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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Loba ferida

Ultimamente, a população de Brasília se encontra absolutamente magoada com o verdadeiro abandono da cidade querida, parecendo que os atuais governantes, deslumbrados com o poder colocado nos seus colos, entregaram-se aos prazeres do uísque paraguaio, não permitindo despertarem-se da ressaca profundo com que foram acometidos. Com isso, eles permitiram que a cidade fosse transformada, sem necessidade de esforço algum, em cenário perfeito para as filmagens de película de terror, com todos os recursos naturais expostos em cada esquina, se é que existe, mas, certamente, ao contrário disso, haveria grande dificuldade para a colocação em toda região de arranjos reais de desprezo como se constata no momento, com muita sujeira explícita, insetos e ratos se multiplicando em cada canto, lixo acumulado sem a adequada acomodação, mato competindo com a mata Atlântica, buracos nas pistas lembrando o cenário da lua e a falta generalizada do respeito às normas de conduta da cidade. É lamentável que esse triste desmazelo ocorra com um lindo e respeitável monumento contemporâneo de apenas cinquenta anos de idade, que é símbolo da modernidade mundial. Brasília, acorda dessa letargia maldita, corrige todas as chagas do desgoverno e da incompetência administrativa e mostra ao mundo a sua verdadeira importância magistral e altaneira dos brasileiros.    
 
Antonio Adalmir Fernandes

Brasília, em 29 de dezembro de 2010

O sabor do tutano

Tão logo imediatamente à passagem da faixa presidencial, suscitou-se dúvida se houve ou não convite de autoridade competente para o ex-mandatário mor e família usufruírem dos prazeres praianos, com absolutos conforto e privacidade, às custas do tão sacrificado povo brasileiro. Na verdade, o cerne da discussão deveria cingir-se, primordialmente, se foram observados os princípios consagrados na Carta Magna, quanto à legalidade, ética e moralidade, que devem balizar e orientar a conduta dos negócios do Estado, que são mantidos a duras penas com dinheiros arrecadados dos trabalhadores, que, concomitante à notícia,  foram, imerecidamente, recompensados com o tripúdio sarcástico por aqueles que se beneficiam indevidamente das nababescas mordomias oficiais. Urge que as autoridades governamentais sejam conscientizadas de que a gestão dos recursos públicos é coisa muito importante para os interesses da nação e que eles não podem ser distribuídos ao bel-prazer, de forma generosa e graciosa, como forma de benesse para agradar a quem quer que seja, muito menos a quem, por oito anos, degustou do especial filé mignon e agora resiste em não largar sequer o osso, porque sabe que o substancioso tutano oficial também é bastante saboroso e nutritivo. Aliás, casos que tais, num país um pouquinho sério, ensejariam a apuração de responsabilidades e perda do cargo, por uso irregular de dinheiros públicos, mas, como isso ocorreu nas terras Brasis, é como se nada tivesse ocorrido, ou seja, o caso deve ser encarado com naturalidade, porque todos agem dessa mesma forma, conforme respalda a insensata justificativa do ministro da Defesa, que acusou de “absolutamente ridículas” as críticas feitas pela imprensa sobre o lamentável affaire.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES 

Brasília, em 05 de janeiro de 2011

Jeitinho Caseiro

Nem mesmo o até então insuspeito Itamaraty, no alto da sua tradicional e respeitável chancelaria, conseguiu cerrar as suas portas, no final do governo, sem protagonizar escândalo que, por certo, ficará gravado na secular história da casa do venerável Barão do Rio Branco, em virtude da indevida concessão de passaportes diplomáticos a quem efetivamente não preenchem os requisitos legais para o merecimento da outorga de tamanha importância. Esses documentos simplesmente transformam os beneficiários em pessoas com regalias e facilidades especiais que os diferenciam dos demais serem humanos. Por comprometer a lisura ínsita dos atos administrativos, essa chaga moral tem o condão de macular a sempre brilhante atuação do Itamaraty e põe em dúvida a licitude de seus atos, ficando evidenciada a facilitação do jeitinho brasileiro, com exclusiva finalidade de, no mínimo, agradar o “todo poderoso”, em claro afronta ao interesse público. É o caso da imediata anulação dos aludidos documentos, por terem sido concedidos em absoluto ferimento aos princípios da legalidade, da ética e da moralidade, além de não se coadunar com o senso de justiça social, sob pena de o Barão do Rio Branco lamentar profundamente a ostentação do seu insigne nome naquela Instituição sempre considerada paradigma de competência, eficiência e dignidade.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 05 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

