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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Subdesenvolvimento dos brasileiros

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento acaba de divulgar o relatório do Desenvolvimento Humano, versão 2011, onde aponta o Brasil na 84ª posição entre 187 países avaliados, tendo alcançado, na escala que vai de 0 a 1, 0,718 pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice é usado como referência da qualidade de vida e desenvolvimento, sem se prender apenas em índices econômicos. A avaliação é feita com base em dados como a expectativa de vida, a escolaridade, a expectativa de escolaridade e a renda média. Em 2011, o país ganhou uma posição no índice em relação ao ano anterior, graças à melhoria na expectativa de vida e renda nacional bruta, permanecendo estagnados os demais indicadores. Houve mudança na forma de apuração do índice, considerada mais interessante de avaliar as políticas de transferência de renda e verificar se essas ações realmente estão mudando a vida da população mais necessitada. No caso do Brasil, o destaque é para a renda, que teve aumento de 40% e para a expectativa de vida, tendo crescida em 11 anos. No entanto, a média de anos de escolaridade aumentou em 4,6 anos, porém o tempo esperado de escolaridade diminuiu. O resultado da avaliação sobre o desenvolvimento dos países mostra que o propalado avanço do Brasil, em termos de crescimento humano, é sempre ampliado artificialmente pelas lentes poderosas das inteligentes campanhas publicitárias do governo, cujos fatos são diluídos à realidade da sua insignificância quando avaliados os indicadores pertinentes por entidade séria e competente, mostrando com clareza que o Brasil está pra lá de Bagdá, figurando abaixo e muito longe de dezenas de países igualmente avaliados, que têm pouca expressão econômica, como os da América Latina, por exemplo. É inacreditável a Argentina, em crise econômica crônica, ter desenvolvimento humano considerado muito elevado, enquanto o Brasil se orgulha de não saber o que é crise figurar na desprezível posição de 84º entre os países avaliados. Esse retrato fiel e real das condições de vida do povo brasileiro frustra as expectativas quanto à melhoria da situação de parcela significativa da população, porém deixa muito à vista que, entre outros, o fator educação tem sido menosprezado pelos governantes, que não priorizam reformas capazes de aperfeiçoar e alavancar o ensino público, para acompanhar ou superar os países com elevado índice de qualidade de vida, nos quais a educação é fundamental para o seu desenvolvimento. Não deixa de ser decepcionante para os brasileiros o resultado em comento, por contrariar de forma bisonha a pomposa posição que o país se orgulha de ostentar de sétima economia mundial, contrastando com a desigualdade social de seu povo. Esse atestado de atraso do Brasil deve servir de alerta para o governo e pode ser creditado à sua incompetência, por já ter perdido excelente oportunidade de reformar seus programas, tendo por objetivo a sua modernização e atualização, à vista da realidade do desenvolvimento científico e tecnológico. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 02 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Buriti em apuros

