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domingo, 20 de novembro de 2011

Fingimento debochado

Nos últimos tempos, tem servido de verdadeiro encorajamento aos corruptos o “memorável” conselho da lavra do ex-presidente da República petista, segundo o qual, quando alguém for acusado de ter praticado atos irregulares contra o patrimônio púbico, não deve ceder facilmente às pressões da mídia nem da opinião pública, mas negar bravamente e se transformar em autêntico “casca grossa”, para mostrar toda “bravura” de pessoa honesta. Essa “lição” desatina e desastrada contaminou tanto os maus elementos como quem tem a obrigação de cortar o mal pela raiz, que, ao invés disso, prefere se acomodar covardemente e nada fazer, demonstrando fraqueza de autoridade e, mais grave, de conivência com as falcatruas denunciadas. Na atualidade, a imoralidade é apontada e até comprovada, porém os caras de pau flagrados, desmascarados, fingem que não é nem com eles e não sentem nem vergonha na “fuça”, como se o desvio de dinheiro público fosse natural e não infringisse regras legais, éticas e morais e não atentasse contra a dignidade do ser humano. No passado, é verdade que já faz bastante tempo, os corruptos demonstravam sentimento de vergonha quando a sua sujeira era revelada e não caçoavam de ninguém, porque temiam punição e a imposição de reparar o dano causado à sociedade. Hoje é diferente e tudo se resolve à base de deboche de péssimo gosto, talvez na intenção de desviar o foco da sua maldade. Nesse contexto, o desprezo à seriedade ultrapassou todos os limites suportáveis pela dignidade humana, quando, de forma incrível, alguém, acusado de ser o mentor-chefe do rumoroso esquema do mensalão, cassado pela Câmara Federal e réu no Supremo Tribunal Federal, vem a público, com o maior descaramento, afirmar que “a onda de denúncias contra a corrupção pode fazer mal para o país”. É lamentável que essa filosofia mesquinha e desrespeitosa às pessoas de bem represente a fiel mentalidade da agremiação partidária que governa a nação, pois prejudicial ao país é permitir que a corrupção alastre-se mais ainda sem ser, pelo menos, denunciada, porque combatê-la que é bom nem pensar, à vista da evidente predominância da incompetência gerencial na administração pública. Na verdade, o que vem prejudicando o país é a contaminação do câncer da corrupção que foi instalada no serviço público brasileiro; é a liberdade de homens públicos sem caráter, que deveriam estar reclusos em razão dos seus crimes contra o Estado; é a roubalheira desenfreada e denunciada a todo instante; e é a impunidade dos corruptos, que agora sequer são exonerados dos cargos que ocupam. A sociedade anseia por que os governantes se conscientizem de que a praga da corrupção vem sacrificando o desenvolvimento econômico e social do país e contribuindo de forma decisiva para contaminar e fragilizar a dignidade, a moralidade e os bons costumes dos brasileiros. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 20 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Incompetência no trabalho

