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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Desmoralização eleitoral

Como não poderia ser diferente, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba decidiu rejeitar os embargos de declaração interpostos pela prefeita e vice-prefeita do Município de Uiraúna, daquele Estado, mantendo a cassação delas e a realização de eleições indiretas para os mencionados cargos. Embora o fato gerador dessa punição tenha sido a aviltante e injustificável compra de votos, em evidente processo de trapaça que modificou o resultado do certame eleitoral, beneficiando indevidamente o partido manipulador do condenável ardil e, em consequência, as cidadãs punidas, é triste saber que elas ainda têm o direito constitucional de recorrer em instâncias, impedindo, naturalmente, de se afastarem dos cargos. É muito estranho que, mesmo ocupando cargos de forma irregular, diante da constatação da burla às regras eleitorais, essas madames são duplamente beneficiadas pela terrível morosidade da Justiça e a possibilidade de infindáveis recursos, em diversas instâncias e fases processuais, imprimindo ritmo lento ao desfecho da demanda e dificultando o definitivo saneamento da vexatória imoralidade política. Alhures já vislumbrei não a tranquila, diante da possibilidade dos infinitos recursos cabíveis em processos judiciais, mas a permanência da prefeita e vice-prefeita nos seus cargos, conforme artigo publicado na minha página na internet, intitulado "Cassação de Araque", por antever exatamente o que está acontecendo neste momento com a ação em causa, que é examinada à luz de uma legislação antiquada, tão obsoleta que merece o mais veemente repúdio da sociedade, por não permitir que esse episódio desonesto e deplorável de compra de votos possa ser julgado imediatamente à apresentação da denúncia sobre os fatos indecentes e abomináveis. Apesar desse visível descompasso da legislação aplicável à espécie com a evolução e modernização da humanidade, em termos de conhecimentos científico e tecnológico, não há qualquer iniciativa objetivando o aprimoramento das normas legais pertinentes, como forma de se evitar que fatos contaminados e imorais como esses aqui focalizados se repitam, porque a sua ocorrência, na prática, deixa a marca indelével da desmoralização impregnada na comunidade, que tem a desdita e a nítida certeza de ser administrada por pessoas eleitas em processo eleitoral fraudado, tornando ilegítimo o seu mandato, por não terem sido respaldados os cargos nos salutares princípios constitucionais da legalidade, honestidade e moralidade. Aliás, não deixa de ser inconcebível que, sob o prisma do bom-senso, as pessoas cassadas, ante o seu envolvimento em processo criminoso contra a legislação eleitoral, não sejam imediatamente afastadas dos seus cargos, enquanto responderem na Justiça, e somente os reassumindo se provada em definitivo a sua inocência. A sociedade anseia por que as legislações aplicáveis aos procedimentos eleitorais e penais sejam urgentemente aprimoradas em sintonia com a evolução da humanidade, possibilitando que os fatos que resultarem em fraude ao certame eleitoral, de quaisquer espécies, possam ser apurados e punidos os culpados com celeridade e rigor, de modo que a questão seja saneada imediatamente, em benefício da administração pública e da comunidade. Acorda, Brasil! 
      
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 09 de maio de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Só benesses