Neste último final de semana, as revistas "Época" e "IstoÉ" publicaram reportagens apontando supostas relações indecentes entre o governador do Distrito Federal e o policial militar que denunciou esquema de desvio de verbas no Ministério do Esporte, as quais foram contestadas pelo advogado do governador, tendo dito também que o seu cliente não é investigado. Conforme a revista "Época", a Polícia Civil do Distrito Federal flagrou, durante investigação no ano passado, diversos telefonemas entre o governador e o policial, versando sobre conversas acerca da produção de documentos que justificassem os gastos de organizações não governamentais (ONGs) administradas pelo militar e que receberam verba do programa Segundo Tempo, daquele ministério. Por sua vez, a outra notícia mostra trechos de um depoimento em vídeo de pessoa apontada como "testemunha-chave" do processo que tramita na 10ª Vara Criminal da Justiça Federal, em Brasília, sobre desvio de recursos por meio de convênios com ONGs. Segundo a publicação, essa testemunha trabalhou para o suposto esquema, exercendo a função de motorista, arrecadador e laranja de empresa-fantasma. Na reportagem, ele aponta o governador como o responsável pela organização do "propinoduto para sugar dinheiro no Ministério do Esporte". A revista ainda mostra reproduções de documento assinado pelo governador, quando era ministro, por meio do qual informa ao policial sobre a liberação de material esportivo do programa Segundo Tempo para uma das suas ONGs. Também apresenta ofício informando a liberação de dinheiro para uma ONG do policial sem que, em princípio, tivesse sido feita antes prestação de contas parcial. A moralidade e a honradez de qualquer homem público não deveriam ser objeto de reconhecimento nos tribunais, como suscita o governador do Distrito Federal, ao bradar com veemência, quanto ao presente caso, que a verdade será restaurada na Justiça. Na verdade, a integridade moral do homem público deve ser demonstrada pelos seus próprios atos, pelos seus procedimentos de retidão e zelo em defesa do interesse público, porque isso afasta por si só qualquer juízo de valor acerca de possíveis suspeitas. Diferentemente disso, os atos de corrupção vêm à tona um atrás do outro, na maior banalidade, porque a Justiça, infelizmente, não tem conseguido dar conta de julgar tantas irregularidades surgidas ultimamente com dinheiros públicos, cujos atos somente envergonham o povo brasileiro, enquanto os seus autores continuam no serviço público, sem sentimento algum de ter causado algo que tanto desmoraliza o ser humano. Não deixa de ser sempre frustrante para a sociedade ter que conviver com noticiário mais próximo do policialesco envolvendo políticos que, por imposição dos princípios do decoro do ofício, não deveriam dele sequer se aproximar, como forma ética e moral de bem cumprir o seu compromisso de representante do povo. Urge que os homens públicos se conscientizem de que jamais deveriam precisar de comprovar nos tribunais a pureza e a retidão dos seus atos, quanto mais a restauração da verdade, caso tivessem por princípios o correto cumprimento dos seus deveres funcionais como agentes públicos dignos, honestos e imunes ao envolvimento em falcatruas destinadas ao beneficiamento de recursos do erário. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 31 de outubro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Egocentrismo

Os estádios brasileiros custarão, segundo os orçamentos da Copa de 2014, mais do que o dobro dos sul-africanos, cujos valores poderão atingir a cifra de R$ 7 bilhões, contra R$ 2,85 bilhões deles. Questionado acerca desse fato, o secretário-geral da Fifa negou que foram feitas exigências extraordinárias ao país, em relação à última copa, que justifiquem aumento dessa magnitude nos gastos atuais. Segundo ele, as demandas da entidade não cresceram em relação ao evento anterior e os estádios de Copa do Mundo são iguais entre si.  As explicações para isso podem ser os custos e a intenção dos organizadores de fazerem estádios mais sofisticados. E foi além, dizendo que: “... não estamos pedindo mais, mais especificidades nos estádios do que na África do Sul. No final, um estádio é um estádio. Estádio, campo, salas, salas técnicas... Não pedimos para botar ouro nos banheiros ou diamantes nas salas. Não pedimos um esquema especial de som ou vídeo diferente da África do Sul. É verdade que quando você vai usar a TV HD pode precisar de mais luz. Mas já fizemos na África do Sul. Infelizmente no Brasil, o custo de concreto, de aço, cimento é mais caro e, quando paga em dólar, quando a cotação não é boa, embora a do Brasil não seja ruim.” (sublinhou-se). É lamentável que esse pessoal da Fifa não tenha um mínimo de sinceridade, aparecendo agora como bom moço, com a alegação de que não é responsável nem também tem culpa pelos gastos astronômicos das obras dos estádios. Na verdade, não houve e jamais poderia haver exigência no sentido de revestir os banheiros com ouro, quando o país implora pelo mínimo de assistência governamental, que sempre chega tarde demais, quando tem. Sem dúvida, seria o cúmulo dos exageros e da insensatez se houvesse exigência nesse sentido, embora não seja nenhuma novidade que os cadernos de especificação das obras e reformas destinadas à realização da copa estipulem exigências e condições estapafúrdias e incompatíveis com a realidade econômico-social dos brasileiros, cuja penúria de suas necessidades básicas vai certamente se agravar em razão do desvio de dinheiros dos hospitais, das estradas, do ensino, da segurança pública etc. para o atendimento das descaradas, descabidas e injustificáveis imposições fifenses, cuja manutenção dos monumentos, muitos inutilizáveis após os eventos, se tornará herança maldita desse empreendimento totalmente dispensável para o povo brasileiro. O certo é que a Fifa não tem despesa com nada e, no final de tudo, dá aquele adeusinho, indo embora com os bolsos, diga-se, com as malas abarrotadas de dólares, ficando o país com as dívidas e as dificuldades financeiras de sempre. Urge que os governantes brasileiros despertem dessa letargia de incompetência gerencial e tenham bom-senso, sensibilidade e inteligência suficientes para priorizar as verdadeiras necessidades da sociedade, ante a capacidade contributiva do seu povo, evitando loucuras e absurdos apenas para a satisfação egocêntrica de quem imagina ter o rei na barriga. Acorda, Brasil!

 ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 27 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Incoerência política

A recente privatização dos aeroportos brasileiros, por certo, deve ter sido exitosa, motivando o governo a estudar a concessão também à iniciativa privada de alguns parques nacionais, conforme acena para tal possibilidade a assinatura de acordo pelas ministras do Planejamento e do Meio Ambiente, tendo por objeto a "modernização da gestão" de unidades de conservação do país, compreendendo concessões de serviços até parcerias público-privadas para administração dos parques. Segundo avaliação governamental, o modelo de concessão deve estar pronto logo no primeiro semestre do próximo ano, estando incluídos, nessa primeira fase, os parques nacionais de Jericoacoara e Ubajara, no Ceará, e os de Sete Cidades e da Serra das Confusões, no Piauí. Posteriormente, outros parques de grande potencialidade turística estarão também na mira da privatização, como Fernando de Noronha (PE), Anavilhanas (AM) e Lençóis Maranhenses (MA). O governo pretende que os parques sob concessão tenham aumento de visitação e de arrecadação por hectare. Não deixa de ser saudável a iniciativa petista, que realmente já demonstrou não ter competência, não somente com relação aos parques, mas no contexto geral, de tornar eficiente o gerenciamento do patrimônio público, havendo necessidade da urgente concessão dos aludidos serviços, mesmo envolvendo áreas protegidas, para quem efetivamente tem experiência e qualificação apropriadas para administrar, de forma moderna e lucrativa, os parques nacionais. Inobstante, somente quem esteve a distância do último pleito presidencial pode acreditar que a vontade governamental não se trata de mero encenação ou devaneio por parte de quem tanto demonizou as privatizações de órgãos estatais, promovidas no passado por governos adversários. Na concepção petista, as questionadas privatizações teriam sido a pior coisa da face da terra, por terem evidenciado que o patrimônio público teria sido transferido para as mãos de terceiros de forma desastrosa e entreguista. Essa atitude governamental vem apenas confirmar, agora, a enxurrada de incoerências, indecências, aleivosias e faltas de caráter protagonizadas na campanha eleitoral, com a exclusiva finalidade de atordoar e ganhar votos com o menosprezo à capacidade gerencial do opositor. Contrariando o posicionamento político-eleitoral petista, agora, as privatizações estão sendo realizadas uma atrás da outra, como se procedimentos desse jaez fossem algo natural, sem a menor importância. A sociedade brasileira anseia por que os seus governantes sejam congruentes com seus atos e suas condutas politicas, procedam com a indispensável retidão que se espera dos agentes públicos e, de forma zelosa e eficiente em defesa do patrimônio público, permitam somente as privatizações daqueles bens ou serviços públicos cujos procedimentos resultem benefícios para os interesses da nacionalidade. Acorda, Brasil!  

 ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 20 de outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Pesquisa ou farsa?