Segundo denúncia que acaba de ser publicada pela imprensa, servidores e ex-servidores de órgãos de controle do Ministério do Trabalho estavam exigindo o pagamento de comissão de 5% a 15% do valor dos convênios para resolver "pendências" relacionadas com a comprovação de situações ou documentação pertinentes, cujos recursos são destinados aos bolsos desses servidores ou ao abastecimento dos cofres partidários. O deputado líder do PSDB afirmou "Virou prática na Esplanada dos Ministérios a montagem de balcões de propina para cobrar 'pedágio' das empresas que assinam contratos com o governo. É uma corrupção desenfreada que, quando o dinheiro público não vai direto para o bolso de ministros e assessores, acaba parando no caixa dois de partidos". O Instituto Êpa, do Rio Grande do Norte, denunciou a existência do esquema que funciona a partir da realização de cursos sobre capacitação profissional e depois vem a surpresa com a indicação de pendências, que somente poderão ser sanadas após o repasse da aludida comissão, sob pena de não haver liberação dos repasses pertinentes, ou seja, tem que pagar o “pedágio” para receber os recursos referentes ao convênio. Essa denúncia somente vem confirmar a pouca vergonha instalada nesse governo, que é formado por pessoas da pior qualificação moral e de questionável competência, por evidenciar que um de seus objetivos é a criação de situações para se beneficiarem de recursos públicos, mediante a formação de esquemas próprios para desviá-los para si ou para o partido que domina as ações do ministério colocado à sua disposição por troca de apoio do governo no Congresso Nacional. Não é nenhuma novidade que os principais cargos desses órgãos são ocupados, obrigatoriamente, por servidores preparados para defender seus interesses e de seu partido, inclusive o de arrecadar recursos para ele. Em corroboração ao caos existente nesse órgão, o Tribunal de Contas da União considera crítica a situação dos convênios celebrados entre entidades públicas e privadas e o Ministério do Trabalho e aponta o governo como conivente e tolerante com o desmazelo verificado, em especial quanto à demora, mais de cinco anos, para o exame das prestações de contas, quando elas são formalmente apresentadas, e que essa gritante falha tem sido "uma das causas mais relevantes de impunidade e do baixo nível de recuperação dos prejuízos causados ao erário federal". O TCU ainda atesta a "incapacidade do ministério de, mesmo por meio de esforço operacional específico, atender as disposições infralegais e apreciar as prestações de contas dos convênios e outros ajustes". A ação da bandidagem nesse governo, além de não ter limites, encontra facilidade de ação justamente pela falta de gerenciamento competente, preocupando por demais a sociedade, que somente tem o direito de se indignar com a leniência governamental com todo esse estado de coisas, ante a falta de medidas moralizadoras no sentido de combatê-la com a energia que se exige para casos degradantes como o aqui relatado. Urge que a administração pública seja integrada por pessoas competentes, em condições de zelar e proteger o patrimônio público contra essa corja de bandidos que vem assacando os cofres públicos à lua do dia, sem cerimônia nem piedade, e que a sujeira da corrupção seja definitivamente extirpada do seu convívio. Acorda, Brasil!


ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 

Brasília, em 07 de novembro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pura negociata

Com a finalidade de atender exigência política de deputado distrital, a Administração Regional de Taguatinga vai ter novo administrador, pondo em prática ajuste para adequar a base de apoio ao governador do Distrito Federal no Poder Legislativo. Os correligionários do chefe do Executivo consideram normal esse procedimento, por fazer parte do jogo político, objetivando garantir a aprovação de projetos de interesse do Buriti. Numa administração decente e séria, esse absurdo jamais poderia ser tido por natural.  Os governadores são substituídos na forma democrática, mas as práticas inadmissíveis do “toma lá da cá” permanecem intatas, sob os pilares da política pobre, interesseira e medíocre que não resiste às veementes promessas de campanha eleitorais, com a garantia dada de que doravante tudo será diferente. Ocorre que o DNA político é imune à tentativa de moralização no serviço público, que é obrigado a conviver com os nefastos conchavos e os acordos mesquinhos, concluídos e selados sobre verdadeiro balcão de negócios, envolvendo dinheiros públicos. Esse esquisito troço de acordo, além de levar em conta tão somente o famoso critério “quem indica”, sem a observância do instituto do mérito, da capacidade profissional do afilhado ou do interesse público, este em primeiro lugar, obriga a substituição dos assessores. Na verdade, esse é caso típico de cometimento de improbidade administrativa e do descumprimento de normas constitucional e legal, quanto aos princípios da ética, da moralidade e da legalidade, implicando em crime de responsabilidade tanto do governador como do parlamentar cuja prática pode levar ao impeachment do primeiro e à cassação do mandato do segundo, por configurar sanção de natureza político-administrativa. No caso em comento, não há dúvida de que houve crime de responsabilidade, em virtude da maneira irresponsável com que os negócios públicos foram geridos, em flagrante prejuízo para o interesse da sociedade, que devem ser cuidados, antes de tudo, com transparência, honestidade e eficiência. De qualquer modo, compete aos órgãos de controle e à sociedade analisarem quanto aos principais contornos jurídicos passíveis do enquadramento dessa negociata em crime de responsabilidade. Não obstante, urge alertar aos administradores públicos para a necessidade de se conscientizarem no sentido de que a sociedade não admite de forma alguma tanta promiscuidade e leviandade com a gestão dos negócios do Estado, que têm sido prejudicados, como no caso em apreço, pela explícita inobservância dos princípios da administração pública. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 10 de outubro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Questão de competência