Defesa da segurança

Nacionalmente, é deplorável a situação da segurança pública, notadamente em virtude da ousadia do crime organizado, que vem se especializando e se infiltrando nas políticas públicas, com a finalidade de desnortearem completamente os seus planos de combate à criminalidade. O caos não se tornou ainda pior, nos últimos tempos, graças ao avanço ocorrido em algumas áreas da sociedade, com a implementação de programas públicos de assistência social. Como o Brasil dispõe de distâncias territoriais comparáveis a verdadeiro continente, o governo tem a obrigação, por força de ditames constitucionais, de dedicar especial atenção ao equacionamento desse grave e emergente problema social, sob pena, não somente de degradar a já complicada situação da ordem pública, mas também de prejudicar ainda mais a imagem bastante desgastada do país no exterior. Convém que seja forjada uma consciência cívica capaz de exigir das autoridades a imediata implantação de programas nacionais de segurança pública, abrangentes e eficientes, com vistas à efetiva proteção dos brasileiros.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 28 de dezembro de 2010

Hipocrisia

A história registra que, nos áureos tempos, a corte brasileira se notabilizou pelos excessos e abusos com os dinheiros públicos, sobressaindo os gastos com refinada e exigente mordomia destinada aos cortesãos, a quem eram servidos, com fartura e abundância, os melhores e requintados banquetes, sem qualquer preocupação com o que se passava com os súditos, que, em regra, já se mantinham à míngua e a distância da assistência pública de qualquer espécie. Hoje, ainda há forma de corrupção parecida, patrocinada por quem tem o dever constitucional de zelar pelo seu bom e regular emprego, mediante a realização de confraternizações de festas natalinas entre servidores. Na atualidade, os órgãos públicos, autodenominados de cortes, por questão de coerência privativa e funcional, não poderiam promover eventos comemorativos, sob os auspícios indevidos do Tesouro, sem antes avaliarem se o momento é propício para isso, verificando, especialmente, se o atendimento às necessidades públicas da sociedade está sendo ou não afetada com a carência de recursos materiais ou financeiros. Embora não seja possível influenciar ou mudar a mentalidade do gestor público, nada impede que, no Estado Democrático de Direito, o contribuinte proteste com veemência contra a farra que, nos dias atuais, ainda é feita com recursos públicos. 

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 13 de dezembro de 2010

Aeroconforto

Há pouco tempo não muito distante, a nação, surpreendida e afrontada diante de tantas prioridades governamentais, não compreendia a razão pela qual havia sido comprado um Airbus, que foi denominado de “Aerolula”, por cifras absurdas, e teria a finalidade de transportar o presidente da República. Esse veículo veio apenas suprir a carência de conforto para as incontáveis viagens do mandatário mor, inclusive para o exterior, onde, no seu governo, permaneceu por mais de um ano, com excelente mordomia e sempre muito bem acompanhado por seleta comitiva. Entrementes, parece que o pior ainda pode acontecer, porque foi lançada a ideia da compra do “Aerodilma”, pela bagatela de meio bilhão de reais, sob o pretexto, pasmem, de oferecer mais autonomia para o presidente. Enquanto isso, nas terras dos outros brasis, nada há para ser reclamado. O povo é muito bem servido pelo primor dos serviços prestados pelo sistema público de saúde, invejável mundialmente pela sua excelência, com direito a tantos outros eficientes atendimentos patrocinados pela administração pública brasileira. Desde que não seja afetada a dotação própria para o pagamento das famosas bolsas família, transporte, gás, luz, escola, esmola, sacola.., nada impede a aquisição do novo aviãozinho, para a felicidade geral da nação.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 13 de dezembro de 2010

Poder do voto

Segundo dispõe o parágrafo único do art. 1º da Constituição Federal, o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos em sufrágio universal. No entanto, incontinenti à sua posse, alguns parlamentares são guinados para ocupar cargos no executivo, para o qual não foram selecionados pela vontade popular, como também não fizeram campanha com essa finalidade. Trata-se, induvidosamente, de flagrante, desrespeitosa e inaceitável quebra do que seria o inarredável “ardoroso” compromisso de campanha, que é literalmente jogado na lixeira, sem pudor algum. Nada impede que os políticos exerçam ou ocupem outros cargos diferentes daqueles, desde que sejam submetidos a uma condição básica e legítima de devolver, imediata e automaticamente, o cargo eletivo ao seu verdadeiro detentor, ou seja, ao povo, quando se sabe que essa manobra política é uma verdadeira burla à vontade legitimada pelo voto popular, haja vista que a ocupação de cargo no executivo normalmente objetiva satisfazer interesses e acomodações político-partidários. Portanto, a democracia torna-se enfraquecida se não forem respeitados a soberana vontade do povo e os princípios da ética e da moralidade. 

