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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Transportes à deriva

A Controladoria Geral da União instaurou, nesta data, nova sindicância no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit  e na ONG Inda (Instituto Nacional de Desenvolvimento Ambiental), com a finalidade de apurar denúncias de graves irregularidades na execução de obras de duplicação da Rodovia BR-101, no Nordeste, a cargo do Exército na Estado da Paraíba. Segundo o Tribunal de Contas da União, as medições pertinentes mostram grande diferença entre material pago e o que foi usado e estava em estoque, cuja defasagem pode resultar prejuízo superior a R$ 40 milhões. Curiosamente, o dono da aludida ONG era o responsável pelas questionadas obras, mas hoje ele dirige o Dnit, que teria sido escolhido em virtude de o seu trabalho na citada rodovia. Segundo reportagem da mídia, os valores das obras do Exército, responsável por três lotes do trecho da BR-101, foram majorados até 77%. Mais uma vez, verifica-se que o governo abdica da salutar ficha limpa sobre a vida funcional de alguém nomeado para dirigir cargo importante na Esplanada, pondo sobre terra a indispensável observância dos princípios da moralidade, da licitude e da honradez, que jamais deveriam ser desprezados com relação à gestão dos dinheiros públicos. Diante de todo lamaçal submergido nas contratações das obras de competência do Dnit, a sociedade esperava que, além da limpeza dos corruptos, das apurações das responsabilidades e das punições exemplares, as escolhas de novos dirigentes passassem por rigoroso processo seletivo quanto à estrita exigência do preenchimento dos requisitos de ilibada conduta moral e ética, além da comprovada probidade com a gestão de recursos públicos, em respeito às normas constitucionais e legais aplicáveis aos servidores públicos. Aliás, essa nova suspeita decorre do simples fato de se tratar de nomeação política, em que o fator predominante nesse caso é o peso de quem indica, não precisando passar por prévia avaliação sobre as qualidades e os precedentes do afilhado. Tendo em conta que as nomeações para os principais cargos da administração pública são de inteira responsabilidade e competência do chefe do Poder Executivo, seria de bom alvitre que esse mandatário pudesse ser censurado sempre que o ato de nomeação de alguém que já tenha desempenhado cargo público anterior em cuja gestão indique irregularidades com dinheiros públicos. Caso houvesse os devidos cuidado e zelo para a escolha de dirigente no serviço público, a lamentável suspeita quanto à lisura do atual chefe do Dnit teria sido evitada e não haveria mais esse terrível desgaste para o governo, que  demonstra, com isso, gostar de administrar a coisa pública com as denúncias de irregularidades nas suas entranhas, ante a forma de complacência e conivência com elas, em infringência às normas sobre a boa e regular aplicação dos recursos públicos. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 04 de outubro de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

A força de Itaipu

A ministra da Casa Civil da Presidência da República, quando se desligou, voluntariamente, da Itaipu Binacional - empresa mantida com recursos dos governos brasileiro e paraguaio -, para se candidatar ao Senado pelo PT do Estado do Paraná, recebeu a quantia de R$ 41 mil, a título de indenização equivalente à multa de 40% do saldo para efeito de rescisão trabalhista, contrariando o verdadeiro objetivo da norma legal, que somente autoriza essa forma de pagamento quando o funcionário é demitido da empresa sem justa causa. A Itaipu informou que a matéria não seria comentada, por se tratar de informações restritas, conforme "os regulamentos internos da empresa" e, caso contrário, precisaria ser liberada "mediante aprovação expressa da diretoria ou conselho de administração". Em situação idêntica a essa, um parlamentar do PPS-PR disse que, quando saiu da empresa em junho de 2004, para disputar a Prefeitura de Curitiba, recusou proposta para ser demitido, o que lhe permitiria receber similar multa, tendo afirmado que: "Na época fui informado que receberia cerca de R$ 40 mil da multa, mas não aceitei. Eu pedi para sair e não iria usar o serviço público para ganhar dinheiro. Para mim não é algo moral". Esses dois casos, embora retratando situações semelhantes, tiveram desfechos distintos, em que um dos protagonistas optou por não se beneficiar de dinheiro público e o outro, talvez menos avisado, não teve a mesma clarividência dos fatos. O curioso é que, depois da passagem pela Casa Civil de um habilidoso feiticeiro e grande manipulador dos “negócios” do Estado, deixando a maior urucubaca impregnada na poltrona por ele ocupada, seus sucessores não têm tido vida fácil, sendo ejetados do acento um atrás do outro, porque as suas “belas” falcatruas vêm à tona mais cedo ou mais tarde. Sem essa herança maldita, talvez a questionada indenização jamais fosse suscitada e muito menos tivesse o procedimento configurado como possível ato de improbidade administrativa e até de peculato, uma vez que a beneficiada da operação, atuando, à época, como diretora financeira da Itaipu, foi quem autorizou o seu próprio pagamento, ou seja, ela sabia perfeitamente o que foi executado, não precisando da orientação de ninguém. Em que pese a fartura de corrupção e irregularidades denunciadas na administração pública, que já se tornaram costumeiras no dia a dia desse governo, a sociedade espera que o fato em comento seja, pelo menos, objeto de minuciosa investigação e que o seu resultado satisfaça ao interesse público.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 26 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Safra à deriva