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Acaba de ser divulgada mais uma avaliação positiva do governo realizada pelo CNI/Ibope, no período entre julho e setembro, que voltou a subir, conforme o índice de pessoas considerando como ótimo/bom, passando de 48% para 51%, tendo por base levantamento feito, pasmem, de entrevistas com apenas 2.002 pessoas, em 141 municípios. O índice dos que consideram regular a gestão da presidente passou de 36% para 34%, enquanto o dos que a avaliam como ruim/péssimo passou de 12% para 11%. Esse levantamento também mostra que a aprovação da presidente da República também voltou a crescer, passando de 67% em julho para os atuais 71%. A sua desaprovação passou de 25% em julho para 21% agora. Em primeiro lugar, causa espécie, porque não dizer estarrecimento, que, num país de quase 200 milhões de pessoas, sejam inquiridas tão somente 2.002 pessoas e, com base nesse resultado, se conclua pela aprovação de uma gestão, como se toda população tivesse se manifestado na mesma proporção dessa pesquisa. Longe de se imaginar que se trata de avaliação encomendada, mas que o seu resultado suscita milhões de dúvidas, ninguém consegue contestar. Agora, o mais estranho dessa duvidosa e por demais vergonhosa pesquisa é que estão aprovando, contando com a opinião de entrevistados que não conseguem encher um “pau de arara”, em relação à população brasileira, a atuação de um governo que até o momento não disse para o que veio. Tudo que tinha de ruim do anterior continua mantido no atual, tais como: inflação descontrolada; taxas de juros nas nuvens; corrupção explícita e permitida entre os partidários e aliados políticos; falta de punição nos casos de improbidade administrativa; loteamento dos ministérios e órgãos importantes entre os membros da coalizão; inexistência de qualquer reforma estrutural; ajuda financeira a países antidemocráticos; deficiente atendimento dos programas relacionados à saúde, à educação, à segurança pública, ao transporte etc.; ampliação do programa bolsa família; pesada carga tributária; entre tantas incompetências e leniências governamentais que não se coadunam com a pesquisa, principalmente porque somente as turbulências motivadas pela erupção dos escândalos que vieram à tona com as denúncias de irregularidades em vários ministérios, onde apenas houve arremedo de limpeza, continuando o mar de lama da corrupção, seriam mais do que suficientes para detonar qualquer avaliação de desempenho. É absolutamente ilógica a comemoração de uma gestão pautada por escândalos e falcatruas no serviço público, incompetência de continuísmo, falta de resultados em benefício da sociedade, ou seja, nada de concreto foi mostrado para merecer tirar a presidente da segunda época. Convém que as futuras pesquisas sejam promovidas com maior abrangência de entrevistados e em mais localidades, de preferência indicando as cidades e as quantidades de pessoas e seus níveis escolares, na esperança de que o seu resultado possa refletir a verdadeira avaliação do desempenho do governo e da sua titular, evitando que os brasileiros não voltem a passar pelo sentimento de terem sido enganados por pesquisa com cara de encomenda. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 1º de outubro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