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 10 de dezembro de 2010

Frivolidade

Não ficou claro o propósito de tanta insistência para asseverar que alguém foi responsável por privatizações de empresas estatais deficitárias, como, por exemplo, a demonstração de que o resultado disso teria sido contrário à legislação de regência, lesivo ao erário, prejudicial ao interesse público etc. Talvez fosse o caso de se intuir que alguém tem instinto privativista inato, contrariando, no entanto, a alegação por parte do acusado de ter a intenção de fortalecer as empresas do Estado. No mesmo diapasão, poder-se-ia dizer, contrapondo, mas também sem o mínimo de fundamento, que quem foi terrorista assumido, poderia voltar a participar de atividades revolucionárias e praticar as piores atrocidades do passado, tão prejudiciais à sociedade. Nada disso tem pertinência e essas elucubrações só contribuem para o enfraquecimento do pleito eleitoral, por mostrarem a falta de ideias positivas, quando o importante, no momento, seria a apresentação, de forma substancial e objetiva, da capacidade da realização de um governo de progresso econômico e social do Brasil.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, 12 de outubro de 2010

À espera da competência

O descenso do Brasiliense à terceira divisão do futebol brasileiro não foi surpresa alguma, nem é motivo capaz de causar qualquer comoção aos apaixonados por esse gênero de esporte, máxime porque o resultado obtido pelo time na competição corresponde exatamente ao investimento feito para a composição do seu elenco, com uma plêiade de jogadores veteranos em fim de carreira. A sociedade deveria estar preocupada é com a insensatez  dos governantes distritais em chancelar o projeto megalomaníaco dos dirigentes do futebol nacional, com a torração e o  esbanjamento de dinheiros públicos, algo em torno de um bilhão de reais, na reforma de um estádio para setenta mil pessoas, público que somente poderá ser atingido na eventual abertura da Copa do Mundo. Após o evento, em consonância com representatividade do futebol local, o estádio ficará entregue às moscas. Diversamente, há, já agora, afluência diária de pacientes aos hospitais públicos em quantitativo superior à média de torcedores em cada partida do campeonato local e que os estádios já existentes suprem com sobras as necessidades desse futebolzinho dos times da capital federal. Compete às autoridades governamentais a opção pelos estádios vazios, de manutenção onerosa, ou pela convivência com a superlotação dos hospitais, com a costumeira e gravíssima deficiência de sua estrutura para atendimento à população, sabendo-se que, na gestão de recursos públicos, o essencial é priorizar os serviços de interesse público.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 1º de dezembro de 2010

Indecência

Espera-se para muito breve uma reforma política no mínimo séria,  que contemple, de forma abrangente, questões essencialmente voltadas para o debate, entre outros temas relevantes, sobre a moralização dos pleitos eleitorais e a necessidade de que o interesse público seja, enfim, colocado em patamar de absoluto e inquestionável relevo sobre qualquer conveniência  político-partidária ou pessoal de quem quer que seja. A toda evidência, a sociedade repudia a participação de mandatário de cargo público no pleito eleitoral fazendo uso explícito dos dinheiros e programas governamentais em prol de terceiro candidato, por comprometer a gestão dos negócios do Estado e evidenciar nítido abuso da autoridade, em flagrante desrespeito aos princípios da ética, moralidade e imparcialidade. Esse procedimento também torna-se aético para o candidato que aceita, com naturalidade, o comprometimento da máquina estatal na sua campanha, por caracterizar usurpação do poder em seu benefício. Urge a legitimação do salutar direito isonômico de tratamento e afastar em definitivo do certame o desejo egoístico e proveito personalístico, resultante de laços de arraigada amizade e de interesse partidário, em explícita demonstração de deslealdade aos objetivos de igualdade e legitimidade que deveriam nortear a competição. Em benefício da moralização da administração pública e da verdadeira democracia, propugna-se por que esses atos espúrios, abomináveis e tristes devem ser urgentemente banidos dos manuais da política.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 23 de novembro de 2010

