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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Prêmio à criminalidade

Um país com altíssimo índice de criminalidade, sendo um dos mais violentos do mundo, onde é assombroso o crescimento de assassinatos, assaltos, roubos, sequestros e outros graves delitos praticados contra a sociedade, cuja incidência tem como incentivo justamente a falta de punição ou de pena compatível com a brutalidade, jamais poderia praticar ato decente de racionalidade do nível já alcançado pelo primeiro mundo. Infelizmente, ao deixar de atender pedido de extradição do criminoso italiano, que já foi condenado à prisão perpétua, por ter participado de quatro assassinatos, o Brasil despreza os salutares laços de amizade e de confraternização que os unia de longa data à Itália. Além de terem sido inobservados acordos e tratados internacionais inerentes à espécie, em flagrante prejuízo aos legítimos interesses da nacionalidade brasileira, em face do desgaste da sua imagem externa. À primeira vista, percebe-se que não foi avaliada convenientemente a opção da permanência de um bandido sanguinário pela troca da rejeição, da indignação e do protesto de uma nação inteira, que, com toda razão, não poderia entender os motivos pelos quais, em pleno século XXI e em que pesem os avanços científicos e tecnológicos, ainda têm países que continuam nas trevas da ignorância e do atraso diplomático. A troca da reafirmação política e da credibilidade externa por um facínora desmerece e envergonha de forma significativa os honrados cidadãos brasileiros, que não compactuam com tamanha insanidade, porque entendem que a impunidade é a gênese desse estado deplorável da violência que grassa no Brasil, sem qualquer esperança de controle, a exemplo dessa péssima demonstração de imaturidade e de incompetência decisórias, contribuindo de modo bastante afirmativo para desperdiçar uma excelente oportunidade para mostrar ao mundo que, ao contrário do que todos falam, este é um país sério.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 12 de junho de 2011
   

domingo, 22 de maio de 2011

Esforço recompensado

Depois de longo período, mais de mês, em intensivos treinamentos técnicos e táticos, o time do Botafogo conseguiu, na sua estreia no Campeonato Brasileiro de Futebol, obter excelente resultado contra o apenas mediano Palmeiras, tendo perdido pelo placar de tão somente 1 x 0, verdadeiro presente dos deuses do futebol, diante da dinâmica do jogo, que foi totalmente favorável ao time paulista, ao dominar por completo as ações, em ambos os tempos. Na verdade, ao esquete carioca, não faltou garra em momento algum, mas na sua bagagem houve notórios desfalques de competência, entrosamento, coordenação, articulação, domínio de bola, passes certeiros, lançamentos, atacantes, meio de campo, entre outras deficiências. À exceção do goleiro, que tem sido destaque, os demais jogadores foram apenas esforçados, sendo brindados com derrota por placar mínimo, não por vontade sua, mas por incompetência do adversário que teve várias oportunidades para construir placar elástico. Tendo em conta o elenco apresentado na estreia, os torcedores do Glorioso podem ficar tranquilos que esse time, desde que mantenha o "extraordinário" desempenho de hoje, certamente não ganhará de ninguém, mas também não perderá por placares exagerados, salvo no período de afastamento do goleiro para a seleção brasileira, que haverá normal queda de rendimento e, por via de consequência, não serão surpresas as derrotas vergonhosas. A atuação do time nesse primeiro jogo é suficiente para confirmar a mediocridade das suas participações neste ano, podendo se inferir que, com esse elenco, nada irá mudar, a não ser para pior, e não convém o torcedor se desesperar, porque milagre acontece no futebol, mas somente para aqueles que são realmente merecedores.    