O passado condena

O publicitário apontado como operador do esquema do mensalão apresentou sua defesa ao Supremo Tribunal Federal, no processo que apurou os fatos relacionados com o pagamento de propina aos parlamentares em troca de apoio ao governo no Congresso Nacional. Ao ensejo, ele registrou estranheza pelo fato de que o então presidente da República não ter sido incluído na lista das pessoas envolvidas no esquema em tela. No documento, ele se declara inocente, porém afirma que a denúncia é "raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano, alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio presidente LULA.". O advogado do operador disse que a participação do seu cliente foi "exagerada" e teve por intuito deslocar o foco dos verdadeiros "protagonistas políticos", entre eles o ex-presidente, nestes termos: "A classe política (...) habilidosamente deslocou o foco das investigações dos protagonistas políticos (LULA, seus ministros, dirigentes do PT etc.) para o empresário mineiro Marcos Valério, do ramo de publicidade e propaganda, absoluto desconhecido até então, dando-lhe uma dimensão que não tinha e não teve nos fatos objeto desta ação penal.". A acusação que agora vem à lume com maior ênfase não chega a ser nenhuma novidade, porquanto era normal a oposição apontar o mandatário da nação como principal integrante da quadrilha do mensalão. A importante surpresa surge, agora, com a coragem de um dos mais influentes acusados de dizer, em outras palavras, que o então presidente deveria também ser réu no processo pertinente. No momento das denúncias, talvez por temer severas represálias, ninguém teve o atrevimento de enfrentar a realidade dos fatos, para acusar o todo poderoso e incluí-lo no rol dos envolvidos. Hoje, certamente contando com clima mais favorável à revelação da verdade, seria benéfica para os esclarecimentos dos fatos a delação premiada para o publicitário, de modo que ele pudesse colaborar com as investigações finais, confessando, comprovadamente, tudo o que sabe sobre a responsabilidade que cada integrante do governo tinha com a operacionalização do desvio questionado. Não deixa de ser vexatório e vergonhoso para um ex-presidente da República ser acusado de envolvimento com malversação de dinheiros públicos, mas, mesmo que não haja nada de concreto sobre a sua participação no maior escândalo da República, a acusação é muito expressiva e mostra que a dignidade do seu governo não passou incólume, tendo suas bases maculadas por desvio de dinheiros públicos, pondo sob suspeita a legitimidade da gestão de quem se julgava acima do bem e do mal. Em termos de avaliação do desempenho, é muito importante o grau de participação dos políticos nesse terrível terremoto que abalou os alicerces da moralidade e da honradez que se exigem dos homens públicos, porque a sua ocorrência somente contribuiu para o atraso da democracia e do desenvolvimento do país. Diferentemente disso, um governo probo, que tenha conseguido executar somente atos de retidão e de regularidade na sua gestão, será sempre lembrado como exemplo de lisura e de boas ações em prol dos interesses públicos, não sendo motivo de recriminação ou de acusação, por qualquer motivo. Agora, mesmo com a aplicação da imponderabilidade do benefício da dúvida, compete à sociedade, de forma preventiva, avaliar os fatos políticos e administrativos dos dirigentes do país, com vistas a negar ou não apoio aos intentos daqueles que tiveram suas fichas manchadas por ação ou omissão, quanto à boa e regular aplicação dos recursos públicos. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 08 de setembro de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Péssimo modelo

O secular Tribunal de Contas da União, principal órgão de fiscalização e de controle externo federal, apontou no ano passado, em relatório, uma série de irregularidades graves na execução de empreendimentos de competência do governo federal, tendo por objetivo subsidiar a Câmara dos Deputados quando da discussão do Orçamento da União, cuja análise dos fatos suscitou acalorada e intensa disputa, em que os oposicionistas defendiam o embargo das obras até o saneamento das pendências, enquanto os governistas, não aceitando essa medida, conseguiram o prosseguimento dos projetos inquinados, compreendendo refinaria, ferrovia, construção de rodovias e reforma de aeroportos, contendo superfaturamento, sobrepreço aos contratos e licitações, inobservância dos requisitos mínimos exigidos pela Lei de Licitações, entre outras impropriedades que obrigavam a imediata reparação. O relator da matéria na Câmara declarou textualmente que “É um retrato fiel do desperdício de dinheiro público, da corrupção, da malversação dos recursos e do aparelhamento do Estado pelo PT e partidos aliados.”. O lamaçal político e administrativo em que o atual governo se vê atolado até o talo é fruto de sementes plantadas pelo seu antecessor, cuja prepotência o colocava acima do bem e do mal, com o seu entendimento arrogante no sentido de que os princípios da legalidade e da moralidade não deveriam ser observados na sua gestão, para que os empreendimentos não sofressem solução de continuidade. Não há dúvida alguma de que as enxurradas de denúncias de corrupção, pipocando a todo instante, são o resultado das irresponsabilidades e da notória falta de zelo demonstrado no passado, a exemplo do caso acima citado, em que sempre prevalecia o maior interesse do governo como salvador da pátria e da base aliada não à sua ideologia, mas aos cargos e aos dinheiros públicos, tanto para uso pessoal quanto para financiar seus partidos, em detrimento dos interesses nacionais. Urge que haja a implantação de políticas verdadeiramente limpas e que os governantes primem pelo respeito e pela observância aos princípios da administração, em especial os da legalidade, da ética e da moralidade. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 21 de agosto de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Deficiência governamental

