Na Venezuela, grupos de pessoas ficam às espreitas
esperando que os estabelecimentos joguem fora o lixo, o refugo dos restaurantes,
das padarias e outros comércios congêneres, infelizmente para o deleite delas,
que não têm alternativa de vida, de sobrevivência.
A crônica e terrível situação da fome naquele país
é decorrente do desabastecimento de alimentos, gêneros básicos, remédios etc.,
que já perdura de longa data, não permitindo que a população seja suprida com
esses produtos essenciais.
Essa questão de extrema calamidade vem sendo
agravada com degeneração da economia, capitaneada pelos fatores como a
galopante inflação, o desemprego, a desindustrialização, a escassez de
arrecadação, a falta de investimentos, entre outras mazelas que arrasaram as
estruturas do Estado e de seu povo.
Uma das medidas atenuantes adotadas pela ferrenha
ditadura bolivariana contra a gravíssima crise da fome e da falta de alimentos
é a venda, a preço subsidiado pelo Estado, da bolsa Clap (Comitê Local de
Abastecimento e Produção), cujos produtos são colocados em caixa que traz
estampadas as fotos do atual presidente e a do seu antecessor, em dispensável
propaganda de governo ditatorial, onde contém um pouco de alimentos básicos,
como arroz, feijão preto, farinha de milho, óleo, sal etc., o mínimo para a
subsistência de família reduzida.
A referida cesta Clap serve como espécie de controle
político do regime socialista, como foi mostrado pela reportagem da revista VEJA.
Aquele que não votar com o governo, não for
favorável ao regime ou se manifestando contra o presidente acaba ameaçado de
perder o acesso à importante caixa de comida, que tem sido a única garantia de
sobrevivência na selva da truculência, incompetência e desumanidade, em um país
que caminha em passos largos para a falência plena.
Um deputado da oposição disse que “Os Claps são uma forma de controle dos
venezuelanos através da fome, sobretudo quando pensamos que um em cada dez
venezuelanos busca comida no lixo”.
Essa declaração do parlamentar de que um em dez
venezuelanos busca seu alimento no lixo é um indicativo de muita crueldade para
as pessoas que merecem ser tratadas com o mínimo de dignidade, cujo fato é
forte indicativo de que a situação naquele país tende a piorar em escala
progressiva e perigosa, diante da falta de perspectivas em uma nação comandada
por governo acéfalo, incompetente e irresponsável, que não demonstra o mínimo
de capacidade para contornar as graves crises que destruíram as estruturas do
Estado e de seu povo, que perambula como zumbis, à procura de saída que resiste
em aparecer e jamais vai chegar com o governo absolutamente incapaz, insensível
e ultrapassado.
Diante dessa situação de calamidade humanitária, em
que a população recorre ao lixo, como única alternativa, para se alimentar e
sobreviver, já passou do tempo para que as entidades internacionais dos
direitos humanos, em especial com sede na Organização das Nações Unidas, se
posicionem em defesa da dignidade dos venezuelanos, que não podem continuar sob
o jugo de governo déspota, incompetente, irresponsável e desumano, por
submetê-los, de forma impiedosa, ao pior sacrifício da fome. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 2 de outubro de 2017
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