O irmão do líder do governo no Senado Federal acaba de ser exonerado do cargo de diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, após determinar o pagamento de R$ 8 milhões ao armazém Caramuru, de forma irregular, em nome de “laranjas”, ao tempo em que denuncia, em entrevista à revista "Veja", um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura, comandado por afilhado político do vice-presidente da República, a quem acusa de retardar esse pagamento determinado pela Justiça, como tentativa para negociar um aumento artificial de R$ 5 milhões no valor original, que seria embolsado por autoridades desse órgão. Ele ainda afirmou que a Conab, sob a influência política do ministério, também teria vendido, para um amigo do senador do PTB/DF, um terreno em área valorizada de Brasília, pelo quarto do valor de mercado. Em reunião reservada com a presidente da República, o líder governista disse que "desaprova a conduta" do seu irmão, ao afirmar que "Foi um absurdo o que ele fez, eu desaprovei a sua conduta. Pedi desculpas à presidente e já tinha também conversado com o ministro Wagner Rossi [Agricultura]. Ele viajou, eu não sabia que ele daria entrevista. Tenho que discordar da sua postura". No seu entendimento, as denúncias não prejudicam o PMDB, nem vão levar a presidente da República a promover uma "limpeza" nesse ministério. Como tem sido praxe a existência de negócios escusos e escabrosos nas administrações recentes, em que os envolvidos, ironicamente, sempre levam vantagens e se beneficiam das facilidades que desfrutam da influência dentro do governo, o nobre senador apenas achou absurdo que seu irmão tivesse denunciado, dando a entender que os fatos não tinham qualquer relevância, sem nenhum reflexo na ética, na moralidade e nos costumes do serviço público. Imagine alguém se beneficiar de somente R$ 5 milhões e alienar um bem público com desvalorização de três quartos do seu preço? Será mesmo que isso é algo tão irrelevante, a ponto de merecer um simples pedido de desculpas, para resolver, sem maiores consequências, sem solução de continuidade, uma questão tão grave? Na verdade, o que se pode inferir é que os fatos trazidos à lume podem representar apenas a ponta do iceberg das muitas falcatruas praticadas nos camarins do citado ministério. Caso o Brasil fosse um país com um pouco de seriedade, essas denúncias de irregularidades deveriam servir para uma verdadeira devassa no Ministério da Agricultura, onde, segundo as denúncias, foi instalado um esquema organizado de corrupção liderado pelo todo poderoso PMDB. A sociedade espera que, para a credibilidade da administração pública e a preservação do interesse público, os fatos acima denunciados sejam objeto de profundas apurações, com extensão aos demais procedimentos de gestão dos servidores envolvidos, com vistas à sua elucidação e à atribuição, se for o caso, das responsabilidades pelas irregularidades.
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 1º de agosto de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Traição à sociedade