A última conversa da presidente da República com jornalistas da mídia impressa revelou boas e más notícias para o país, sobressaindo a opção pela manutenção do crescimento da economia num patamar relevante para o padrão histórico recente do Brasil, mas à custa de uma inflação também alta, que traz riscos consideráveis para a nação. Ela disse que "Não queremos inflação sob controle com crescimento zero". "Estamos fazendo o chamado pouso suave, com uma taxa de crescimento e de emprego adequada". Embora a presidente esteja apostando numa política desenvolvimentista com mais clareza do que o seu antecessor, que é uma boa notícia para o país, o controle mais rígido da inflação certamente não ajudaria a derrubar a economia para zero, mas poderia contribuir para interromper um ciclo de crescimento que tem sido eficiente para gerar empregos e melhorar a vida dos brasileiros. Não deixa de ser ruim manter essa política de juros altos, de inflação descontrolada e de queda do crescimento, em razão, em especial, da significativa diminuição dos investimentos públicos, uma vez que o superávit primário é apenas suficiente para pagar os juros da crescente dívida do governo. Nessa conversa, nada foi falado sobre os gastos com a máquina pública, que há anos têm sido verdadeiros sorvedouros de recursos públicos, mas que poderiam ser estancados com medidas sensatas e inteligentes de racionalização administrativa, que se impõem com urgência, mediante o enxugamento de ministérios e órgãos absolutamente ineficientes e dispensáveis, por servirem para o abrigo de verdadeiros cabides de empregos de apadrinhados políticos, sindicalistas, partidários e outros tantos incompetentes, cuja magistral medida teria expressiva importância na diminuição das despesas públicas, com economia benéfica para combater a inflação. Essas medidas sábias e necessárias certamente jamais serão tomadas por esse governo de visão tacanha, que, como consequência, iriam contrariar os interesses da sua maligna base de sustentação no Congresso, que tem sido muito mais importante do que qualquer medida que venha beneficiar os interesses nacionais. Diante desse quadro de incompetência gerencial, em que a real preocupação é agradar os fieis amigos do governo, uma das principais estratégicas para enfrentar a inflação não pode ser implementada e a nação continua prejudicada, nesse particular, ficando em segundo plano. Urge que a sociedade tenha mais clarividência da verdadeira situação do país e possa se manifestar sobre os destinos da administração pública brasileira, principalmente quanto à real necessidade do tamanho e funcionamento da máquina pública.


ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 28 de julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Irracionalidade administrativa

No Brasil, o gestor público já mostrou e continua, infelizmente, exibindo exemplos de incompetência na execução dos orçamentos públicos, sempre agindo na contramão da racionalidade administrativa, sem a mínima preocupação com a otimização dos recursos dos contribuintes, à vista do ostensivo esbanjamento dos gastos com as reformas e construções dos estádios para a Copa do Mundo de Futebol, principalmente pela suntuosidade e pelo exagero incompatíveis com um país rico de ideias e altamente pobre e carente de empreendimentos e obras prioritárias e urgentes, como escolas, hospitais, rodovias, ferrovias, moradias etc., que, se implementadas, atenderiam, de forma efetiva, as necessidades potenciais da sociedade em caráter permanente, que não é o caso dessas obras para a copa, que visam apenas à satisfação de evento de curta duração, cuja importância não justifica, em absoluto, a destinação dos recursos programados às custas do sacrifício da sociedade. Também não se pode descartar, a exemplo da constatação na última Copa do Mundo, a potencial possibilidade de superfaturamento de obras, desperdício e desvios de verbas públicas, especialmente em razão da notória exiguidade do tempo e da urgência na conclusão do conjunto dos empreendimentos necessários aos eventos pertinentes. A gestão pública não combinada em nada com irresponsabilidade em aparecer para a opinião pública internacional, porquanto a severidade com os gastos do Estado deve ter por fim exclusivamente o interesse público. Por certo, ainda é prematuro se aquilatar os prejuízos contabilizados com as megalomaníacas obras exigidas pela FIFA e com a manutenção de alguns futuros estádios/museus, porém a racionalidade exige que os governantes sejam mais cuidadosos com a programação dos investimentos com recursos públicos, tendo em meta as vicissitudes prementes do seu povo. A sociedade tem o dever de fiscalizar os gestores públicos e exigir que os recursos tenham boa e regular aplicação. Acorda, Brasil!      

