sexta-feira, 4 de julho de 2014

Desprezo ao obsoletismo político

Os recentes escândalos deflagrados na Petrobras, a maior empresa brasileira, suscitaram discussões nada inusitadas sobre a necessidade de investigação, pelo Congresso Nacional, acerca dos fatos denunciados. Segundo o entendimento dos brasileiros, na sua maioria, a gravidade das irregularidades exige imediatas e profundas apurações, como forma de se levantar o montante do prejuízo causado à estatal, atribuir responsabilidades e promover os devidos ressarcimentos aos cofres da empresa. Não obstante, causa enorme estranheza e até perplexidade se verificar que, apesar de serem palpáveis e incontestáveis os danos causados ao patrimônio da estatal, os parlamentares, principalmente governistas e da sua base de sustentação, resistem às apurações, porque elas são absolutamente desfavoráveis aos interesses do Palácio do Planalto, em especial por se tratar de ano eleitoral, em que a presidente da República, principal citada nos escândalos, por ter participado da autorização da compra, a preços superfaturados, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos da América, e contribuído com a forte ingerência nos negócios da estatal, principalmente com o seu aparelhamento, mediante o loteamento de seus cargos de direção entre aliados da sustentação do governo, em troca de apoio político. Também é injustificável e inadmissível que, apesar da existência de grande cobrança e até de pressão dos eleitores no sentido de que seus representantes no Congresso sejam favoráveis às investigações, as coalizões espúrias de governabilidade e o medo de perder as benesses junto ao Executivo impedem o apoio dos parlamentares às apurações das irregularidades na estatal, sob o vil argumento de que elas teriam o condão de dar palanque à oposição. Na verdade, o cerne da questão, o que se encontra em jogo, é se promover não somente a necessária faxina na sujeira gerencial da Petrobras, mas também reparar os notórios danos causados ao seu patrimônio, como forma de moralização não apenas dela, mas da administração do país, que não tem o direito de impedir que a esculhambação continue predominando impunimente no Brasil nem se permitir que a incompetência e a omissão sejam aceitas como modelo de seu gerenciamento. Em consonância com os princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito, assegurados na Carta Magna, é absolutamente inaceitável que homens públicos desprezem, com desculpas fajutas e estapafúrdias, a imperiosa vontade da população e do regramento jurídico sobre as investigações das irregularidades e dos escândalos, como esse da Petrobras, por se revelarem da maior gravidade, dados os enormes prejuízos ao seu patrimônio. Nos países desenvolvidos política e democraticamente, não existe essa espécie de politicagem praticada no país tupiniquim, em que a ideologia predominante é o exclusivo fisiologismo indecoroso e prejudicial ao interesse da sociedade, tendo por primacial fundamento a satisfação dos objetivos pessoais, em detrimento das causas nacionais e da população, fato esse que não é novidade para ninguém, ante o arraigado sentimento de desprezo às reais e intrínsecas finalidades da Ciência Política, que é exatamente a consecução do bem comum da sociedade. A forma espúria como a política é exercida no Brasil sequer existe nas republiquetas, por terem percebido que a humanidade se evoluiu e se desenvolveu, em harmonia com os avanços científicos e tecnológicos, que influenciaram a modernização e o aperfeiçoamento da política e da democracia, como forma essencial para a obtenção dos benefícios capazes de melhorar as condições de vida da sociedade. Enquanto a mentalidade política tupiniquim se mantiver no nível da mediocridade atual, a nação permanecerá padecendo no mundo do obsoletismo e anacronismo, compatível apenas com o eterno subdesenvolvimento social, econômico e político. Nos países com um pouco de evolução política e democrática, os casos de corrupção e de irregularidades, o próprio sistema institucional conduz aos apropriados procedimentos de investigação e de esclarecimentos dos fatos, sem a menor resistência, de modo que a transparência e a verdade cuidam de prevalecer sobre as mentes pouco inteligentes das autoridades envolvidas e as suas pretensões político-eleitoreiras, posto que as razões de Estado estão acima dos interesses individuais, diferentemente do que vem acontecendo, de forma consolidada e injustificável, no país que ainda resiste em se modernizar e se desenvolver política, administrativa e democraticamente. Convém que a sociedade tenha consciência sobre os reais prejuízos causados ao país pelos homens públicos que se opõem à salutar observância dos princípios constitucional, republicano e democrático, ao resistirem às investigações das irregularidades com recursos públicos. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 03 de julho de 2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A excrescência política