Com absoluta certeza, o cidadão que vinha sendo titular do Ministério do Turismo acaba, enfim, de prestar excelentes serviços à pátria amada, ao entregar espontaneamente o cargo, depois de ter conseguido ser um dos mais desastrosos auxiliares da presidente da República, ao se envolver em vários casos escabrosos que só contribuíram para confirmar a sua reputação de incompetência e desserviços ao turismo brasileiro, dando sequência à sua atuação pífia e apagada nos seis mandatos de deputado federal na Câmara dos Deputados, onde, pasmem, não apresentou nenhum projeto, não fez qualquer articulação política e não teve grande gesto em prol de coisa alguma. Entretanto, sabe-se, agora, que ele é exímio aproveitador de dinheiros públicos, tendo usado verba indenizatória da Câmara para financiar festinhas num motel em São Luís; destinado emenda de R$ 1 milhão para uma empresa fantasma no Estado do Maranhão; registrado a sua empregada doméstica como assessora parlamentar, para que o seu salário fosse pago por verba pública; e usado um servidor da Câmara para prestar serviços de motorista para a sua mulher. No comando do Ministério do Turismo, presenciou a prisão pela Polícia Federal de oito dos seus assessores, por participarem de irregularidades com a celebração de contratos, mas ele alegou que nada viu, nunca ouviu algo desabonador e não sabia de nada que estava ocorrendo sob a sua chefia. Importa ressaltar que as peripécias protagonizadas pelo então ministro do Turismo não isenta a presidente da República de responsabilidades pela incompetência com que esse órgão foi gerenciado no período do seu governo, porque a política programática da pasta se insere no conjunto da administração do país que compete a ela responder, de forma integral, pelos resultados de cada setor. É da sua competência a nomeação de alguém para exercer, por sua delegação legal, as atribuições de comandar determinado ministério, cujo êxito ou insucesso do seu desempenho é necessariamente compartilhado com a sua gestão, na sua integralidade. Nesse caso, convém ser registrado mais um fragoroso fracasso desse governo de aceitar e manter sob o seu comando pessoa política, apenas pelo critério da conveniência das alianças celebradas, sem qualificação técnica para exercer o cargo, porém competente na defesa dos seus interesses pessoais, conforme revelam os fatos largamente denunciados, em flagrante prejuízo às causas nacionais. A sociedade espera, confia e exige que a escolha do novo ministro do Turismo seja precedida do preenchimento das qualificações da competência para exercer o cargo, da estrita observância aos princípios da ética, moralidade, dignidade, honradez e legalidade e principalmente da intransigente defesa dos interesses públicos, requisitos indispensáveis para preparar, estruturar e qualificar o país, quanto à política turística, para desenvolver e apoiar condignamente os meios necessários à realização dos eventos da Copa do Mundo de Futebol. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 14 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sucateamento do turismo