Algo que o governo federal, há tão pouco tempo, se dizia abominar, agora já se tornou prática bastante rotineira e conta com o incentivo vergonhoso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES para a sua concretude, mediante a aprovação das condições básicas para dar apoio financeiro à concessão de serviços públicos de ampliação, manutenção e exploração dos aeroportos internacionais de Brasília, Campinas e Guarulhos. Ah! Nada de anormal, porque o apoio do banco será limitado aos modestos 80% do investimento total e 90% dos itens financiáveis, em conformidade com suas políticas operacionais, sendo 70% em taxa de juros de longo prazo (TJLP, em 6% ao ano) e 20% em outras moedas, como Selic, IPCA e cesta de moedas, acrescidos de demais taxas. A remuneração básica do BNDES será de 0,9% ao ano, acrescida da taxa de risco da operação, que pode variar de 0,46% ao ano a 3,57% ao ano, ou seja, somando as taxas possíveis, os ganhos do banco não chegam nem à metade dos rendimentos pagos pela poupança. O banco explicou que sua participação poderá ocorrer por meio de apoio corporativo - diretamente para as empresas - ou sob a forma de "project finance", mediante a criação de uma Sociedade de Propósito Específico. Os projetos têm prazos de concessão de 20, 25 e 30 anos, respectivamente, para Guarulhos, Brasília e Viracopos, estando previsto o empréstimo-ponte, com custo a remuneração básica do BNDES, de 0,9% ao ano, acrescido de TJLP, mais 1% ao ano e de taxa de risco de crédito. Com toda sinceridade, jamais se viu, na história deste país, taxas de financiamentos tão “escorchantes”, a ponto de se tornarem preocupantes para as pobrezinhas empresas financiadas se endividarem e depois não terem como assumir seus compromissos. Essas privatizações petistas, na forma como mostradas e se elas são realmente verdadeiras, demonstram acinte e descaramento por parte de quem defendia os interesses nacionais e condenava com veemência as privatizações do passado. No presente caso, não precisa ser perito em privatização para perceber o tamanho das facilidades e da entrega do patrimônio público para a iniciativa empresarial, com as benesses de juros nunca vistas no país tupiniquim. O Tesouro Nacional, completando o aporte de R$ 55 bilhões autorizados no ano passado, acaba de liberar a emissão de mais R$ 10 bilhões em títulos, que será emprestado ao BNDES, com vistas a estimular investimentos do setor privado, enquanto, no setor público??? A sociedade brasileira, que acaba de ficar privada do recebimento de dinheiro para a saúde, recebe de troco essa lastimável notícia sobre a ignominiosa concessão de empréstimos quase de graça para a implementação de processos de privatização. Urge que o povo brasileiro tenha a consciência do que o governo vem fazendo em desrespeito aos princípios da administração pública e aos compromissos de campanha, ao adotar medidas contrárias à preservação da integridade do patrimônio nacional. Acorda, Brasil!        

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 20 de janeiro de 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desamor à saúde

A presidente da República sancionou, com quinze vetos, a regulamentação da Emenda 29, com abrangência sobre dispositivos importantes, entre os quais o que determinava a separação dos valores a serem aplicados na saúde em contas específicas, cujo procedimento teria por objetivo facilitar a fiscalização da sua efetiva aplicação, com maior transparência da gestão dos recursos pertinentes. Entre os artigos vetados consta um que possibilita à União aplicar menos dinheiro na saúde, ou seja, libera-a de destinar menos recursos para hospitais, remédios e material hospitalar. Nessa linha de pura maldade contra o povo, foi vetado o artigo que previa "créditos adicionais" para a saúde, na hipótese da revisão do valor nominal do Produto Interno Bruto - PIB, sob a justificativa de que a "necessidade de constante alteração nos valores a serem destinados à saúde pela União pode gerar instabilidade na gestão fiscal e orçamentária". Os motivos para os vetos aos dispositivos da norma em apreço, por incrível que pareça, foram "por contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade". Como se pode observar, as justificativas oferecidas ao Congresso Nacional são, no mínimo, ridículas, para não se dizer outra expressão mais apropriada ao caso, visto que a atitude presidencial demonstra, com clareza, a gritante falta de prioridade do governo para com o sistema de saúde, que, há bastante tempo, vem padecendo e agonizando na UTI, em que pese tanta imploração por recursos públicos para, ao menos, amenizar o enorme sofrimento dos brasileiros. Sem dúvida alguma, a regulamentação da Emenda 29 seria excelente oportunidade para a União demonstrar um mínimo de esforço e empenho na resolução dos graves problemas da saúde, porém, ao contrário disso, o governo prefere, sem qualquer cerimônia e com desculpas fajutas e inadequadas, mostrar o seu descompromisso e a sua insensibilidade para com a premente questão, fugindo da importante responsabilidade constitucional e legal que lhe compete em primeiro plano, a despeito dos crescentes superávits de arrecadação de recursos públicos, que são destinados naturalmente para outras finalidades estranhas ao interesse público, possivelmente para o pagamento dos juros da dívida interna, em prejuízo da melhoria da saúde dos brasileiros, sempre relegada a planos secundários. A sociedade anseia por que o Congresso Nacional, em estrito cumprimento ao seu dever constitucional em defesa da população brasileira, vote com urgência a matéria referente aos vetos em tela e os derrube, para benefício dos brasileiros, com o devido restabelecimento da garantia da plena aplicação dos recursos necessários ao sistema de saúde pública. Acorda, Brasil!    