Segundo reportagem publicada na Folha de S. Paulo, nesta data, o ex-ministro dos Transportes, que se prepara para retornar ao Senado, disse que se sente traído pelo governo, afirmando ter sido jogado em um "climbo polítio" ameaçador à sua candidatura ao governo do Amazonas. A sua saída do governo decorreu da enxurrada de denúncias de corrupção reveladas pela revista “Veja”, envolvendo aquela pasta, a Valec e o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes – DNIT, principalmente tendo por base suposto superfaturamento de obras, esquema de pagamento de propinas em obras federais e contratações de empresas de familiares e amigos. Não há a menor dúvida de que a exoneração do todo poderoso Don Corleone dos Transportes e de consequência dos seus asseclas foi um golpe terrível e mortal à bem organizada quadrilha que vinha agindo com competência e bastante articulação em diversos setores dos transportes, ocupando espaço desde o governo anterior, com a finalidade de saquear os cofres públicos, como uma espécie de propinoduto preparado para que o dinheiro fosse desviado com muita eficiência. Diante de tantas evidências já levantadas pelos órgãos de controle, as irregularidades são graves e reforçam a convicção do governo de que a limpeza nos transportes era mais do que necessária e põe por terra qualquer tentativa de alguém querer considerar injustos os procedimentos adotados, diga-se, com bastante atraso, à vista dos danos já causados ao erário. A verdade é que o Estado do Amazonas deve agradecer o bem que essa faxina vai lhe favorecer, por evitar que a chaga maligna dos transportes se apodere da chave do seu Tesouro. Por enquanto, quem tem o direito de se considerar traída é a sociedade, que pagou muito caro por boas estradas e ferrovias e, em contraprestação, ainda não teve a satisfação de recebê-las nas perfeitas condições das encomendas.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 27 de julho de 2011
   

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Casa da mãe Joana

Conforme vem sendo noticiado pela mídia, para implementar a fusão da rede francesa Carrefour com o grupo Pão de Açúcar, o Estado brasileiro teria que participar com R$ 4 bilhões, ou seja, cem por cento do negócio, com aporte de recursos realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. Como de costume, o governo brasileiro mente, inventando uma história sempre mal contada. Veja-se que a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República negou que haja recurso público na fusão e que essa é uma ação de mercado da BNDESPar, braço de participações do banco em empresas privadas, e não passa pelo crivo do governo. Como o próprio nome diz, o braço faz parte, como membro, do BNDES, ou seja, administra recursos públicos. Também há explicação oficial no sentido de que a aludida negociação interessa ao país, sob os argumentos de que isso facilitaria a distribuição de produtos brasileiros pelo mundo. Essa é outra inverdade petista, sabendo-se que os produtos brasileiros são muito caros, em comparação aos fabricados, por exemplo, na China e na França, para aonde eles seriam exportados, os quais não teriam a mínima condição de competitividade nesses países. Esse nebuloso caso não chega a ser nenhuma novidade, porque o governo brasileiro tradicionalmente age com benevolência com os empresários pátrios já bem sucedidos, ao participar, sem qualquer critério que o justifique, de empresas que, na realidade, estão muito bem administradas financeiramente. É bastante fácil entender o motivo pelo qual os empresários recorrem aos recursos públicos, para turbinarem os seus negócios, estando vinculados aos encargos financeiros subsidiados, quase a custo zero, em relação aos financiamentos da rede bancária privada. Caso o Brasil fosse um país pouquinho sério, os recursos do BNDES, que são públicos, seriam canalizados com exclusividade para setores efetivamente carentes de incentivos econômico e social, com vistas a possibilitar o aumento do emprego e principalmente da produtividade interna ou localizada, para o desenvolvimento econômico e social, como indicam claramente o nome e a própria destinação do mencionado banco, em exclusivo benefício do povo brasileiro.  