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 26 de julho de 2011

Desperdício de recursos

Segundo o governo do Distrito Federal, a construção do Estádio Nacional de Brasília servirá para mostrar, não só a singularidade de um empreendimento como ecoarena desportivo-social e único com certificação internacional, mas a capacidade de execução das obras com eficiência e transparência, possibilitando que a capital do Brasil seja merecedora de referência mundial. Não é de agora que a Brasília se vangloria em aparecer para o exterior como sendo a suprassuma em monumentos faraônicos, construídos com o sacrifício dos contribuintes, cuja utilidade não passará de visitação pública como lindo e magnífico museu, a exemplo da obra em apreço, em que a sua manutenção exigirá alocação de novas e substanciais verbas públicas. Com o dinheirama carreado para mais esse elefante branco, certamente que o Distrito Federal seria vitrine para o mundo como exemplo de eficiência e eficácia se tais recursos tivessem sido aplicados em obras públicas destinadas ao atendimento das necessidades prioritárias da sociedade, principalmente para a construção de hospitais, escolas, centro se recuperação de drogados, ginásios/quadras de esportes populares etc. Aliás, nem haveria necessidade de servir de referência para ninguém além da população brasiliense, que se sentiria altamente recompensada com a satisfação das suas carências crônicas, cuja relevância é sempre objeto de discussão somente nas campanhas eleitorais, quando os candidatos elegem como principal bandeira de seu programa de governo a solução da saúde, da educação, da segurança... Infelizmente, a vaidade dos administradores públicos não tem freio e é capaz de atropelar literalmente suas promessas eleitorais e, de forma absurda, de realizar obras onerosas e inúteis. Compete à sociedade, na última instância consciencial, escolher, com seu magistral e poderoso voto, o governante que seja realmente preparado para empregar recursos públicos somente em atendimento às efetivas necessidades sociais, em estrita consonância com a parcimônia e a capacidade contributiva dos cidadãos. 

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 25 de julho de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A "firmeza" das decisões

Inicialmente, o governo federal falou grosso e disse em alto e bom som que não concordaria com a prorrogação dos restos a pagar referentes às emendas dos parlamentares de 2009, principalmente pela necessidade de mostrar ao mercado financeiro que o Executivo jamais cederia ou abriria mão do rigoroso controle dos gastos públicos. Pois bem, isso era tudo que os seus aliados gostariam de ouvir e começaram a costumeira rebelião da base de sustentação no Congresso Nacional, por sentirem que essa medida atingiria em cheio os deputados que se consideram mais fieis, em termos de contenção de gastos. O recado dos parlamentares foi claro e veio com o peso de quem não estava nem aí para a aprovação de coisa alguma no Legislativo. Não restou alternativa para o governo senão a liberação das aludidas emendas, pelo prazo de noventa dias. O recuo presidencial, no caso em apreço, não significa qualquer novidade, porque noutras situações igualmente importantes, as pretensões também foram por terra, prevalecendo, ao final, a vontade dos aliados que lhe dão sustentação. Na verdade, o governo tem sido presa fácil para a sua base, sendo obrigado a mudar de ideia “voluntariamente”, ao sabor do trator das ameaças de rebelião apontadas em direção ao Planalto. Esses fatos evidenciam que o Executivo é e será sempre refém de carteirinha dos partidos que formam a sua base de sustentação, que também têm a primazia de ocupar significativa parcela dos principais cargos da Esplanada dos Ministérios, com pessoas bastante desqualificadas e incompetentes, conforme demonstram os fatos recentes, em afronta à eficiência que se exige da administração pública. Esses acontecimentos vêm mostrando a marca registrada da fragilidade do governo federal, de decidir e voltar atrás, como prova da falta de poder suficiente para impor a sua soberania gerencial, com claros reflexos prejudiciais, em muitos casos, para o interesse público.   
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 14 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Denitizando