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 19 de janeiro de 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sociedade na idade da pedra

Tão logo o Brasil alcançou significativa posição no ranking da economia do mundo, conforme pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas para Economia e Negócios, da Inglaterra, que apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai ultrapassar o do Reino Unido em 2011 e o país será o sexto maior do mundo, o ministro da Fazenda, cheio de empolgação, disse que a França será a próxima potência econômica a ser ultrapassada e o país tupiniquim se tornará a quinta maior economia do mundo, com certeza antes de 2015. Segundo o ministro, a previsão do Fundo Monetário Internacional é de que o Brasil vai atingir essa posição em 2015. Na avaliação dele, isso pode acontecer “um pouco antes”, em razão das dificuldades pelas quais os países europeus devem enfrentar nos próximos anos, por conta da grave crise financeira. A sua euforia tem por base o fato de que “Nosso ritmo de crescimento será o dobro dos países europeus. Portanto, é inexorável que nós passemos a França e, quem sabe, talvez a Alemanha, se ela não tiver um desempenho melhor”. Para ele, nos próximos anos, o crescimento econômico na Europa deve ser de cerca de 2%, mas, no Brasil, de 4% a 4,5%, em média. Embora o ministro garanta que a tendência é de que o Brasil consolide a posição conquistada nos próximos anos e se mantenha entre as principais economias do mundo, ele foi bastante realista, ao afirmar que serão necessários ainda entre 10 e 20 anos para que a população brasileira tenha qualidade de vida semelhante à europeia. Numa análise mais realista, caso o governo não faça, com urgência, investimentos maciços em programas de educação, saúde etc., a convivência da sociedade com a precariedade do seu padrão de vida perdurará, infelizmente, por séculos. Não deixa de ser um contrassenso um país situar-se entre as maiores economias mundiais e possuir uma população ainda convivendo, de forma cruel, na idade da pedra, em relação às conquistas sociais, com reconhecido atraso quanto à satisfação das necessidades amplamente disponibilizadas nos países que estão situados logo em seguida à posição que o Brasil irá ocupar. Não deixa de ser louvável essa autoridade reconhecer a vergonhosa e triste realidade, porém é totalmente inadmissível que um país consiga o crescimento econômico, mas seja totalmente incapaz de implantar programas e estratégias objetivando à melhora das condições de vida do seu povo. Urge que os governantes sejam mais capacitados e diligentes no sentido de solucionar os graves obstáculos que impedem o desenvolvimento social dos brasileiros, de modo que seja possível propiciar à sociedade, o quanto antes, qualidade de vida também no nível já alcançado pelos países europeus. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 27 de dezembro de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Valorização da vida

Quase diariamente, a imprensa e a população de Brasília se manifestam sobre a caótica situação do uso do eixão, que tem sido motivo de sucessivos acidentes, envolvendo pedestres e motoristas, com resultados trágicos e muitas vezes com perdas de vida ou mutilação de órgãos humanos, normalmente com a sua inutilização para sempre, como eterno castigo para as pessoas envolvidas, mas isso não tem sido capaz de mudar a mentalidade da população que insiste no perigo, com a utilização das belas, porém perigosíssimas pistas. É intrigante que os fatos nefastos, os sinistros aconteçam amiudamente e são noticiados com o destaque que se exige para tamanha gravidade, mas as autoridades distritais responsáveis não são sensibilizadas nem se interessam pela solução desse enorme problema social. Na verdade, ninguém se preocupa em adotar medidas com vistas à equação e resolução do lastimoso caso. Convém ressaltar que Brasília é pioneira em várias e importantes iniciativas que têm servido de exemplo e modelo para o resto do país, como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e da faixa de pedestres. Com esteio em medidas dignificantes como essas, seria importante que houvesse disposição governamental e vontade política para a solução desse caso, com a locação de recursos humanos e materiais necessários, voltados para campanhas e fiscalizações rigorosas e apropriadas. É evidente que, antes de qualquer esforço para educar e instruir a população sobre a correta ultrapassagem sob o eixão, convém que as passagens subterrâneas sejam completamente reformadas, dotando-as de condições compatíveis com o desejável uso do ser humano, principalmente em termos de conforto e segurança. No mais, o Estado, além de prestar os meios necessários à humanização dos meios e instalações do eixão, tem a obrigação de criar, instalar e manter sistemas de fiscalização e controle sobre o uso do eixão, com abrangentes medidas educativas, enérgicas e severas, no estrito cumprimento das normas de trânsito e principalmente na defesa da vida humana, devendo, inclusive, aplicar as penalidades cabíveis, na forma da lei. A sociedade espera que os governantes despertem com urgência sobre a necessidade da revitalização das passagens subterrâneas do eixão, de modo que elas possam ser utilizadas de forma racional, e da adoção de medidas capazes de evitar tantas mortes na via de tráfego mais famosa de Brasília. Acorda, Brasília!         