Felicidade suprema

Os dedicados e operosos parlamentares estão aprovando norma constitucional com a finalidade de assegurar direito à felicidade aos brasileiros. Em princípio, essa medida falece de omissão grave, por não prever a decretação do banimento da doença, da dor, do sofrimento, da pobreza, da feiura, de todas as mazelas humanas e especialmente da morte. Essa última primazia da imortalidade, somente concedida aos membros da ABL, precisa ser eliminada, por constituir discriminação. O esforço dos parlamentares poderia ter melhor proveito para a sociedade se fosse criado  programa decente voltado para a prática obrigatória da solidariedade e de menos egoismo entre as pessoas, com a implantação da imperiosa necessidade de que todos sejam tratados como se fossem apenas verdadeiros irmãos. Talvez atitudes desse jaez contribuíssem efetivamente para o usufruto da felicidade palpável, diferentemente daquele termo apenas colocado no frio papel, que aceita, sem rejeição, os pseudos sentimentos de bondade que esse tipo de trabalho denota, por não possuir conteúdo e objetividade, que evidencia sobretudo a idealização de um projeto excêntrico. Ao contrário disso, a criação de empreendimentos públicos com capacidade para propiciar empregos e rendas seria mais importante e de significativa valia para quem precisa. Isso sim é realmente a prova material do amor e da felicidade.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 19 de novembro de 2010

Proposta indecente

Muitos estranham o motivo pelo qual há tanto pavor e repúdio à proposta da ressurreição da detestável CPMF. A sua rejeição é muito fácil de ser explicada, porquanto existem milhares de razões para que a sua implantação seja absolutamente malquista pela sociedade a ser afetada, sobretudo por já contribuir compulsoriamente com pesada e altíssima carga de tributos, uma das mais elevadas do planeta, por ter a certeza do mau uso dos recursos, sempre desviados da sua destinação precípua para fins nunca justificados e por saber que a pouca aplicação na saúde nunca contribuiu para melhorar a vida dos que deveriam ser os verdadeiros beneficiários. Impõe-se ao Estado, de forma prioritária, primar pelas inafastáveis eficiência e competência na gestão dos recursos públicos já constitucionalmente autorizados e, certamente, se convencerá sobre a desnecessidade da recriação de nova contribuição tão inconveniente, imerecida, injusta e indecente.

Antonio Adalmir Fernandes

Brasília, em 12 de novembro de 2010

Viaduto


É com indignação que denuncio o descaso das autoridades envolvidas, ao permitirem, com evidente acomodação, que a reforma tão importante para o sistema viário distrital, como o alargamento do viaduto próximo ao Carrefour/Água Mineral, não seja prontamente entregue ao público, haja vista que as obras de arte já foram concluídas há bastante tempo. Existe ali, hoje, um estreitamento perigoso e incômodo, obrigando indesejado afunilamento do fluxo veicular, com visível prejuízo para o tráfego em ambos os sentidos e risco à vida do usuário da rodovia. Urge que esse grave transtorno seja solucionado, objetivando justificar a vultosa quantia despendida e, sobretudo, produzir os verdadeiros benefícios preconizados para a sociedade.
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                        
Brasília, em 28 de outubro de 2010

Paraíso terrestre

Historicamente, conta-se que o Criador, após criar o ser humano, decidiu manter no paraíso um casal sob o alerta de que tudo seria visto e não poderia haver avanço sobre o fruto proibido, mas a carne é fraca e as criaturas foram expulsas da mansão sagrada, devido o cometimento do pecado original. Enquanto isso, no paraíso terrestre, o criador tupiniquim inventou uma candidata à Presidência da República, fruto de sua docilidade na adolescência, da sua fama de jamais mentir e especialmente de ter “gerido” e “parido” todos os principais projetos do governo, sendo, por isso, cognominada a mãe de tudo. Agora, inversamente do sucedido no paraíso bíblico, a criatura está prestes a “expulsar” o seu todo poderoso criador do paraíso palaciano, onde, em virtude da força mágica e inebriante do poder, não lhe foi permitido conhecer ou saber sobre os anseios dos súditos, nem sequer perceber pela visão se houve anormalidade ou irregularidade ao seu redor.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 27 de outubro de 2010