A precariedade do complexo turístico brasileiro pode ser sentida com o descaso dos responsáveis pelas políticas voltadas para esse tão importante segmento social. Se depender dos cuidados e da promoção objetivando o seu desenvolvimento por parte do Estado, a situação se complica de vez, à vista da prova cabal resultante do acidente com o sucateadíssimo sistema dos bondinhos de Santa Teresa, do Rio de Janeiro, justamente devido à falta de manutenção adequada da sua estrutura, vindo a provocar a irreparável perda de seis vidas importantes e a lesão corporal de mais 56 pessoas, decorrentes do desleixo quanto aos cuidados indispensáveis ao seu regular funcionamento, além de pôr em xeque a seriedade que se exige do turismo nacional. Na forma da lei, é cabível de responsabilização, em decorrência da indiscutível omissão administrativa, dos causadores dessa tragédia. Há que se notar que o retrato fiel desse descaso é refletido de dentro do próprio Ministério do Turismo, que foi dominado por escândalos da corrupção, com a malversação de dinheiros públicos em conluio com ONGs fajutas e de fachadas, sem qualificação para realizar os objetivos preconizados nos ajustes firmados. Não obstante, o titular da pasta, no alto da sua incompetência, continua à frente do órgão como se nada grave tivesse sido revelado nem exposta contra a decência e a lisura da gestão pública. É notório que o Estado não tem qualquer prioridade com o turismo e isso vem à tona e se confirma quando acontece tragédia de grande repercussão, como a referida acima. Então, por quais motivos existem Ministério do Turismo e órgãos assemelhados estatais, se não há interesse oficial em incrementar a indústria turística? Na prática, o turismo nacional se torna cada vez apequenado e tende a se despencar do patamar de onde nunca esteve. À vista dos fatos irregulares denunciados nos últimos dias, os recursos executados pelo Ministério do Turismo não tinham efetividade, por terem sido desviados para os bolsos de bandidos trasvestidos de servidores públicos, motivando o descarrilamento moral desse órgão e a prisão temporária de alguns servidores, mas o governo continua fingindo que nada houve de errado ali. Diante dos escândalos, da incompetência de vários ministérios e da falta de efetividade de suas ações programáticas, nada mais justo de que sejam extintos os Ministérios do Turismo e tantos outros igualmente inoperantes e desqualificados, bem assim uma infinidade de secretarias com nível de ministério, também incapazes de produzir algo em benefício da sociedade, cuja medida teria o condão de contribuir para a eficiência e a eficácia da administração pública, quanto à possibilidade da economia de recursos, da extirpação da corrupção e da criação, com os recursos que seriam destinados àqueles órgãos, da fonte de financiamento dos programas de saúde, objeto da regulamentação em exame na Câmara dos Deputados. Não é que os graves problemas do país não tenham solução, mas, sem vontade política e competência por parte dos dirigentes governamentais para saneá-los, restará à sociedade brasileira a desilusão por perceber que os interesses das espúrias alianças partidárias são bem mais importantes do que as causas nacionais, que bem merecem o afago de medidas eficientes e moralizadoras. Acorda, Brasil!   
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 05 de setembro de 2011

Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Confirmação da humilhação

A Câmara dos Deputados decidiu absolver a deputada do Distrito Federal flagrada, conforme filme exibido reiteradamente pelas redes de televisão do país, recebendo maço de dinheiro do delator do mensalão do DEM do Distrito Federal, que chocou em especial a população brasiliense. O veredicto contrariou a recomendação do Conselho de Ética da Casa, que teria concluído pela cassação da parlamentar. O entendimento dos deputados revela uma atitude em clara defesa do corporativismo, sempre arraigado nesses casos, quando se trata de punir um dos seus membros que tenha cometido alguma irregularidade, por mais grave que ela seja, porque a penalidade poderia criar precedente que ninguém gostaria de passar por situação constrangedora, mesmo diante da comprovação do fato irregular, como no caso em comento. O certo é que a Câmara dos Deputados apenas ratificou a sua péssima reputação de sempre proteger e de não punir os atos de improbidade praticados por deputado, mesmo que esteja evidenciada a infringência aos princípios da ética, da moral, da honra, da dignidade, entre outros que qualquer cidadão comum é obrigado a cultuá-los, porque, ao contrário disso, ele sabe que será severamente penalizado, na forma da lei. Antes da eleição destinada à cassação, a mancha do procedimento indigno e desonesto maculava apenas a sua autora, mas, com a absolvição absurda, aqueles que a apoiaram e concordaram com a escancarada obscenidade passam a ser coniventes e igualmente merecedores do repúdio da sociedade. Em suma, essa decisão decepcionante obriga a convivência indesejada e inaceitável dos brasilienses com sua representante no parlamento, por ela ter perdido totalmente a credibilidade política, após a revelação de seu vil e execrável ato de corrupção. Essa extrema frustração somente poderá ser reparada futuramente, pelos eleitores candangos, caso a deputada se digne a se candidatar no próximo pleito, em cuja ocasião ela deverá receber a merecida recompensa pela humilhação que o seu vergonhoso ato causou aos honrados brasilienses.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 30 de agosto de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Chega de imoralidades