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 16 de dezembro de 2011

domingo, 4 de dezembro de 2011

Inoperância da oposição

A atual crise política brasileira, agravada pela falta de reformas, acena para incertezas do futuro do país, mormente pela dificuldade de renovação das lideranças dos quadros partidários de oposição, que não consegue se reciclar para oferecer à sociedade nomes novos, diferentes dessa composição alheia à realidade do que acontece no Brasil, cujas ideologias estão desatualizadas, retrógradas e incapazes de contribuir para motivar a devida empolgação contra as práticas implantada por esse governo, que sabiamente disseminou programas assistencialistas e eleitoreiras às classes de menor poder aquisitivo, medida essa que, além de impactar a produção do país, simplesmente proporciona aos beneficiários verdadeira acomodação com essa esdrúxula situação de ajuda, bancada às custas dos brasileiros que produzem e são obrigados a arcar com essa indecência. O certo é que os políticos de oposição não têm conseguido acrescentar nada de novidade na sua surrada cartilha de conformismo e de aceitação da sua passividade contra a enxurrada de desacertos e de deficiências do governo, como a deslavada pilhagem dos cofres públicos, nunca antes vista na história do país; a enorme e exacerbada violência, com índices altíssimos de mortes, vítimas de homicídios ou acidentes de trânsito; o péssimo ensino público, atrasado e de fraca qualidade, com quase 10% da população brasileira constituída de analfabetos, dificultando ascensão social e melhoria de vida do povo; a carência generalizada na saúde pública, onde a insatisfação no atendimento contribui para que a população adoeça ainda mais; a precariedade do saneamento básico; a formação de coalizão interessada em fins contrários aos interesses da sociedade; a ineficiência da máquina pública, apenas voltada para o atendimento de aliados políticos; a pesada carga tributária, dificultando o progresso do país; os elevadíssimos juros, limitando o crédito; enfim, são tantas mazelas que exigem atuação ativa, efetiva e competente da oposição, que, na prática só existe no nome, à vista da sua plena omissão. Com seu pífio desempenho, a oposição presta grande contribuição à desenvoltura desastrosa do governo, que, ao contrário do que determinam a constituição e as leis do país, não é fiscalizado e cobrado pelos seus atos atrapalhados e incompetentes de gestão dos recursos públicos. Por via de consequência, os partidos de oposição são impotentes e despreparados e sua postulação à ascensão ao poder não deverá passar de sonho, ante as mínimas chances de vitória, exatamente pela incapacidade para impedir os ousados avanços petistas em todo país, com política assistencialista eleitoreira e campanhas publicitárias mostrando apenas o que interessa para o povão, que não são contestadas. A sociedade anseia por que a oposição desperte da letargia da omissão, da ineficácia, enquanto há tempo suficiente para reviravoltas e passe a atuar com efetividade de ações capazes de combater o gerenciamento precário e deficiente desse governo, que tem sido insensível aos graves problemas que travam o desenvolvimento social do país. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 04 de dezembro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Indigna atualização