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 30 de junho de 2011
   

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A beleza das reformas

Tem sido motivo de enorme preocupação não só a demora das reformas e construções dos estádios para a Copa do Mundo, mas, em especial, o fato de que, inicialmente, não seriam utilizados recursos públicos para essas obras e os custos, evidentemente, deveriam ser outros bem inferiores aos valores estimados na atualidade. Já não há mais dúvidas de que nada será implementado sem o financiamento generoso do BNDES, ou seja, recursos públicos, sob o falso argumento de que serão criados espaços multiusos, como forma de justificar a participação de verbas públicas, que também hão de garantir as obras de infraestrutura nas imediações das praças desportivas. Desde logo, é possível se afiançar que a dívida contraída jamais será quitada, as construtoras vão reajustar de forma escandalosa seus preços, para possibilitarem a conclusão das obras, e os espaços multiusos não terão utilidade senão para o usufruto de terceiros, como sói acontecer em casos que tais. Em passado recente, nos Jogos Pan-Americanos, foram apuradas irregularidades diversificadas, como superfaturamento de preços, emprego de material de péssima qualidade e obras inacabadas, entre outras perversidades com o dinheiro público, porém não se tem conhecimento que alguém tenha sido responsabilizado pelos prejuízos ao erário e, muito menos, penalizado com a proibição de participar de novas contratações com a administração pública, que se compatibilizariam com a exigência legal de reparação do patrimônio público e de lição para prevenir a reincidência de fatos análogos. A previsibilidade de insucesso quanto ao resultado das reformas e construções em apreço é uma realidade que poderia ser evitada se o governo tivesse interesse em se prevenir, apenas adotando, desde logo, medidas eficientes de controle da gestão pública, sem necessidade de ter que assumir no futuro, de forma pacífica, para o contribuinte pagar, a fatura pertinente aos investimentos destinados à realização da Copa do Mundo de Futebol.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 02 de junho de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Distribuição de renda

 O conceito básico para distribuição de renda tem servido como procedimento eficiente de erradicação da miséria e da diminuição da desigualdade social. No Brasil, essa prática assistencialista tem sido feita pelo governo, especialmente mediante o programa Bolsa Família, que é alardeado aos quatro cantos como sua importante medida social, embora seja alvo de constantes críticas da sociedade, quanto à deficiência do controle e gerenciamento incumbidos, basicamente, a órgãos municipais despreparados. Além desse insatisfatório programa, outras melhorias básicas não são oferecidas à população carente, contribuindo para aprofundar a extrema pobreza, que é sinônimo de subdesenvolvimento econômico e social de uma nação. A tentativa de apenas incrementar os recursos para o Bolsa Família não será suficiente para a conquista da maturidade e do desenvolvimento econômico-social, uma vez que a erradicação dessa chaga social somente será possível com a implementação de politicas de melhoria dos serviços oferecidos à população e de inclusão produtiva, compreendendo qualificação profissional, geração de emprego e renda, junto às classes sociais menos assistidas, além do aperfeiçoamento dos controles e da gestão do citado programa. Como a distribuição de renda imperante nas terras Brasis é aquela que não objetiva a melhoria da condição de vida, mas tem como característica privilegiar tão somente o fator eleitoral, visando à perpetuação do poder, certamente que nada será modificado em relação ao sistema atual vigente, ou seja, mesmo com a precariedade do gerenciamento, o Bolsa Família continuará sendo, infelizmente, apenas benesse governamental e não servirá jamais, ante os fatos descritos, como medida de eliminação da pobreza extrema.
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 06 de abril de 2011
   

terça-feira, 15 de março de 2011

Gastança

Conforme foi publicado pelo Correio Braziliense (edição de 10 último), o ex-presidente da República desembarca em Doha, capital do Catar, acompanhado de segurança militar, para fazer uma palestra na rede de televisão Al Jazeera. Com autorização da Presidência da República, os militares vão receber diárias que ascendem à vinte mil reais e serão custeadas pelo Tesouro Nacional. Esse tipo de segurança tem respaldo legal, ao assegurar aos ex-presidentes da República oito servidores à sua livre escolha, embora a norma disciplinadora dessa questionável mordomia não deixe claro se as despesas com passagens e diárias desses servidores também são despendidas pela União. Inobstante, o que chama a atenção para o fato é que essa única participação não tem nada a ver com o interesse dos negócios do Brasil, por ser um evento denominado “6º Fórum Anual da Al Jazeera”. Nesse caso, competia àquela rede de televisão arcar com as despesas pertinentes ou, então, vir ao Brasil gravar a palestra para evento de seu exclusivo interesse. De liberalidade e de desperdício desse jaez, sem qualquer aproveitamento para a sociedade e sem questionamento sobre a sua reiterada prática, aliados à ineficiência do gerenciamento da coisa pública, faltam recursos para o atendimento aos programas de assistência social pública, inclusive ao sistema de saúde, dando azo para os incompetentes e gestores sem visão administrativa insistam na recriação de tributos para manter viva a falta de prioridade governamental, como a indicada neste texto.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 15 de março de 2011                                        