O pleito eleitoral de 2014 se aproxima e, no seu bojo, vai constar a excrescente figura do suplente de senador, que agora não pode mais ser parente do candidato e foi limitado a somente um suplente, mas nem por isso deixa de ser vergonhoso e indecente o procedimento, por não se harmonizar com o princípio democrático segundo o qual o voto emana do povo, que tem o poder constitucional de eleger seus representantes. No caso, o suplente de senador conspira a favor da indignidade e do descrédito do Congresso Nacional, que deveria ter a proficiência e decência de excluir em definitivo essa aberração do sistema político-eleitoral, por não corresponder à modernidade democrática, uma vez que ele pode se investir no cargo de senador, para representar o povo sem a devida legitimidade, justamente por não ter merecido sequer o voto dele. É bem provável que essa esculhambação política somente deva existir nas republiquetas, onde não há a menor preocupação dos políticos para com o aperfeiçoamento e a modernização do sistema político-eleitoral, que funciona à mercê das conveniências políticas e dos interesses pessoais e partidários, em contraposição às causas nacionais e da sociedade. Além da patente ilegitimidade, o suplente de senador normalmente é o principal financiador da campanha, que banca significativa parcela das despesas, como verdadeiro caixa do candidato titular. Essa indigna e degradante figura da suplência de senador é tão prejudicial à qualidade da representatividade política que ela é capaz de mudar a mentalidade dos congressistas, pelo fato de se votar em algum candidato em razão da sua plataforma política e das suas propostas de realizações para a sociedade, mas que, de repente, o senador eleito, por qualquer motivo, se afasta do cargo e outro cidadão assume o seu lugar, repita-se, sem ter tido um único voto e ainda com a possibilidade de o suplente ter ideologias bem diferentes das defendidas pelo candidato que obteve os votos do eleitorado, podendo haver, nesse caso, completa dissintonia com os princípios republicano e democrático, de alguém ter votado num representante e ele ser substituído sem a sua aprovação. Nesse particular a sociedade termina sendo ludibriada, por imposição de sistema obsoleto e retrógrado, que já deveria ter sido eliminado há século. Veja-se como a o sistema atual é injusto e ilegítimo, pelo fato de existirem 16 suplentes ocupando cargo de senador. Entre os quais, consta o caso mais suspeito e emblemático da Câmara Alta, que se refere à assunção ao cargo de senador pelo filho cujo pai assumiu o cargo de ministro no Executivo. Além de outros casos em que pai assume em lugar do filho, em verdadeira esculhambação no órgão que, em princípio, deveria funcionar como exemplo de decência, decoro e dignidade e até mesmo como modelo para os demais órgãos da administração pública. No caso de vacância do cargo, poderia ser convocado o candidato em seguida mais votado no mesmo pleito, a exemplo do que ocorre com o preenchimento do cargo de deputado, em que o candidato suplemente mais votado do partido ou da coligação assume na vaga existente. Não se justifica nova eleição para a escolha do senador, em face dos elevados gastos, quando já existem outros candidatos que foram votados no mesmo pleito do senador afastado e que tem a mesma legitimidade obtida nas urnas, diferentemente da suplência, que não tem voto. Ressalte-se que o poder emana do povo e em seu nome será exercido, segundo os princípios constitucionais, mas, no caso do suplente de senador, essa regra não prevalece, por inexistir voto para ele. Muito provavelmente, nos países evoluídos social, política, econômica e democraticamente esse sistema ilegal e injustificável não deve existir, certamente porque o conceito de democracia é cultuado segundo a legislação aperfeiçoada e modernizada, de modo que a figura do suplente é inexistente. O Brasil precisa evoluir, em termos de legislação político-eleitoral, acabando com os vexaminosos feudos nos cargos públicos. A construção de um Brasil desenvolvido e modernizado exige que os homens públicos tenham consciência sobre a necessidade de urgentes e radicais mudanças na legislação retrógrada ainda vigente, de modo que, nas funções e atividades político-eleitorais, prevaleçam somente a satisfação do interesse público. Acorda, Brasil!   
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 02 de julho de 2014

