no Brasil, pondo em destaque evento totalmente planejado e organizado com o propósito exclusivamente promocional, com vinculação à finalidade pessoal, atribuída à candidata petista, como alegado pelo partido que vai fazer uso do resultado da copa na campanha eleitoral, explorando o sucesso dela, como se o Brasil, que custeou com recursos dos bestas dos contribuintes os superfaturados e megalomaníacos estádios e as demais obras para a copa, fosse somente o PT, não permitindo, caso fosse possível e respeitado o princípio republicano, que os outros candidatos possam se beneficiar do mesmo evento. De qualquer forma, é ridículo que o governo imagine se beneficiar, para fins meramente eleitoreiros, de gastos que, à toda evidência, não se destinam ao atendimento de políticas públicas para o beneficiamento ou a satisfação do interesse público. Ao contrário, os dispêndios da copa já geraram gigantescos rombos aos cofres públicos e continuarão a onerar o Tesouro público, depois dela, com a manutenção dos estádios elefantes brancos construídos, uma vez que nem mesmo o Maracanã será capaz de se automanter, ficando o ônus da manutenção deles para os contribuintes. Infelizmente, as mentalidades do governo e da população ainda não conseguiram perceber a forma politicamente correta para o emprego das verbas públicas, que não deveria se destinar senão à satisfação do interesse público e, nesse caso, a copa até poderia se realizar no Brasil, mas as construções e reformas dos estádios teriam que ser custeadas com dinheiro exclusivamente privado, justamente porque os seus fins não comportam, à toda evidência, a participação de recursos públicos, salvo no caso das obras de mobilidade, que seriam dispensáveis se o Brasil já as tivesse executado há bastante tempo, por força do desenvolvimento natural da humanidade e das metrópoles. No caso do Brasil, as obras de mobilidade estão atrasadas há décadas, em relação ao resto do mundo, onde existe, há bastante tempo, bons e modernos metrôs, excelentes aeroportos, transportes urbanos e demais apoios indispensáveis ao conforto dos turistas, independentemente da realização de eventos, como a Copa do Mundo, porque o próprio desenvolvimento impõe que os projetos de mobilidade sejam executados concomitantes a ele. Compete à população se conscientizar sobre a necessidade da urgente modernização do pensamento político acerca do emprego dos recursos públicos, que devem ser exclusivamente no atendimento do interesse público, repudiando os maus homens públicos que fazem uso de eventos eminentemente privados com a tentativa de se beneficiarem, em termos eleitoreiros, nitidamente em afronta aos princípios da ética, do decoro, da moralidade e da legalidade. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 04 de julho de 2014