quarta-feira, 2 de março de 2011

O preço do descaso

A história não se cansa de registrar o quanto tem sido prejudicial para o interesse público a falta de manutenção dos imóveis, monumentos, obras de arte, prédios e demais estruturas físicas públicas, por exigir vultosas quantias para o indispensável conserto dos estragos, a par de resultar incalculável prejuízo para a sociedade, que, em muitos casos, fica impedida de usufruir do benefício propiciado por pontes, estradas, escolas, hospitais etc., além de ser obrigada a contribuir com os recursos para a sua recuperação. Se houvesse o devido zelo com a manutenção constante e cuidadosa desses bens, certamente o seu estado de conservação seria prolongado e a sua utilização não sofreria solução de continuidade, evitando-se a destinação de montanhas de dinheiros para esses casos. infelizmente, a incompetência dos gestores públicos tem resistido heroica e bravamente à aderência dos métodos de eficiência e racionalidade no serviço público, também nesse particular. Espera-se que esses procedimentos arcaicos sejam urgentemente modificados por força da adoção de mecanismos que permitam a responsabilização que se impõe, por justiça, desses maus administradores.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES                         

Brasília, em 28 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Torrefação de dinheiro

Não chega a ser nenhuma novidade a notícia sobre a farra dos parlamentares com o dinheiro do contribuinte, notadamente com a famigerada e abominável verba indenizatória, em que, no caso do Distrito Federal, deputados distritais torraram a cifra de R$ 1,8 milhão, com combustíveis, publicidade, aluguel de imóveis e consultoria, pasmem, em pleno ano eleitoral, em que a Casa Legislativa ficou entregue às moscas e nada foi produzido em benefício da sociedade. É totalmente inadmissível que um único deputado, sem justificar, tenha gasto com combustível, em três meses, a cifra de R$ 31.650,00, sendo suficiente para percorrer 162 mil km, que equivalem a quatro voltas ao mundo. Isso é um absurdo, para não dizer outra palavra mais apropriada à sanha criminosa que deforma o orçamento público. Na mais remota hipótese, essa esquisita verba somente deveria ser liberada, a exemplo do que deve ocorrer com todas as despesas públicas, após a comprovação da sua real necessidade para o exercício do cargo. Na forma como é desprendida, hoje, essa despesa é uma vergonha, uma agressão inaceitável, por não justificar o seu resultado apenas em benefício do seu usuário, sem qualquer reflexo na vida do contribuinte. Trata-se de mais uma escancarada imoralidade do parlamento que precisa urgente e definitivamente ser banida da administração pública, para o bem da nação.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 18 de fevereiro de 2011                                         


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Farra parlamentar

Os ânimos dos membros dos partidos políticos estão acirrados com a disputa intensa pela distribuição de 1.168 cargos de natureza especial, que são normalmente preenchidos, sem concurso público, por apadrinhados políticos, com gastos anuais de noventa e cinco milhões de reais. São tantos cargos loteados entre lideranças dos partidos e parlamentares com pouca ou nenhuma função a desempenhar, evidenciando verdadeira farra, claro absurdo e desperdício de dinheiros públicos. A saciedade com o imoral preenchimento desses cargos fere a dignidade de todo povo brasileiro, que vem sofrendo cruelmente com a deficiência de toda ordem, principalmente da saúde, do ensino, da segurança e dos transportes públicos. Enquanto uns reivindicam o direito à assistência pública de qualidade, outros poucos travam luta intestina para gastança sem critério algum de recursos, sempre minguados para aqueles e abundantes para estes. Isso é uma vergonha nacional que a sociedade precisa denunciar e exigir que essa extremosa indecência seja eliminada da administração pública.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 31 de janeiro de 2011
   