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A indecorosa indicação

O presidente do Senado Federal demostrou irritação com a demora do presidente da Câmara dos Deputados, em pautar a votação da indicação feita por ele de pessoa da sua confiança para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. Não é novidade de ninguém que o nome do indicado é afilhado político do senador alagoano, cuja indicação já foi aprovada pela Câmara Alta em abril deste ano e se encontra aguardando a deliberação da Câmara. O presidente do Senado gostaria que a aludida indicação fosse aprovada o mais rápido possível, bem antes do início da campanha eleitoral, como forma de se evitar que nomes defendidos pelo Palácio do Planalto, como os dos ministros dos Direitos Humanos, da Justiça e da Advocacia Geral da União ganhem força para o cargo e atrapalhem as pretensões do senador. Não há dúvida de que somente nas republiquetas ainda há essa indecente possibilidade de político, que responde a processo na Justiça, puder indicar apaniguado seu, mesmo que ele seja tecnicamente capacitado, para ocupar cargo de ministro. Essa excrescência evidencia claramente que este país nunca poderá ser considerado exemplo de democracia e de seriedade. Os relevantes cargos de ministros do Tribunal de Contas da União e, de resto do Poder Judiciário, deveriam ser preenchidos jamais pelo poder da pistolagem, que, muitas das vezes, sequer tem credibilidade nem mesmo para ocupar o cargo que exerce, mas sim pelo critério do mérito, depois de comprovados os requisitos constitucionalmente exigidos, no caso do TCU, entre outros, como idoneidade moral, reputação ilibada e notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública. Sabe-se que o afilhado do presidente do Senado já foi seu principal defensor nos processos de corrupção que ele respondeu antes de renunciar à presidência do mesmo cargo que vem ocupando na atualidade. Naquela oportunidade, a atuação do causídico indicado para o cargo de ministro do TCU foi considerada exitosa, dando a entender, à toda evidência, que a indicação representa forma indecente e indigna de recompensa pelos serviços prestados, como se, agora, ele estivesse sendo pago mediante forma de envolvimento do serviço público, além da demonstração de gratidão, que em nenhuma das situações deveriam sequer ser cogitadas, quanto mais efetivadas, por evidenciarem extrema gravidade em termos de desmoralização dos salutares princípios da dignidade, da honestidade, do decoro e da legitimidade. A indicação em referência é absolutamente censurável, por colocar sob suspeita a seriedade do sistema de indicação vigente, pondo em dúvida ainda o critério utilizado, dada a notória vinculação entre o criador e a criatura, à vista da relação de amizade existente entre eles, que não se compatibilizam, de maneira alguma, com os conceitos éticos e de moralidade que devem imperar na administração pública. Ante a indiscutível incompatibilidade da indicação em apreço com as normas da administração pública, os órgãos de fiscalização e controle, principalmente quanto ao regramento jurídico, deveriam se manifestar contrariamente a essa indecente indicação, em benefício da moralização e da preservação da dignidade na administração pública. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 02 de julho de 2014