Segundo cálculo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios, o número de vereadores no país pode aumentar 16% em 2013, tendo por base a população estimada do IBGE, conforme levantamento promovido à luz da resolução aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral, permitindo que os municípios adequem a quantidade das respectivas cadeiras ao real crescimento da população. Em 2013, 2.153 cidades estarão aptas a fazerem a atualização, totalizando entre 54.577 e 59.764 vereadores, nos 5.565 municípios brasileiros, que contam, atualmente, com 51.419 cadeiras nas câmaras municipais. As alterações poderão resultar em até 8.345 novos vereadores. Curiosamente, do total dos municípios que podem atualizar o número de vereadores, somente o de Conchal (SP) preferiu diminuir as vagas de 13 para 11. Esse episódio retrata com bastante lucidez o quadro fiel da realidade brasileira, em que as mudanças promovidas na estrutura política são sempre apontando para rumos contrários à modernização e ao aperfeiçoamento do Estado, sempre em sentido diferente do que se espera de um país decente e eficiente, preocupado precipuamente em funcionar na busca do atendimento das necessidades públicas, priorizando o máximo aproveitamento e o bom emprego dos recursos dos contribuintes, com a seriedade e a economicidade desejáveis por todos, no sentido de que as políticas públicas voltadas, notadamente para a saúde, a educação, a moradia, o transporte, a segurança pública, a infraestrutura básica etc., possam ser implementadas com menor dificuldade e resultados satisfatórios. Nada disso poderá acontecer com a criação de mais de 8.000 vereadores e de milhares de cargos para os afilhados, cabos eleitorais e outros fazedores de coisa alguma, além da ampliação das instalações e aquisição de equipamentos, de informática, de veículos, da contratação de pessoal de apoio e de assistência médica etc. Na verdade, as despesas vão ser debitadas, mais uma vez, na conta da sociedade, que terá de assumir mais esse pesado ônus, com quase nenhum benefício para a já sacrificada população, que ainda, para chancelar o quadro de horror e de desperdício de dinheiros públicos, é quem vai escolher também os novos “ilustres” vereadores para se juntarem à já existente enormidade dos que produzem muito pouco em prol de coisa alguma. Convém que a sociedade se conscientize da necessidade da construção de uma nação moderna e eficiente com relação aos negócios de Estado, em especial quanto à composição dos seus representantes nas Câmeras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, que jamais poderia exceder aos quantitativos racionalmente necessários ao atendimento dos interesses da nacionalidade, cujas despesas teriam que se adequar à realidade do sacrifício contributivo dos cidadãos, de modo a justificarem a existência e a finalidade dessas instituições políticas. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 10 de outubro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Liberdade à corrupção

Consoante afirmação dos delegados da Polícia Federal, o governo não prioriza o combate à corrupção, em que pesem os órgãos de fiscalização pública, como a própria polícia, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União saberem onde há desvios de recursos públicos, mas não os evitam porque a questão seria tratada de forma "secundária" pela atual gestão, tendo por base análise feita pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal junto ao PPA (Plano Plurianual) 2012-2015, divulgado em 31 de agosto, verificando que "Não há investimento para estancar a perda do dinheiro público. Isso vai evitar que as metas do governo sejam cumpridas. Podem até poupar, mas, se há vazamento, o dinheiro vai embora. Também não adianta tirar ministro se a máquina está comprometida. Vai-se perder o dinheiro ou na má gestão ou na corrupção. Desenvolvimento sustentável e justiça social são impossíveis com desvio de dinheiro público e fraude". A citada associação estima que há perda anual entre R$ 50 e R$ 84 bilhões, o equivalente a 1,4% a 2,3% do PIB. O Ministério do Planejamento, responsável pelo aludido plano, declarou que "Em sua dimensão tática, o PPA apresenta instrumentos de efetivação das orientações estratégicas relacionadas ao combate à corrupção, com ênfase em medidas de prevenção, assistência, repressão e fortalecimento das ações integradas para superação do tráfico de pessoas, drogas, armas, lavagem de dinheiro e corrupção, enfrentamento de ilícitos característicos da região de fronteira e na intensificação da fiscalização do fluxo migratório". Os delegados da Polícia Federal, discordando desses argumentos, justificam que "O país é comprometido a fazer combate à corrupção por força de convenção internacional. Por isso, ao longo dos anos, o Brasil tem tomado uma série de medidas anticorrupção. As políticas são um reflexo acessório e secundário de política externa, são metas indiretas. O PPA deveria ter elegido o combate à corrupção como uma meta interna, esse é um primeiro passo". É bastante estranho que um governo que se vangloria, nas cortes internacionais, como cultor da democracia e da transparência abdique da priorização, nos seus planos estratégicos, de medidas de suma importância para afirmação dos pilares de desenvolvimento da sociedade, que visem à investigação e ao combate aos casos de corrupção, só os fazendo por imposição de acordos internacionais. Por todos os meios de interpretação, isso é bastante grave, inaceitável e comprometer, por malferir os interesses da nacionalidade e desmoralizar a palavra da mandatária do país, justamente por ter por fundamento avaliação de órgão da mais alta credibilidade do país, a quem compete constitucionalmente combater a criminalidade que afeta as causas da nação. A sociedade tem o dever de exigir do governo não somente explicações sobre a sua leniência com a pungida corrupção, conforme reconhece seu principal órgão de policiamento federal, mas a adoção de medidas duras, eficientes e eficazes de combate a essa chaga que tanto compromete o desenvolvimento econômico e social do país. Acorda, Brasil!
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 23 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ingrata contribuição