Ultrage à moralidade

De norte a sul do país, há frenética busca dos ex-governadores por aposentadorias indevidas, porquanto o Supremo Tribunal Federal já a considerou inconstitucional, mas esse veredicto não foi capaz de evitar a farra dos políticos na consecução dos seus intentos, ainda que resultem em sangria dos cofres públicos, pelo pagamento de despesas sem amparo legal.  A cultura dos políticos brasileiros não permite enxergar senão aquilo que lhe beneficie, não importando quanto à legitimidade do ato. Veja-se o caso de um importante político, beneficiário dessa vergonhosa imoralidade, que, na vã tentativa de justificar o injustificável, alegou que o valor da sua aposentadoria estava sendo doado a uma instituição de caridade, dando a entender, com seu “gesto benévolo”, que o produto do benefício provém de origem ilícita, não sendo, certamente para ele, confortável ficar com o dinheiro, talvez por temer que isso pudesse denegrir a sua imagem política. Na verdade, trata-se de típica pseudocaridade com chapéu alheio, porque, sendo ilegítima a fonte dos recursos, a doação também se torna viciada juridicamente. É imperdoável e inconcebível que essa investida insidiosa e perversa ao erário, que mais caracteriza subtração pacífica do dinheiro público, não tenha sido ainda terminantemente extirpada, com a apuração das responsabilidades, com vistas ao ressarcimento dos valores pagos indevidamente, como forma desejável do restabelecimento do princípio da moralidade pública.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 30 de janeiro de 2011
   

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A insensatez

  De longa data, a saúde pública de todo país é um verdadeiro caos, não sendo privilégio negativo somente da capital dos brasileiros, onde faltam equipamentos médico-hospitalares, medicamentos, médicos e apoio administrativo, que contribuem seriamente para dificultar atendimento digno à população menos aquinhoada. O principal sintoma dessa chaga é a má gestão dos recursos públicos, que são despendidos sem qualquer priorização, com graves reflexos no sistema de saúde pública nacional. Não se trata em absoluto de escassez de dinheiros públicos, porque o Brasil é pródigo em ajudas financeiras a países como Cuba e outros, exemplos de democracia e de respeito aos direitos sociais, e benevolente em concordar sem questionar com as absurdas exigências dos dirigentes do futebol internacional, para a liberação de recursos para construir e reformar monstruosos estádios para os jogos da Copa do Mundo de 2014, com custos estimados em montantes incalculáveis, cujos monumentos terão pouca utilidade após os eventos, como o de Brasília e de outros estados sem expressão alguma da prática do futebol. Essas evidências reforçam, de forma insofismável, a incompetência gerencial, a falta de priorização das necessidades humanas e acima de tudo a vulgarização do sofrimento das pessoas, que sempre são colocadas em planos secundários. Como a saúde pública encontra-se, há bastante tempo, padecendo na UTI, a alternativa mais adequada ao caso em tela é a responsabilização dos maus administradores públicos, que seriam obrigados a tomar remédios amargos, porém eficazes contra a insensibilidade, o descaso, o tratamento indigno e a perversidade praticados em desfavor do ser humano.   

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 25 de janeiro de 2011
   

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

É, nem tanto

Por mais que as autoridades governamentais se esforcem em defender, há um rosário de dúvidas quanto ao sucesso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tanto que, presentemente, a sociedade e a Justiça têm opiniões mais realistas sobre o seu fracasso até então, principalmente à luz das graves falhas na aplicação dos últimos testes, como problemas na montagem, gabaritos invertidos, questões repetidas ou falhas, quebra do sigilo do tema da redação etc. Induvidosamente, o Enem é excelente ideia, por objetivar a unificação em todo país dos vestibulares. Contudo, o despreparo, a incompetência, o desleixo e a confusão evidenciados até agora são prova inconteste da má gestão dos dinheiros públicos, que estão sendo jogados continuamente pelos ralos e as autoridades ainda se vangloriam do gerenciamento problemático da educação, que, em todos os níveis de ensino, há razoável deficiência e clama pela urgente atenção que merece. Haja imposto para bancar tantas incompetências e trapalhadas, nunca vistas antes neste país.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 05 de novembro de 2010