O extremo da incoerência

A personalidade dos homens públicos pode ser avaliada, sem muito esforço, por meio de suas atividades e seus procedimentos na vida pública. No caso específico do petista, ex-presidente da República, há abundância de acontecimentos e fatos que, à luz das conveniências políticas, evidenciam o seu exclusivo caráter de fazer política com a finalidade de tirar proveito das situações, a exemplo dos episódios descritos abaixo, demonstrando completa ausência do nobre sentimento do pudor ou da responsabilidade política, em evidente falta de compromisso com a verdade e a decência, que jamais poderiam se afastar de quem tem a obrigação de observar com fidelidade os princípios da ética, moral, lisura e, em especial, da dignidade. Não obstante, isso não tem sido uma constante na sua vida política, a exemplo da forma como ele enxergava a situação do programa Bolsa Família, sob a ótica que melhor atendia aos seus projetos políticos, em cristalino sentimento de explícita hipocrisia e contrassenso. Veja-se que nos idos de 2000, quando ele ainda se apresentava desesperadamente como eterno candidato à Presidência da República, declarou em alto e bom som seu entendimento sobre o que representava para ele o Bolsa Família, exatamente nestes termos: “Olhe, lamentavelmente, no Brasil, o voto não é ideológico. Lamentavelmente, as pessoas não votam, não votam, partidariamente. E, lamentavelmente, você tem uma parte da sociedade, pelo alto grau de empobrecimento, que é conduzida a pensar pelo estômago e não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica. É por isso que se distribui tanto tíquete de leite, porque isso, na verdade, é uma peça de troca, em época de eleição. E assim você despolitiza o processo eleitoral. Você trata o povo mais pobre da mesma forma que Cabral tratou os índios quando chegou ao Brasil, tentando distribuir bijuteria, espelho pra ganhar os índios. Ele distribui alimentos. Você tem como lógica manter política de dominação, que é secular no Brasil.”. Anos depois, desta feita já em pleno exercício no cargo de presidente da República, ele não se conteve e rebateu com veemência as críticas que se faziam ao repaginado programa Bolsa Família, tendo declarado, in verbis: “Alguns imbecis: o Bolsa Família é uma esmola. O Bolsa Família é assistencialista. O Bolsa Família é demagogia e vai por aí afora. Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala o Bolsa Família é pra gente preguiçosa, porque quem recebe o Bolsa Família não quer trabalhar.”. Comparando os discursos acima, verifica-se, com absoluta convicção, que o ex-presidente não é pessoa de palavra, porque a sua maneira de proceder se harmoniza com a situação falseada de momento que melhor se amolde aos seus propósitos e às suas conveniências políticas, sublimando fatos que sensibilizam profundamente o sentimento do povo, tendo por finalidade se beneficiar eleitoralmente, fato que demonstra grave pobreza de honestidade no exercício de atividades políticas, em desfavor da pureza do interesse público. Embora o petista não tenha percebido, as lamentáveis e patéticas situações encenadas acima evidenciam verdadeira farsa condenável, por não condizerem com a dignidade que se espera dos homens públicos. Os aludidos episódios e muitas ações políticas protagonizadas pelo ex-presidente são a marca representativa do mau exemplo para o país, em virtude de patentear cristalino desprezo ao sentimento da verdade. A esses casos se associam outros não menos graves, em que o petista demonstrou tibieza quanto ao apego aos princípios da honorabilidade, a exemplo dos casos de corrupção na administração pública, quando, sem exceção, ele foi bastante claro e incisivo em recomendar aos correligionários acusados que resistissem e negassem os fatos denunciados, como forma de não “aceitar as pressões da mídia”, em supremacia ao interesse público, apesar de robustas provas, ou seja, são casos de manifesta prepotência e desrespeito aos preceitos da legitimidade e honestidade inarredáveis no trato da res publica. Os fatos acima podem explicar a parte típica do petista, que elegeu o poder como valor supremo, havendo necessidade da observância dos princípios da ética e moralidade somente nos casos que não contrariem os interesses pessoais ou partidários, porquanto a sua vontade é simplesmente imposta sobre as pessoas e os princípios, cujo resultado disso é o que está aí, em que o país passa por descrédito, tanto nacional como internacionalmente, e o seu crescimento é desalentador, com o desempenho da economia empurrando as esperanças do povo para o espaço. À toda evidência, o petista é chegado a contradições e a polêmicas, tendo como vocação política a antítese do que deve ser ideal, politicamente, para a satisfação do interesse público, que tem sido menosprezado pelo instinto voraz do valor supremo do poder. Os discursos acima são capazes de comprovar arraigado pendor pela demagogia e hipocrisia, usados, no primeiro caso, para tentar desmoralizar seu opositor político e, no segundo, para exaltação como massa de manobra, muito apropriado aos sindicalistas, na tentativa de defesa dos oprimidos e desvalidos, mas em ambos as situações não há o menor sentimento de sinceridade humanitária, por ficar evidenciado o caráter artístico, maquiavélico e oportunista, totalmente repudiável e execrável se ele tivesse sido originário num país sério e desenvolvido, quanto aos parâmetros de sociabilidade, economia, política e democracia, onde os aproveitadores são completamente desprezados e considerados seres inúteis para os interesses nacionais. Resta à sociedade avaliar, com competência e responsabilidade, se ainda vale a pena prestigiar os homens públicos que se aproveitam do poder para se beneficiar pessoal e politicamente, mesmo que em clara demonstração de nocividade aos interesses da sociedade e do país. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 1º de julho de 2014

Verdade ou mentira, eis a questão!