A presidente da República, finalmente, parece querer “denitizar”, ou seja, acabar a farra que existia, no seu entendimento, no Ministério dos Transportes, botando para fora a sua cúpula, constituída do cacique e quatro importantes assessores, tendo por fundamento a constatação de que os valores dos orçamentos referentes às obras do Programa da Acelerado do Crescimento – PAC, executado naquela pasta, estavam sendo inexplicável e milagrosamente multiplicados. Além de botar a turma dos vivaldinos para correr, decidiu também enfrentar a fúria e o possível contra-ataque do Partido da República, com a nomeação do ex-secretário executivo para titular do ministério, à revelia desse partido, embora ele, mesmo sendo seu filiado, seja considerado persona non grata da agremiação. O pulo do gato foi dado quando o governo fez o convite a um político também complicado, em termos de honestidade, como o ex-ministro, para comandar a pasta dos Transportes, que, de forma inteligente, preferiu declinar do chamamento, deixando o caminho ou a estrada livre para o preenchimento do cargo de ministro por pessoa da confiança do Planalto. Em princípio, parece que o governo começa a enxergar os fatos como eles são realmente, na forma verdadeira como os brasileiros os vêm, tendo a coragem de encará-los de frente, mesmo com o possível desgaste de parte da sua base de sustentação. Aliás, já passou da hora de os dirigentes do país despertarem da eterna letargia, em cujo período nada era visto, mesmo diante da ocorrência às suas barbas de fatos graves. Com a finalidade da obtenção da tão sonhada moralização da administração pública, seria de bom alvitre que esse despertamento do sono profundo servisse de estímulo para intervenções em tantos outros órgãos dirigidos por incompetentes e ineficientes indicados por partidos políticos, que, em nome da sustentação do governo no Congresso Nacional, estão aí se beneficiando da má aplicação dos recursos públicos, em afronta aos interesses dos brasileiros.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 12 de julho de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O poder da pesquisa

Por ter canalizado pesadamente seus esforços para a execução de projetos voltados para a assistência social, em especial o Bolsa Família como carro-chefe, e de cuidadosa política econômica, dando continuidade aos programas criados pelo governo anterior, e ainda respaldado em maciços gastos específicos em publicidade, o ex-presidente atingiu quase a nota máxima na sua avaliação de desempenho. É questionável o motivo pelo qual essa avaliação não tenha contemplado o seu desempenho pelo conjunto da obra, englobando também a situação calamitosa das estradas, da falência do sistema de saúde púbica, da deficiência e do atraso do ensino público, da falta de segurança nas cidades, da falta de ética e de moralidade na gestão pública, sobretudo quanto aos escândalos do mensalão, do sanguessuga, do caso Erenice, dos conchavos espúrios com os políticos, entre outros fatos que a mídia cansou de denunciar e não resultaram em nada. Na verdade, o marketing foi muito bem direcionado e reforçado para as áreas estratégicas, que estavam dando notoriedade e bons dividendos, cuja avaliação encomendada ou comandada por agente subsidiado sempre conseguia a nota de aprovação nunca vista antes. Agora, a sociedade anseia por que o atual governo consiga bom desempenho dos seus programas e que os meios de avaliação reflitam, com seriedade, exatamente o resultado de todas as atividades governamentais.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 14 de janeiro de 2011