O Ministério da Agricultura, por longo período, foi alvo de bombardeios pesados, com munições de calibre grosso, dando conta de acusações recheadas e consistentes de denúncias sobre irregularidades em licitações, pagamentos indevidos de dívidas, intermediação de lobistas dentro do seu recinto, entre outros procedimentos suspeitos e condenáveis, mas nada disso foi capaz de atingir o “desconfiômetro” do então titular da pasta sobre a gravidade da situação, que, ao contrário, se considerava, no meio do tiroteio das denúncias, firme no cargo como uma rocha, como chegou a assegurar à imprensa. Ele tinha absoluta convicção do que dizia, máxime porque as falcatruas estavam sendo engendradas tão somente sobre o patrimônio público, que, de longa data, vem suportando maus tratos na sua gestão por inescrupulosos que só querem a fatia do poder, respeito e afago. Até aí parecia que tudo estava muito bem, sem nenhum fato passível de reclamação ou suficiente para abalar a estrutura montada, haja vista que os desarranjos apontados, no entender do então ministro, não afetavam a sua conduta à frente do órgão, por ser normal na administração pública o desprezo aos princípios da probidade, regra comum demonstrada pelos aliados políticos desse governo. Contudo, a situação começou a azedar de verdade quando insinuaram que membros da sua família teriam sido beneficiados de forma indevida. Em sua carta de despedida, o então ministro afirma que “Minha família é meu limite. Aos amigos tudo, menos a honra”, desencadeando, com isso, o desmoronamento da rocha, com a precipitação da sua prematura exoneração do cargo. Estranha-se que sua excelência não tenha sido capaz de ter o mesmo sentimento de estarrecimento em relação às denúncias de corrupção com dinheiros públicos, que estaria ocorrendo bem à frente do seu nariz. Tudo isso mostra a falta de seriedade e de compromisso dos homens públicos com as causas nacionais, que são colocadas, como no caso em referência, em planos secundários e não são tratadas com o devido zelo e o cuidado dignos dos interesses da sociedade. Urge que a mentalidade dos dirigentes públicos seja efetiva e essencialmente conscientizada para bem servir a pátria, em desprezo aos interesses familiares ou particulares.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 18 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Falta de autoridade

Nunca, em tão pouco tempo, o mundo político brasileiro tenha experimentado tanta mexida nos setores importantes do governo, em face do surgimento de denúncias de irregularidades em vários órgãos fundamentais da estrutura governamental, embora não o suficiente e necessária para mostrar à sociedade a verdadeira vocação presidencial para a realização de faxina no serviço público, principalmente porque somente houve exoneração num ministério, enquanto noutros onde também aconteceu denúncia de corrupção nada foi promovido para valer, ou seja, ninguém foi afastado por determinação palaciana, como forma de mostrar a imparcialidade e a objetividade pretendida para a moralização da gestão pública. Em se tratando de uma complexa e heterogênea base de sustentação no Congresso Nacional, isso demonstra o peso de cada partido junto ao governo, impedindo que as medidas saneadoras sejam aplicadas igualmente com a intensidade e o peso para os mesmos partidos. Outro fato estranho e inadmissível acaba de ser demonstrado pelos parlamentares da base governista, ao defenderem seus interesses com a imposição da urgente liberação dos valores das suas emendas, sob pena da continuação do bloqueio às votações dos projetos de interesse da sociedade, como forma de ameaça de operação-padrão no Congresso, em franca demonstração de descompromisso com a realidade nacional. Até que o governo teve uma excelente oportunidade de impor a autoridade que os escândalos exigiam, ante a constatação dos esquemas nos Ministérios dos Transportes, da Agricultura e do Turismo, mas, ao final, a sua fraqueza é notória, ao permitir que a força dos partidos aliados prevalecesse sobre a premente necessidade de saneamento da administração pública. O momento é de soberania nacional, independentemente de qualquer mágoa por parte do feudo e das mamatas dos partidos políticos. Não obstante, percebe-se com claraza que a sociedade vem prestando pleno apoia às medidas de combate à corrupção, porque não suporta mais tanta roubalheira dos cofres públicos, em nome da fajuta sustentabilidade da base política, em detrimento dos interesses nacionais.
                        