A presidente da República ressaltou que "nessa eleição a verdade vai vencer toda a quantidade de mentira e desinformação semeada pelo país. Se na eleição do Lula, a esperança venceu o medo. Nessa eleição é importante que a verdade vença essa quantidade de mentiras. Ela ainda mencionou um dos bordões usados na campanha petista fazendo referência ao antecessor governo tucano, segundo o qual "Muitos querem na oposição voltar ao passado". Na ocasião, a presidente fez questão de afirmar que o governo do PT, há onze anos, deu início à "trajetória de transformação", consistente na maior distribuição de renda: "Foi um movimento que eu chamo de avassalador". Segundo ela, o governo petista teve êxito na defesa do país na crise econômica global de 2008: "o Brasil soube defender, como poucos países, o emprego e o salário dos trabalhadores. Ficou claro que o Brasil (na crise) não iria se render, não iria se abater nem se ajoelhar diante do sistema de finanças representado pelo FMI". Esse fato teria evitado desempregos e perdas de direitos dos trabalhadores brasileiros, mas a crise propiciou estragos nas economias dos países europeus. Sem falsa modéstia, a mandatária do país ressaltou a necessidade de o PT ter orgulho de contar que, nesses onze anos, teve que remar "contra a corrente". Ela disse que "Fizemos a maior redução da desigualdade da nossa história" e que a transformação social do país aconteceu "como uma onda" e puxou para cima a renda dos brasileiros de uma forma geral. A petista ainda afirmou que "Nós não tiramos de nenhuma camada para dar para outra. (...) Todos os dados mostram que a transformação social ainda está em curso no país. Essa é a característica maior que nos distingue. Termos sido nos nossos governos, com o PT e com os partidos da base aliada, os protagonistas de uma grande transformação social no Brasil. Ela ainda está em curso e depende de nós.". Quem não conhece a forma como o PT administra a nação, vai até imaginar que essa agremiação, na forma como descrita pela presidente do país, é a mais perfeita da face da terra e tem atuado com a maior lisura e dignidade com os recursos públicos, sem nunca ter sido sequer acusada de irregularidade e de malfeitos na administração do país, sem jamais ter protagonizado o mais grave escândalo da história republicana, que ensejou a condenação pelo Supremo Tribunal Federal dos principais líderes petistas, os quais se encontram presos no Sistema Penitenciário da Papuda, cumprindo as penas pelos crimes cometidos. Além disso, há o caso da depredação do patrimônio da Petrobras, com a efetiva participação do governo, mediante a ingerência e o aparelhamento palacianos, fazendo com que o gerenciamento da estatal tivesse desempenho desastroso, inclusive com denúncia de corrupção, com consequente substancial perda do seu capital, calculável em quase cinquenta por cento, em pouco tempo de gestão petista. Em que pese a série de irregularidades denunciadas com o envolvimento de filiados ao PT, a presidente tenta transformar a realidade palpável e irrefutável dos fatos em meras acusações de mentidas e de desinformação, possivelmente por entender que o governo está acima do bem e do mal, como se ele fosse intocável e onipotente, estando imune a falhas e a irregularidades, quando deveria ter a dignidade de assumir os fatos, em homenagem aos salutares princípios da honestidade e da verdade. Mas a intriga mesmo é a petulância presidencial de atribuir ao PT a proeza de ter transformado a nação em verdadeiro maná condutor da distribuição de renda, como se esse partido fosse o núcleo unicamente responsável pelos destinos dos brasileiros, inclusive como se os recursos também fossem oriundos da agremiação, quando não se pode ignorar que a administração do país se insere no processo republicano, segundo o qual o mandatário do país não pode se vangloriar de achar que os resultados das políticas públicas são os louros unicamente de seu partido, mas sim da nação, em virtude do envolvimento de recursos provenientes dos contribuintes, não sendo justo que haja rotulação de agremiação partidária. Aliás, as políticas públicas, incluída a distribuição de renda, são atribuições constitucionais de competência do Estado, que jamais deveria servir como legado senão da própria sociedade, responsável pela integração do país. A sociedade anseia por que os homens públicos se conscientizem sobre a necessidade de considerar a atribuição de governar o país uma função de interesse pública, em harmonia com o princípio republicano, com embargo de pretensões político-partidárias, que não condizem com o sentimento democrático de união. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 1º de julho de 2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