Com o beneplácito e o incentivo da presidente da República, o povo brasileiro, mesmo sufocado com os pesados e escorchantes encargos tributários, de quem já se exige uma das mais altas cargas de tributos do mundo, que atinge, pasmem, 38% do Produto Interno Bruto, poderá ser contemplado, em breve com mais um verdadeiro presente de grego, com a imposição da famigerada Contribuição Social para a Saúde - CSS, que terá idênticas características da igualmente abominável extinta Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira - CPMF, popularmente conhecida como imposto do cheque. Desta feita, a alíquota seria pouco menor, de 0,1%, quando a insepulta era de 0,38%, tendo por objetivo o financiamento dos programas de saúde objeto de regulamentação na Emenda Constitucional nº 29, que se encontra em apreciação na Câmara dos Deputados. Paradoxalmente, a discussão sobre essa emenda levou a ministra de Relações Institucionais a concluir que governo vai tentar construir uma proposta, pois somente a Emenda 29, que fixa os porcentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, Estados e municípios, não resolve o problema da saúde e sentenciou "A mera votação do texto não resolve o problema. Ontem, o ministro Padilha até já apresentou que, com este texto, não só não teremos nada a mais como teremos recursos a menos". Não obstante, a tentativa da criação dessa contribuição significa mais um assalto à economia do povo brasileiro, por se tratar de uma taxação sobre o valor da movimentação financeira, independente dos impostos já cobrados quando da aquisição de bem ou da contratação de serviço, em que pese a sua cumulatividade ao longo da cadeia de circulação de mercadorias. Convém se atentar, ainda, para o potencial perigo quanto ao fato de que, aprovado o tributo, a sua alíquota poderá ser objeto de aumento ao sabor da tentação da sempre incontida mente impulsiva e gastadora desse governo. Caso houvesse o mínimo de preocupação com o bem-estar da sociedade, o governo poderia muito bem adotar práticas eficientes e decentes de gestão, principalmente tendo a coragem de promover a racionalização na administração pública, diminuindo, ao menos pela metade, a quantidade de ministérios de uma máquina enorme, pesada e ineficiente, que tem servido para acomodar com total conforto os aliados da base de sustentação do governo no Congresso Nacional, os partidários, os sindicalistas e demais companheiros, sem qualquer compromisso com os interesses da nacionalidade. O governo também poderia ser mais rigoroso com a bandidagem da corrupção, que plantou suas profundas bases nos órgãos públicos para desviarem dinheiro do contribuinte. Com certeza, a mudança dessas práticas ofensivas aos orçamentos, à eficiência e à seriedade ajudaria a transformar a imagem do governo perante a opinião pública, mas somente pela demonstração de competência e de zelo com o interesse público, desde que ficasse evidenciada a sua firme decisão de renunciar à gastança que está aí à solta e sem o devido controle. Como se pode perceber facilmente, as fontes de recursos para ampliar o financiamento da saúde já existem e até com fartura, porém faltam vontade e coragem políticas do Planalto para a implementação das medidas pertinentes, sendo preferível, como sempre ocorre em análogas situações de crise ou de necessidade financeira, a imediata adoção da famosa lei do menor esforço, que não produz qualquer desgaste à base de sustentação, qual seja, a tributação da sociedade brasileira, que, mesmo chiando, estrebuchando, passará a ser responsável, mais uma vez, pela incompetência governamental. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 1º de setembro de 2011