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 22 de maio de 2011
   

sexta-feira, 4 de março de 2011

Bola furada


O país considerado do futebol, de status mundialmente reconhecido, caminha a passos largos para, em muito breve, ser lembrado apenas por já ter sido potência dessa modalidade desportiva. A melancólica participação do Brasil na última Copa do Mundo de Futebol teve por mérito a premente necessidade da renovação do escrete nacional, cuja seleção foi integrada, na ocasião, por jogadores com bastante experiência e alguma técnica futebolística à altura de envergar o verdadeiro manto canarinho. Com a acertada mudança da comissão técnica, até que houve ensaio de esperançoso recomeço, com a convocação de atletas novos e a perspectiva da conquista de títulos, em futuras competições. Ledo engano, porque bastaram alguns resultados infrutíferos de amistosos para propiciarem violenta recaída da sensibilidade e inteligência dos dirigentes, obrigando-os, agora, à convocação de quase a metade da seleção de jogadores recentemente fracassados. Esse acontecimento representa verdadeira lástima e evidencia baita retrocesso, haja vista que, mesmo perdendo na fase preparatória, a nova safra de craques na seleção prometia um futuro glorioso, com muitas vitórias e a reconquista da vanguarda do esporte bretão. É pena que, em tão pouco tempo, tenha sido possível malograr um projeto que parecia ser a salvação da glória do futebol mundial.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 04 de março de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

Urgente responsabilização


Segundo noticia artigo publicado no Correio Braziliense, edição de 24 do mês em curso, o jornal Folha de S. Paulo fez alerta, em 2008, ao governo do Estado do Rio de Janeiro, que já era dirigido pelo atual mandatário, acerca do perigo da ocupação das encostas das cidades serranas, ressaltando a premente necessidade da desocupação da região, para evitar desastres e perdas de vidas humanas. Como o governador falastrão e doublê de político nada providenciou preventivamente, para afastar a gravidade, a sua omissão criminosa e a inércia administrativa podem ser consideradas responsáveis pela pior catástrofe da história deste país. No entanto, ao contrário de punição pela incompetência gerencial, esse cidadão acaba de ser premiado com a reeleição para o cargo de governador e terá, agora, o direito de desfrutar, por mais quatro anos, das benesses que o cargo lhe proporciona, sem o compromisso de zelar por coisa nenhuma. Esse aviso sobre o iminente sinistro reforça o entendimento segundo o qual o gestor público deve ser inarredavelmente responsabilizado, com a imediata aplicação das penalidades compativelmente com a sua ação ou omissão criminosa prejudicial à sociedade, inclusive com o seu afastamento do cargo e a sua prisão, para que o exemplo sirva de lição e haja mais interesse em administrar o interesse público com o devido zelo.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 28 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Responsabilização

Os especialistas garantem que, somente em raríssimos casos, as tragédias são imprevisíveis. O que existe, na realidade, é a arraigada negligência, desídia, dos administradores públicos, cuja indolência gerencial vem entravando ou dificultando a indispensável e efetiva prevenção de sinistros, que poderiam ser evitados ou sensivelmente amenizados com a identificação dos problemas e o adequado e eficiente planejamento para a execução das medidas de prévio saneamento das falhas estruturais. A pior prova da incompetência do gestor público é que os gastos com a prevenção normalmente são mínimos, conquanto a reconstrução ou reparação dos estragos exige montanhas de dinheiros públicos. A falta de vontade política e o desinteresse na articulação dos órgãos competentes por certo são fatores que contribuem para banalizar as tragédias, que, de forma altaneira e impiedosa, vão continuar causando sofrimento e danos irreparáveis à sociedade. Este é o momento ideal para serem impostas regras duras e vigorosas, no sentido da responsabilização dos administradores públicos pela sua omissão, nos casos de tragédias que poderiam ser evitadas com a simples prevenção.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 19 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

É, nem tanto

Por mais que as autoridades governamentais se esforcem em defender, há um rosário de dúvidas quanto ao sucesso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tanto que, presentemente, a sociedade e a Justiça têm opiniões mais realistas sobre o seu fracasso até então, principalmente à luz das graves falhas na aplicação dos últimos testes, como problemas na montagem, gabaritos invertidos, questões repetidas ou falhas, quebra do sigilo do tema da redação etc. Induvidosamente, o Enem é excelente ideia, por objetivar a unificação em todo país dos vestibulares. Contudo, o despreparo, a incompetência, o desleixo e a confusão evidenciados até agora são prova inconteste da má gestão dos dinheiros públicos, que estão sendo jogados continuamente pelos ralos e as autoridades ainda se vangloriam do gerenciamento problemático da educação, que, em todos os níveis de ensino, há razoável deficiência e clama pela urgente atenção que merece. Haja imposto para bancar tantas incompetências e trapalhadas, nunca vistas antes neste país.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 05 de novembro de 2010