Falta de sensibilidade política

Na avaliação do governo, a infraestrutura preparada para a Copa do Mundo vai corresponder às expectativas quanto às necessidades de atendimento das demandas exigidas pelo fluxo de visitantes, com relação ao pleno funcionamento dos aeroportos, hotéis e transportes, de modo que não haja reclamação dos turistas. Também merecerem especiais rigores e cuidados o planejamento e a estratégia para a segurança dos visitantes, tanto em contingente como em equipamentos, como forma de propiciar abrangente controle sobre a criminalidade e de diminuir ao máximo o número de casos policiais. O governo acredita que o bom funcionamento do evento ajudará a mudar a percepção e avaliação negativa de parte da população sobre o desempenho da gestão pública. O governo espera tirar proveito sobre o sucesso do evento, principalmente se a seleção Canarinha for bem dentro das quatro linhas. Por certo, como o filme da presidente está tão chamuscado, como se viu no último teste realizado no Itaquerão, não será o brilho do esquete brasileiro que vai contribuir para mudar a condição de incompetência da administração do país, cujo governo já demonstrou, sobejamente, a sua incapacidade gerencial. Não são os jogos da seleção que vão mudar os resultados da política ou da economia, que estão precisando de efetivos empenho e capacidade gerencial para alcançar objetivos positivos, em termos econômicos e democráticos, mediante desempenho com priorização para as políticas públicas destinadas à melhoria dos serviços básicos, da infraestrutura, do saneamento básico, da educação, da saúde, da segurança pública e de tudo que tenha por finalidade o atendimento do interesse público, com embargo das demandas voltadas para a satisfação das causas partidárias e pessoais, destinadas ao permanente objetivo de dominação do poder. Causa perplexidade se verificar que o governo pretenda se escorar em resultado dos jogos da seleção para tirar proveito eleitoreiro, quando deveria estar mais preocupado em melhorar seu desempenho gerencial, em busca de resultados satisfatórios para o país e não para seus interesses pessoal e eleitoreiro. É inacreditável que a presidente da República, não conseguindo mostrar competência para administrar a nação e angariar por seu trabalho a confiança do povo brasileiro, tente, talvez em esforço de imaginação, tirar proveito do desempenho do esquete Canarinho, mediante o acolhimento dos dividendos que precisa para se sentir poderosa e eficiente, quando isso não passa de absurdo da fantasia política de querer vincular os destinos e a gestão dos negócios da nação, que se mostram à deriva, graças à fatal de aderência aos princípios de eficiência e eficácia, aos resultados dos jogos da seleção nacional, numa grotesca e gigantesca concepção palaciana de que o povo não tem inteligência suficiente para distinguir uma coisa da outra. À toda evidência, não pode a seleção brasileira de futebol respaldar o desgoverno e a falta de iniciativa da mandatária do país para solucionar as graves questões que afetam negativamente a nação, o que significa dizer que este não era o momento apropriado para a realização da Copa do Mundo no Brasil, ante a existência de enormes precariedades que assolam a população, bastante carente de serviços essenciais, como infraestrutura, saneamento básico, educação, segurança pública, saúde, transportes, entre outras necessidades, que são prestados de forma precária, superficial e insatisfatória, comparativamente às prioridades dispensadas às obras para a realização da copa, apesar de serem completamente dispensáveis para os padrões e a realidade brasileiros, enquanto a população continuará padecendo das crônicas ausência e assistência do Estado. Por certo, os recursos comprometidos com as obras da copa não seriam suficientes para solucionar as pletoras dificuldades do país, mas o fato em si demonstra o descaso dos governantes quando se compromete com causa nitidamente alheia às questões de estrito interesse da sociedade, em clara demonstração de falta de sensibilidade e de racionalidade senão com a satisfação de interesses pessoais, à vista da possível obtenção de prestígio, como manifestado pela presidente, em claro detrimento das causas da sociedade e da nacionalidade. A sociedade não pode permitir que a fragilidade administrativa do país fique à mercê do desempenho milagroso da seleção brasileira para angariar a confiança da população, porque isso representa mera efemeridade que não se coaduna com a realidade e a efetividade gerencial que se pretende para a nação com as potencialidades do Brasil. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 30 de junho de 2014

Clima de pessimismo?