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 17 de agosto de 2011
  

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Traição à sociedade

Segundo reportagem publicada na Folha de S. Paulo, nesta data, o ex-ministro dos Transportes, que se prepara para retornar ao Senado, disse que se sente traído pelo governo, afirmando ter sido jogado em um "climbo polítio" ameaçador à sua candidatura ao governo do Amazonas. A sua saída do governo decorreu da enxurrada de denúncias de corrupção reveladas pela revista “Veja”, envolvendo aquela pasta, a Valec e o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes – DNIT, principalmente tendo por base suposto superfaturamento de obras, esquema de pagamento de propinas em obras federais e contratações de empresas de familiares e amigos. Não há a menor dúvida de que a exoneração do todo poderoso Don Corleone dos Transportes e de consequência dos seus asseclas foi um golpe terrível e mortal à bem organizada quadrilha que vinha agindo com competência e bastante articulação em diversos setores dos transportes, ocupando espaço desde o governo anterior, com a finalidade de saquear os cofres públicos, como uma espécie de propinoduto preparado para que o dinheiro fosse desviado com muita eficiência. Diante de tantas evidências já levantadas pelos órgãos de controle, as irregularidades são graves e reforçam a convicção do governo de que a limpeza nos transportes era mais do que necessária e põe por terra qualquer tentativa de alguém querer considerar injustos os procedimentos adotados, diga-se, com bastante atraso, à vista dos danos já causados ao erário. A verdade é que o Estado do Amazonas deve agradecer o bem que essa faxina vai lhe favorecer, por evitar que a chaga maligna dos transportes se apodere da chave do seu Tesouro. Por enquanto, quem tem o direito de se considerar traída é a sociedade, que pagou muito caro por boas estradas e ferrovias e, em contraprestação, ainda não teve a satisfação de recebê-las nas perfeitas condições das encomendas.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 27 de julho de 2011
   

sábado, 2 de julho de 2011

Maracutaia nos transportes

Por determinação da presidente da República, o ministro dos Transportes providenciou, na manhã deste sábado, o afastamento de quatro servidores da cúpula desse órgão, tendo por base publicação de reportagem da revista "Veja", afirmando que representantes do Partido da República, que comanda essa pasta, teriam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras. Entre os servidores citados estão o próprio chefe de gabinete do ministro, um assessor do ministério, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT, e o presidente da estatal Valec. Em nota, o ministro dos Transportes disse que "rechaça, com veemência, qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer atos político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes". Parece que a grande sabedoria deste governo, em contraposição ao anterior, é ter, pelo menos, a sensibilidade para enxergar, quando a denúncia é gravíssima, a podridão que pode existir na sua gestão, tendo a coragem de mandar afastar os servidores envolvidos e apurar os fatos apontados. Não deixa de ser uma verdadeira conquista da nação, mas certamente isso poderá custar caro para a reputação da presidente, uma vez que a medida vai contrariar profundamente a vontade dos caciques do Partido dos Trabalhadores, que não estão acostumados com atitudes desse jaez. Veja-se, por exemplo, entre vários casos graves denunciados no passado, que não houve qualquer apuração por parte do governo, o nebuloso e clamoroso episódio do mensalão, que teve a desdita de causar um rombo nos cofres públicos, mas o “competente” ex-presidente, além de não acreditar nas falcatruas engendradas, perpetradas e muito bem gerenciadas dentro palácio presidencial, ainda tem a cara de pau de jurar de pés e mãos juntos, que tudo não passou de fatos inventados pela oposição, para desestabilizar o seu governo. Como castigo aos envolvidos nesse affaire, houve a sua reintegração ao partido, como forma de prestigiá-los. Neste caso mais recente, o povo brasileiro espera que realmente sejam apurados os fatos apontados e punidos os culpados de forma exemplar, com o devido ressarcimento dos prejuízos levantados, conforme determina a legislação de regência, para que sirvam de lição para moralizar a tão maltratada administração pública brasileira.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 02 de julho de 2011