Miopia Política

Muito já se evoluiu no conhecimento da miopia, sendo objeto de estudos, tratados e teses de pós-graduação, ficando definido que se trata de uma doença que só se é permitido enxergar nitidamente os objetos próximos, mas ela é corrigível com o simples uso de lentes divergentes ou até mesmo curada com o auxílio das modernas técnicas oftalmológicas.  Entrementes, nos últimos tempos, surgiu uma espécie de miopia palaciana, com esse nome, evidentemente, por ter origem dentro de um palácio, tendo se expandido rapidamente entre uma legião de seguidores pelo país afora. Ela, diferentemente da irmã patológica, só permite ver um minúsculo pedaço de papel amassado, deixando passar ao largo os escândalos do tipo mensalão, o tráfego de influência, a falta de ética na política, os conchavos partidários etc. A sua pior gravidade, infelizmente, é não ter cura, dada a sua aderência à degradação mórbida. É aconselhável o afastamento daqueles afetados por essa doença, em virtude de ser altamente contagiosa e bastante perniciosa aos interesses da nação.
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                           
Brasília, em 25 de outubro de 2010

Tiririca

Contrariamente ao que muitos imaginam, pode ser auspicioso e até salutar o surgimento do palhaço Tiririca no picadeiro da política partidária brasileira, pelo simples fato que isso nada mais é do que o despertar de um sentimento explícito de rejeição da sociedade às abomináveis práticas da subserviência aos mandatários detentores do orçamento estatal, dos cargos públicos e da chave do Tesouro.  Ao contrário dos outros políticos, que muito prometem e nada fazem, ele pode fazer algo especial, já que nada prometeu. Além disso, a substituição de alguns titicas pelos assumidos tiriricas pode até significar ganhos consideráveis de qualidade para a nação, ante a possibilidade do surgimento de ideias inovadoras em benefício da moralização do serviço público e da efetividade de boas realizações em prol do interesse nacional. Ninguém pode negar que o Congresso Nacional, composto exclusivamente por “tiriricas” e mais um Reguffe, não obteria o tão sonhado respeito da opinião pública, porque eles certamente teriam melhores condições de captar o anseio da sociedade e com isso estariam honrando e dignificando o importante cargo de representante do povo.

Antonio Adalmir Fernandes
                       
Brasília, em 05 de outubro de 2010

Homenagem a Wagner Jorge de Miranda

Ao ensejo do transcurso do cinquentenário do Tribunal de Contas do Distrito Federal, por que não homenagear os seus servidores na pessoa daquele que é, na atualidade, o mais antigo ainda em atividade na Corte, com mais de 40 anos de profícuos serviços prestados às causas do interesse público, que se chama Wagner Jorge de Miranda?            
                  
Poucos servidores como ele podem ter tido a oportunidade de demonstrar tanta dedicação a uma instituição pública neste país. A sua competência e o seu zelo são evidenciados ao longo da quase trajetória da vida desta Corte, onde ingressou nos idos de 1966, tendo sido árduo e intransigente defensor de um controle de alta qualidade e de plena eficiência, sendo notórias a sua contribuição e  participação para o atingimento desses objetivos, com a apresentação de substanciais medidas de modernização e aperfeiçoamento dos trabalhos de fiscalização de competência do Tribunal, especialmente por ser o pioneiro na elaboração e implantação dos manuais de orientação ao exame e instrução processuais e aos procedimentos de inspeção e auditoria.

É relevante sublinhar a sua contribuição à formação de dirigentes e servidores do Tribunal, mediante ensinamentos e exemplo profissional de líder sempre bem preparado e bastante conhecedor dos assuntos pertinentes aos trabalhos sob a sua responsabilidade, sendo especialista como orientador de seus comandados e como coordenador de inúmeras comissões técnico-especializadas que participou, sempre oferecendo a melhor e mais adequada proposta à obtenção dos objetivos a serem almejados.

A sua atuação foi destacada e eficiente como Inspetor-Seccional, Inspetor e Inspetor-Geral, este ocupado em substituição ao titular, com o oferecimento de trabalhos de alto nível para a deliberação plenária.

Além da notória e reconhecida competência profissional e liderança evidenciadas nos setores onde pontificou, é servidor tranquilo, sensato, amigo, cordato e cavalheiro, estando sempre à disposição dos companheiros para a resolução de quaisquer questões, sendo incapaz de censurar ou de deixar de dar o seu apoio sempre que procurado.