Ao demonstrar satisfação por não terem sido confirmadas as previsões negativas a respeito dos preparativos para a Copa do Mundo, a presidente da República declarou que “Tem um clima de pessimismo criado no Brasil. (…) Teve um processo de instilar o pessimismo em relação à Copa”. Ela se referiu ao prognóstico de que o Maracanã somente ficaria pronto em 2038 (reportagem de 2011 da revista Veja) e aos vaticínios sobre a falta de estádios e de energia (artigos em geral). Não obstante, a presidente não responsabilizou a imprensa pelo “clima de pessimismo”. Ela rebateu o discurso da Fifa sobre os atrasos nas obras e a dificuldade de lidar com o Brasil. “Eles (integrantes da Fifa) fizeram a mesma coisa na África do Sul. A mesma coisa”, tendo assegurado que as obras prometidas para a realização da Copa foram feitas. A presidente foi além indagou: “Eu quero saber o seguinte: o que nós prometemos que nós não entregamos? (…) Não estou vendo a Fifa falar agora. A Fifa tá mudando o discurso. A Fifa e a imprensa. Você me desculpa. Tá todo mundo mudando o discurso.”. O clima de pessimismo a que a presidente faz questão de sublinhar tem origem dentro do próprio governo, ou seja, a culpa pelo caos na administração pública é do governo, que não consegue demonstrar competência para cumprir a contento seus compromissos, em especial as obras da copa, foram concluídas antes do início do evento, mas sob as constantes e agudas cutucadas da Fifa, apontando lentidão no seu cronograma. Embora o governo tente abafar, aproveitando a fase aguda da copa, o enorme pessimismo quanto ao desempenho econômico, onde há espaço para o descontrole das contas públicas, o aumento da inflação, com ameaça à superação do teto estabelecido, as altas taxas de juros, o sofrível desempenho do Produto Interno Bruto, o artificialismo da contabilidade criativa, a disseminação da corrupção da Petrobras, o estouro do orçamento programado para obras, entre outras precariedades que são capazes de robustecer as convicções sobre a deficiência gerencial e administrativa do país. Nos países desenvolvidos, a mídia presta importante contribuição à sociedade, não somente na divulgação das boas notícias, mas também daquelas pertinentes às insuficiências governamentais, que, no país tupiniquim, são cada vez mais acentuadas pela escassez de medidas capazes de reverter as precariedades. As declarações da presidente insinuam que ela está vivendo noutro país, onde a situação econômica difere da brasileira, cujo governo resiste a entender a real precariedade da prestação de serviços públicos, a exemplo de saneamento básico, educação, segurança, saúde etc., que contribuem para colocar o país entre os piores do mundo, no tocante à avaliação dos índices de desenvolvimento humano, em contraste com a sua grandeza econômica, por ser considerado a sétima potência econômica. O clima de pessimismo é atestado não somente pelo povão, mas em especial pelos especialistas da área econômica, que estão calejados de apontar as crônicas mazelas da gestão do país, mas o governo só tem ouvidos para as questões assistencialistas, por se harmonizarem com seus anseios, deixando as causas nacionais em planos secundários, a exemplo das reformas estruturais do Estado. À toda evidência, a presidente do país não tem a menor razão, ao dizer que tem um clima de pessimismo no Brasil, porque, na verdade, não se trata de clima em si, mas sim de fatos concretos e reais, demonstrando que a nação se encontra na contramão da realidade econômica, por não conseguir se desenvolver nas condições vigentes, exatamente por falta de iniciativa e de políticas públicas condizentes com os novos tempos, que exigem modernidade das estruturas administrativas, não correspondidas pelo governo, que já demostrou não ter capacidade para promover as prementes reformulações dos sistemas obsoletos e ultrapassados, as quais são imprescindíveis para que possam ser quebrados os terríveis gargalos que estão emperrando o ideal desempenho da economia, principalmente no que diz respeito aos investimentos privados, que sucumbiram à pesada carga tributária; aos complexos encargos previdenciários; à terrível burocracia; às escorchantes taxas de juros (11% a.a.), enquanto na Comunidade Europeia não passa de 0,15% a.a.; entre outros empecilhos que impedem quaisquer perspectivas favoráveis ao clima de otimismo. É bastante preocupante que essa situação ainda persista no país como o Brasil, por possuir reais potencialidades naturais e econômicas, mas ainda está faltando competência gerencial e administrativa para a implantação de medidas capazes de transformar os recursos materiais e econômicos em instrumentos produtivos, como maneira de fomentar o desenvolvimento do país. Enquanto o governo não vislumbrar que a mesmice, a continuidade dos sistemas ultrapassados e contraproducentes somente para aprofundar a realidade pessimista pela qual grassa no país, não existe a menor possibilidade de o gigante Brasil se despertar dessa eterna letargia. Urge que a sociedade se conscientize, com urgência, sobre a necessidade de o país ser administrado por estadista que tenha condições de vislumbrar as verdadeiras precariedades da nação e de adotar as políticas públicas compatíveis com a sua resolução, de modo a possibilitar o desenvolvimento do país. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 30 de junho de 2014