É sem dúvida alguma, um servidor que simboliza muito bem os trabalhos deste Tribunal, sendo, portanto, merecedor do reconhecimento por tudo que já fez com amor e dedicação pelo engrandecimento desta Casa, que pode se orgulhar, nesta data, de ter conseguido alcançar significativos resultados, no desempenho da fiscalização dos dinheiros públicos, evidentemente graças à participação de muitos e valiosos servidores, entre os quais necessariamente deve ser destacado o Sr. Wagner Jorge de Miranda, por ter sido, sem margem de dúvida, modelo para gerações dos então Analistas e Técnicos de Controle Externo.

Antonio Adalmir Fernandes

Brasília/DF, em 15 de setembro de 2010

Voto proporcional

Tão pernicioso quanto o candidato ficha suja, que tende a ser extirpado do mapa eleitoral brasileiro, é o modelo da contagem dos votos no sistema proporcional, onde nem sempre os candidatos mais votados serão eleitos ou, ainda pior, ao contrário disso, outros podem carregar consigo candidatos sem qualquer competência ou expressão política, a depender da obtenção, pelo partido ou pela coligação, do número mínimo de votos, mediante o famigerado quociente eleitoral, que poucos sabem o que isso significa, mas essa aberração eleitoral pode propiciar, pasmem, que o “puxador de votos”, a exemplo de Enéas, Maluf, Clodovil e, agora, Tiririca, possa eleger também um mensaleiro, “bolseleiro”, “cuequeleiro”, “meialeiro” etc., independentemente da vontade do eleitor. Essa é a realidade atual nua e crua. Urge que isso seja revisto, a bem de um pleito justo, que contemeple unicamente o candidato da escolha da vontade soberana do povo.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 05 de setembro de 2010

Troco Voto

Sabemos o quanto não é correto se oferecer o voto por troca de algo, porque isso constitui grave violação aos princípios consagrados da eleição para a escolha de cargos públicos. Porém, ouso empenhar o meu voto àquele candidato que, no pleito majoritário, esfera federal ou distrital, comprometer-se, em cartório, como compromisso público, a implantar uma estrutura administrativa enxuta, composta com pessoas capacitadas e qualificadas, sem permitir o comando rateado dos cargos entre os partidos políticos da base aliada. No caso de deputado distrital, o seu compromisso é um pouco mais penoso. Além da competência, ele é obrigado a garantir que o seu gabinete somente terá até dez servidores, inclusive comissionados, que irá se empenhar, até com projetos pertinentes, para que os gabinetes dos seus pares sejam iguais ao seu. finalmente, que ele próprio irá desempenhar a sua função parlamentar como autêntico servidor público, com expediente de 2ª a 6ª feiras, carga de 40 horas semanais, recebimento de somente 13º salário etc. A eficiência da gestão e a economia de gastos certamente contribuirão para o sucesso de todos os setores da administração, inclusive da saúde, da segurança. Você merece meu voto? 

Antonio Adalmir Fernandes

Brasília, em 09 de agosto de 2010

O fim da corrupção

Atendendo “apelo veemente” dos políticos brasileiros, elaborei projeto de emenda à Constituição Federal, com a finalidade de extirpar definitivamente a corrupção da Administração Pública, cujo texto é o seguinte:

                  Art.      . O servidor público de qualquer nível, flagrado em corrupção com dinheiros e bens públicos, perderá o cargo, por ato do respectivo Poder Legislativo, imediatamente à pertinente exibição, por qualquer meio, de imagem, gravação ou provas contundentes, ficando inabilitado definitivamente para o exercício de cargos ou funções públicas de qualquer natureza.
                   Parágrafo único. O ex-servidor a que se refere este artigo ficará obrigado a responder, sem direito à liberdade no período das apurações, processos nas instâncias civil e criminal, sendo que os seus bens e valores e de seus familiares ficarão bloqueados até o deslinde de sua situação.”.

Tendo em vista o enorme interesse demonstrado pelos parlamentares na apreciação do projeto Ficha Limpa e na constante aprovação de medidas em prol da moralização do serviço público, certamente o projeto em tela será apreciado em regime de urgência, urgentíssima e aprovado com louvor.

Acorda Brasil!!!

Antonio Adalmir Fernandes

Brasília, em 22 de maio de 2010